Muitas vezes nos deparamos com diversos múltiplos utilizados por analistas e investidores no mercado para avaliar se as empresas listadas em bolsa estão “caras” ou “baratas”

Hoje vamos falar de dois indicadores de mercado financeiro que podem auxiliar na hora de escolher as empresas para compor o nosso portfólio: o P/L e o Dividend Yield.

O P/L mostra quanto estamos pagando pelo valor gerado pelas empresas, enquanto o DY mostra qual foi a parte do lucro distribuído aos acionistas nos últimos 12 meses.

O objetivo do investidor será encontrar empresas com um P/L Baixo e um DY elevado. Ou seja, pagar o menor preço possível por empresas que paguem bons dividendos.

Achar essas oportunidades não é uma tarefa fácil. Porém, com estudo e análise, é possível identificar ações baratas e boas pagadoras de dividendos.

Então, como saber se uma empresa é boa?

Quando quero saber se uma empresa é boa, procuro saber se ela tem boa rentabilidade, qual é seu nível de endividamento, qual seu nível de crescimento, quais são as suas vantagens competitivas, barreiras de entrada no setor no qual ela está inserida, o histórico de sua gestão, entre outras coisas. 

Identificadas as empresas que consideramos “boas”, chega a hora de compará-las com os indicadores adequados.

O Preço/Lucro (P/L) nos mostra o preço ao qual a empresa está sendo negociada em relação ao lucro que ela gera. 

Podemos considerar que o lucro é a forma como a empresa consegue remunerar ao acionista. Seja distribuído na forma de dividendos ou reinvestindo esse lucro no próprio negócio.

Vamos usar a VALE3 como exemplo:

Gráficos de Dividendo por Ação VALE3 e Histórico de Lucros da Vale
Gráficos de dividendo por ação VALE3 e histórico de lucros da Vale. Fonte: GuiaInvest

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No gráfico podemos apreciar como o lucro da empresa aumentou a partir de 2020 e a evolução do P/L mostra como a empresa foi ficando “barata”, negociando atualmente a 4,1X o seu lucro.

Indicadores (12m)12/202003/202106/202110/2021
P/L18,09,56,54,1
P/VP2,52,62,71,8
DY2,8%6,8%7,8%20%

Com o aumento do lucro, o dividendo distribuído também aumentou e o DY da VALE3 se encontra em 20% atualmente. 

Os múltiplos fundamentalistas são muito úteis para comparar empresas semelhantes entre si e também para entender como o mercado está precificando os resultados das empresas.

Quanto maior o múltiplo, maior a expectativa do mercado financeiro. Consequentemente, a empresa precisa crescer para ser negociada a múltiplos menos esticados e deixar de ser “cara”.

Para ficar mais claro, se uma empresa negociada com um múltiplo de 40 vezes consegue dobrar seus lucros, ela passaria a ter um P/L de 20 vezes, tudo mais constante.

Assim ficaria com um P/L mais atrativo para compra. A empresa ficaria mais “barata”.

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Quando esses múltiplos ficam altos demais, provavelmente a expectativa do mercado sobre o crescimento dessa empresa é muito elevada.

Nesse caso, cabe ao analista ou ao investidor decidir se aquele crescimento implícito faz sentido ou não.

Pagar caro sem ter uma forte convicção de alto crescimento de resultados significa correr um grande risco sem ser devidamente remunerado por isso.

Um recado importante: não use isoladamente esses dois múltiplos para definir as suas escolhas de empresas na bolsa. Eles devem ser complementados com outras análises.

O P/L e DY refletem resultados passados e pouco falam sobre o futuro da empresa (mesmo que possam ajudar a se ter uma ideia). 

Também é importante uma análise qualitativa da empresa para tentar entender as perspectivas dos resultados futuros.

Devemos prestar muita atenção ao utilizar o indicador P/L, porque às vezes o lucro líquido das empresas pode ser impactado por eventos não recorrentes, que tendem a distorcer aquele indicador.

A análise de múltiplos é apenas uma das partes do processo que ajuda na tomada de decisão. 

A análise deve ser complementada com estudos qualitativos que ajudem na compreensão mais profunda dos ativos para conseguir tomar decisões de investimentos mais assertivas.