Buyback: Como Funciona o Programa de Recompra de Ações
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Buyback: Como Funciona o Programa de Recompra de Ações

O buyback impacta na relação da empresa com os acionistas, em especial na distribuição de proventos.

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Atualizado em 09/07/2020

O programa de recompra de ações (buyback), por parte de uma empresa, é uma forma de valorizar os papéis que continuam em negociação e trazer benefícios para os acionistas.

Quando uma empresa abre capital (IPO), o objetivo principal é captar recursos para seus projetos.

Em outras situações, quando já se tem um bom valor em caixa, a empresa pode basicamente, fazer o seguinte com seu lucro:

  • Construir reservas;
  • Reinvestir no próprio negócio;
  • Adquirir novas empresas ou participações;
  • Distribuir uma parte em dividendos aos acionistas;
  • Recomprar suas próprias ações.

O grande desafio das companhias é encontrar o equilíbrio entre dividendos, buyback e retenção de lucros.

Quando uma empresa realiza o buyback, o investidor que não vendeu suas ações pode se beneficiar com o menor volume de ações no mercado.

Pois, como a base acionária torna-se menor, aumenta também o valor dos dividendos pagos por ação.

Os programas de recompra de ações estão se tornado cada vez mais populares entre as empresas abertas ao redor do mundo.

Em épocas de crise e quedas na Bolsa se tornam ainda mais comuns.

Em meio à queda de quase 40% do Ibovespa no 1º trimestre de 2020 por conta da crise do Coronavírus, anúncios de recompras de ações triplicam.

Então, está pronto para saber o que é Buyback e quais as consequências da recompra de ações?

Leia até o final e veja o que fazer quando empresas anunciam o programa de recompra de ações.

O que é Buyback?

Buyback, ou recompra de ações, é uma operação na qual uma empresa compra de volta suas próprias ações, reduzindo o número de papéis que estão em negociação no mercado secundário.

A companhia adquire suas ações na Bolsa de Valores enviando as suas ordens de compra e venda como qualquer outro investidor.

Existem diferentes razões para que uma companhia faça a recompra de ações, entre elas:

  • A empresa acredita que o preço das suas ações está muito abaixo do seu valor real;
  • Valorização dos papéis que continuam em negociação;
  • Distribuição de rentabilidade a acionistas;
  • Impedir que um determinado player se torne o controlador da companhia.

Através do buyback a companhia pode usar parte dos lucros para recomprar ações de sua própria emissão no mercado, reduzindo o número de ações disponíveis.

Assim, aumenta o percentual de participação dos investidores que não venderam suas ações, bem como a cotação da ação e os dividendos futuros.

O aumento da cotação se justifica uma vez que os lucros da empresa serão divididos em menos ações.

Os dividendos recebidos tornam-se maiores pelo mesmo motivo, já que o investidor terá uma participação maior na empresa.

Porém, a recompra pode limitar o crescimento futuro da companhia, porque, com isso, ela desiste de investir esse dinheiro em outros projetos.

A aquisição de ações de sua própria emissão por companhias de capital aberto é regulada pela Instrução nº 10 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de 14 de fevereiro de 1980.

Após a aprovação do programa de recompra de ações a empresa tem até um ano para efetuar as recompras.

Depois da compra, a companhia tem duas opções: cancelá-las ou mantê-las em tesouraria para posterior alienação.

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Como funciona o programa de recompra de ações?

Para fazer o buyback a empresa precisa antes solicitar junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sua intenção de realizar um programa de recompra de ações.

Se for concedida a autorização, a empresa tem um ano para fazer a recompra. Contudo, não tem a obrigatoriedade de efetivar as aquisições.

Depois do programa de recompra de ações ser aprovado pela CVM, a empresa realiza uma Reunião do Conselho de Administração (RCA) para definição das características do buyback, como:

  • Data de início do programa;
  • Prazo para a companhia recomprar suas ações (máximo de três meses);
  • Classes e quantidades de ações a serem recompradas (máximo de 10% das ações em circulação de cada classe);
  • Destino das ações a serem recompradas;
  • Sociedades financeiras intermediárias do processo.

