Hoje quero falar da importância de investirmos apenas em ações que são um “SIM óbvio”, ou seja, casos em que o exercício de escolha do ativo é o menor possível.

Para isso, antes, quero propor um raciocínio prévio.

O investidor ganha dinheiro a partir de 3 esforços distintos e que devem andar juntos:

  • O esforço de encontrar um bom investimento;
  • O esforço de aportar;
  • E o esforço de esperar.

Falaremos de cada um deles, pois eles possuem uma ordem de prioridade e você deve conhecer as prioridades para aumentar a rentabilidade de seus investimentos.

Vamos começar pelo esforço de se escolher bons investimentos e já começamos com um spoiler polêmico: esse é o esforço menos importante da equação.

Explico…

Esforço de Escolher Ações

Primeira coisa, quando falo em “esforço menos importante” não estou dizendo que ele deve ser negligenciado. Pelo contrário.

É uma questão puramente matemática. Aqui você deve tão somente evitar o risco de ruína e buscar investimentos que sobrevivam no longo prazo.

O stock picking não é uma tarefa fácil. Poucas pessoas fazem isso bem feito com consistência e por muito tempo.

Pode soar pedante mencionar o megainvestidor Warren Buffett, mas o bom velhinho, em quase 8 décadas como investidor obteve um retorno anual composto de cerca de 21%.

George Soros em menos décadas obteve um retorno anual composto de cerca de 24%.

James Simons, dentro de um período de 30 anos, obteve um retorno anual composto de 66% ao ano.

Simons talvez tenha sido o investidor que tenha obtido o maior retorno composto do qual se tem notícia.

No entanto, Simons precisa manter essa consistência por mais 50 anos para superar Buffett.

Ou por mais 20 anos para superar Soros.

Definitivamente, não é uma tarefa fácil, afinal com esse retorno por mais 50 anos, Simons se tornaria “zilhardário”.

Por isso temos que ter bom senso quanto às expectativas.

Um único ano bom não significa nada. Dois anos bons também não.

Os 5 anos bons consecutivos de nada adiantam se você devolver tudo no sexto ano.  No final das contas, regredimos a média.

Henrique Bredda, gestor do Alaska, não é nem tão genial quanto seu desempenho de 2015 a 2019, nem tão ruim quanto o seu desempenho em 2020.

Ele é, sim, um bom gestor, mas também é uma pessoa comum, que acerta, que erra e que está sujeita às consequências do aleatório.

Quando o mercado financeiro sobe, todos são gênios.

O ego nos faz acreditar que estamos escolhendo bem as ações, quando na verdade a maré é que sobe. E o contrário também é verdadeiro.

Para sair de um retorno anual medíocre na poupança até um retorno anual médio de 12% ao ano na média histórica do Ibovespa durante o Plano Real, não é um esforço tão grande.

Se você souber o básico sobre o escolher ações, poderá ter um retorno semelhante no longo prazo.

Agora pense que para cada ponto percentual adicional o esforço aumenta muito.

Buffett chegou a 21% e, me desculpe, não seremos tão bons quanto ele de maneira tão consistente.

Para você pular dos 12 para os 14, dos 14 para os 16, dos 16 para os 18… cada pulo vai ser mais difícil do que o anterior, de modo que irá requerer que você praticamente viva disso.

Os ganhos pelo esforço de melhorar a sua rentabilidade são decrescentes, seguindo uma curva logarítmica.

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Esforço de Aportar

Isso nos leva para o segundo esforço: o esforço de aportar.

O aporte basicamente depende da diferença da nossa renda e do nosso custo de vida. Quanto maior essa diferença, maior será o aporte.

Quanto maior o aporte, maior o resultado.

Se você dobra o valor do seu aporte, o seu resultado dobra. Se você triplica o seu aporte, o seu resultado triplica. Esse esforço segue uma lógica linear.

Isso quer dizer que focar na própria carreira e fazer um bom gerenciamento de despesas gera um retorno maior a longo prazo do que se esforçar para aumentar a rentabilidade da carteira de ações.

É melhor poupar mais do que saber mais sobre investimentos.

É melhor investir mais a taxas de retorno medianas do que investir menos a taxas de retorno acima da média.

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Esforço de esperar

Por último, e mais importante, o esforço de esperar.

Talvez esse seja o mais difícil dos esforços. Warren Buffett hoje acumula uma fortuna de cerca de US$ 100 bilhões.

Seu primeiro bilhão chegou perto dos seus 60 anos.

Buffett é muito rico porque tem anos de investimentos, não porque é um investidor excepcional.

Ser um bom investidor ajudou, mas o tempo foi a variável mais gentil à fortuna de Warren Buffett do que a sua boa escolha de investimentos.

O tempo é a única variável que segue lógica exponencial nesse processo.

Buffett nunca “está na moda” quando o mercado está em alta. Ele não se destaca tanto em momentos bons.

O grande segredo de Buffett foi não afundar em momentos de crise financeira. Acredite, isso faz uma grande diferença.

Não sair do jogo nunca e se manter por longas décadas é a maior lição que Buffett pode nos passar.

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Por isso, vamos a conclusão simples de que não adianta ficar procurando a agulha no palheiro na bolsa de valores.

Uma ação de uma boa empresa cotada a um preço razoável já é o suficiente.

Se isso não for muito visível aos olhos, você irá despender tempo para entender melhor o caso.

E como você viu, o esforço de escolha não é tão bem recompensado quanto aportar mais e esperar mais

O bom investidor tem bom senso e é isso que temos batido na tecla na nossa nova série do YouTube, Os Investidores de Bom Senso, onde todos os dias às 16h30 eu e André analisamos ações ao vivo da maneira mais simples possível.

Foque naquelas ações que são um “SIM óbvio”, ou seja, que sejam boas e baratas e uma primeira batida de olho.

Diversifique sempre. De resto, canalize seus esforços em poupar e esperar render.

O dinheiro grande é feito no longo prazo.