venda de produtos financeiros ou recomendação de investimentos baseada em comissões foi banida no Reino Unido em 2013.

A decisão foi tomada pela Financial Services Authority (FSA), órgão regulador do mercado financeiro e capitais britânico.

Segundo o The Guardian, as reformas da revisão da distribuição no varejo financeiro significam que os assessores de investimento enfrentam dificuldades em meio à repressão à venda errada.

A morte do assessor de investimentos

A proibição das recomendações por comissão foi a maior mudança na indústria de investimentos em décadas, apelidada por alguns de "a morte do assessor de investimentos".

O impacto no Reino Unido, na época, atingiu um total de 21.700 assessores.

Desde a aplicação da lei, os assessores têm que cobrar taxas iniciais de seus clientes, em vez de receber comissões de empresas fornecedoras de produtos financeiros.

De acordo com a consultoria de gestão Deloitte, 5,5 milhões de pessoas deixaram de usar um assessor ou não têm mais acesso a eles.

A maioria dos grandes bancos já desistiu de oferecer assessoria de varejo para o mercado de massa ou começou a reduzir o número de assessores que têm.

Na época, o Royal Bank of Scotland culpou as novas regras por sua decisão de cortar 618 empregos de assessores.

O Lloyds Bank interrompeu o aconselhamento presencial para qualquer pessoa com menos de 100 mil euros em ativos depois de descobrir que a maioria dos consumidores não estava disposta a pagar uma taxa pelo serviço.

O impacto total sobre os 21,7 mil assessores de investimento da Inglaterra fez com que alguns deixassem o setor, se aposentassem ou mudassem para um novo modelo de Consultor de Investimentos.

Conflito de Interesse

O movimento iniciado pelas Autoridades de Serviços Financeiros (FSA) inclui pensões e fundos de investimento.

A proibição teve como objetivo aumentar a transparência e reduzir o risco de vendas incorretas, conhecido como conflito de interesse.

Isso significa que os consumidores percebem claramente o custo do aconselhamento financeiro que antes parecia ser gratuito, uma vez que os encargos faziam parte dos pagamentos de comissões ao assessor.

Alguns analistas de investimentos acreditam que detalhar os custos pode impedir que muitos clientes procurem assessoria de investimentos.

"A exigência de divulgar os honorários do assessor de investimentos em dinheiro define um preço no conselho financeiro”, segundo Graeme Bold, diretor do UK Retail RDR na Standard Life.

“Pedir a alguém que pague o que pode ser alguns milhares de reais por ano é bem diferente de cobrar uma cobrança contínua de 1%”, concluiu.

Fim da Comissão de Venda (FEE)

Muitos assessores de investimentos ficaram apavorados com a possibilidade de perder sua principal fonte de renda, chamada “comissão de venda” ou FEE.

Até hoje, quem vende um fundo de investimento tende a ganhar uma comissão de 0,5% do valor do fundo, todos os anos.

No Reino Unido, as novas regras proíbem o FEE, mas permitem que os assessores continuem se beneficiando da comissão nas vendas anteriores.

Essas vendas são estimadas em cerca de 1,5 bilhão de euros por ano.

Profissionais do mercado financeiro esperam que os assessores parem de entrar em contato com ex-clientes, por medo de perder as lucrativas taxas de comissão que estão recebendo.

Impacto na Assessoria de Investimentos

Há também a preocupação de que os assessores que buscam comissões mudem para apólices de seguro de vida, doenças graves e seguro médico, que não estão sob a proibição da comissão da FSA.

A Bestinvest, em um relatório intitulado The death of the salesman and the rise of the DIY investor, previa que milhões de pessoas não estariam dispostas a pagar comissão pela assessoria.

Esses investidores seguem sozinhos e usam serviços "somente de execução" na Internet, ou seja, farão seus investimentos por conta própria.

Já os investidores com maior patrimônio seguem sendo atendidos por consultores de investimentos, profissão regulamentada sem o conflito de interesse e com uma taxa fixa.

Já as empresas de seguro de vida, mestres em empacotar produtos financeiros, como hipotecas com enormes comissões para assessores, foram as mais atingidas.

O que Perguntar ao seu Assessor de Investimentos

Aqui estão 5 perguntas que a FSA recomenda que os clientes façam ao seu assessor de investimentos à luz das novas regras:

  1. Quanto me custará seus conselhos e como isso é calculado?
  2. Você pode explicar as diferentes maneiras pelas quais posso pagar por aconselhamento?
  3. Você pode me explicar quais produtos você pode me aconselhar e quais áreas você não pode me ajudar?
  4. Com que frequência você revisará meus investimentos?
  5. Você pode me mostrar uma prova de que está qualificado para dar conselhos?

Fonte: The Guardian