Com tudo definido, o buyback é divulgado previamente para o mercado.

Durante o prazo do programa, a companhia pode adquirir ações de sua própria emissão na bolsa de valores, pelo preço de mercado e sem redução do capital social.

Após o término do prazo estipulado, segue-se uma nova RCA que poderá deliberar, dentre outras coisas, pela prorrogação do prazo ou por um novo programa de recompra de ações.

Além de definir o destino das ações efetivamente recompradas, que pode ser:

  • Cancelar as ações recompradas: o que diminuirá o número de investidores/acionistas;
  • Manter em tesouraria para posterior revenda: se acreditar que elas irão valorizar futuramente, há a possibilidade de aliená-las novamente em um momento oportuno. (limitado a 10% do total das Ações)

O buyback não é a única forma que uma empresa pode realizar a recompra.

A compra de ações pela companhia emissora pode ser feita de três formas:

Cada uma destas formas está sujeita a suas próprias regulações. 

Regras da CVM para o Buyback

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabelece os seguintes limites para as empresas realizarem buybacks:

  • Manter somente até 10% de cada classe ou tipo de ação em tesouraria;
  • Impedimento de realizar compras se não houver recursos disponíveis;
  • Prazo de 18 meses para completar a operação;
  • Necessidade de aprovação do conselho de administração ou assembleia geral, conforme o caso.

Consequências do buyback

Uma das consequências do buyback é diminuir o free float, ou seja, o volume de papéis ofertado no mercado.

A redução de ações ofertadas no mercado impacta tanto na valorização desse ativo, quanto na diminuição da liquidez.

Para a empresa

Empresas que recompram suas ações acreditam que o preço dos papéis no mercado está baixo em relação às suas perspectivas de longo prazo.

Portanto, optam pelo Buyback para promover uma valorização das ações, além de vislumbrar a possibilidade de auferir lucros com a posterior venda desses papéis.

O preço de uma ação na Bolsa de Valores é determinado, entre outros fatores, pela relação entre oferta e demanda.

Assim, se existe baixa demanda e alta oferta, o preço cai.

Por outro lado, se existe a demanda é maior do que a oferta, o preço sobe.

Ao fazer uma operação de buyback e retirar papéis do mercado, a empresa consegue alterar essa relação para promover uma valorização em curto prazo da ações.

O buyback é utilizado também para evitar uma mudança no controle do negócio.

Já que, se houver uma boa quantidade de ações com preços subavaliados, um investidor com recursos suficientes pode comprá-los e tornar-se acionista controlador.

Ou seja, aquele que tem porcentagem suficiente de ações para votar em assembleias e determinar o caminho do negócio.

Para o acionista

O impacto do buyback sobre quem já é acionista da empresa, na teoria é positivo. Porém, na prática, esses investidores também podem sair prejudicados.

Existem duas situações em que o investidor que não vendeu suas ações é favorecido pelo buyback.

A primeira é no caso do cancelamento das ações recompradas. Nesse caso, como a base acionária torna-se menor, o dividendo por ação passa a ser maior.

Isso porque, com o menor número de ações em circulação, a parcela do capital da empresa representada por cada ação é maior.

A segunda é no caso de a empresa optar por manter as ações em tesouraria.

Nesse caso, o ganho de capital é adicionado ao lucro e consequentemente, a empresa distribuirá mais dividendos.

A diferença é que, no segundo caso o ganho é pontual, valendo apenas para o exercício no qual foi contabilizado o ganho.

Por outro lado, a operação de recompra pode prejudicar a liquidez das ações, ou ainda, induzir a uma formação de preço ineficiente.

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Recompra de Ações x Crise

Em períodos de crise econômica e Bear Market, é comum aumentarem as operações de buyback.

Isso ocorreu na Crise de 2008 e, recentemente, o impacto do Coronavírus nas ações da bolsa de valores foram muito forte.

Uma das principais razões é a desvalorização dos papéis durante uma crise.

Para frear essa queda de preço as companhias recompram os papéis e reduzem o volume de ações no mercado.

A tendência é que, com esse método, os papéis se valorizem.

Outro motivo é a própria pressão dos acionistas que, ao verem seus investimentos derreterem, pressionam as empresas a realizar a recompra.

Com a queda de 37% do Ibovespa entre janeiro e março, triplicou o número de buyback.

Durante o primeiro trimestre deste ano 26 empresas listadas na bolsa de valores (B3) anunciaram as recompras de ações.

No mesmo período do ano passado, apenas nove programas foram anunciados.

Confira a seguir a lista com os programas de recompras listados na CVM em 2020:

EmpresaTickerQuantidade de ações ONQuantidade de ações PNInícioPrazo
Janeiro/2020
    
Notre Dame IntermédicaGNDI33.400.000 09/01/202008/07/2020
M. Dias BrancoMDIA38.472.61420/01/202021/07/2021
Cia Estadual de Geração e Transmissão Energia ElétricaEEEL468.876 75.28822/01/202023/01/2021
Porto SeguroPSSA35.000.00030/01/202031/12/2021
Fevereiro/2020
    
Cia HeringHGTX31.490.00005/02/202005/02/2021
Natura & Co HoldingNTCO31.114.46006/02/202007/08/2021
WEGWEGE3250.00018/02/202018/05/2021
IRB – Brasil RessegurosIRBR341.898.92019/02/202018/08/2021
Março/2020




AnimaANIM36.366.64606/03/202006/03/2021
TotvsTOTS33.000.00006/03/202009/09/2020
LinxLINX38.100.00009/03/202009/09/2021
Lojas RennerLREN38.000.00010/03/202010/09/2021
SinqiaSQIA35.896.34312/03/2020
12/03/2021 
Banco InterBIDI3, BIDI4, BIDI1113.375.53029.544.86412/03/2020
11/09/2021 
Log Commercial PropertiesLOGG34.000.00013/03/202012/09/2021
CosanCSAN310.000.00016/03/202015/09/2021
HeringHGTX3
835.456 
16/03/202016/03/2021
MRV EngenhariaMRVE315.000.00016/03/202015/09/2021
MarfrigMRFG35.910.14516/03/202016/09/2021
Banco BMGBMGB410.700.11218/03/202018/06/2020
TrisulTRIS35.000.00018/03/202018/03/2021
EZ Tec EmpreendimentosEZTC39.575.56419/03/202022/06/2020
CSU CardsystemCARD31.125.24723/03/202023/03/2021
JBSJBSS3156.835.44125/03/202025/09/2021
GrendeneGRND325.000.00025/03/202016/09/2021
BRFBRFS37.500.00026/03/202026/03/2021
ArezzoARZZ34.482.84730/03/202004/10/2021
PortoBelloPTBL33.959.15631/03/202031/03/2021
Abril/2020
    
Even ConstrutoraEVEN36.261.22401/04/202001/10/2020
RandonRAPT413.000.00009/04/202013/10/2020
LocamericaLCAM320.349.17520/04/202020/10/2021
GafisaGFSA310.327.55830/04/202004/05/2021
Maio/2020
    
São Carlos Empreends E ParticipaçõesSCAR31.000.00008/05/202010/05/2021
Unipar CarbocloroUNIP3, UNIP5, UNIP6771.634A 193.605B 4.578.06913/05/202013/11/2021
Sul AmericaSULA1113.977.55127.955.10213/05/202014/11/2021
Junho/2020
    

Instituto Hermes Pardini 
PARD34.000.00004/06/202003/12/2021
Positivo TecnologiaPOSI36.000.00009/06/202010/06/2021

O que Warren Buffett acha do buyback

O megainvestidor Warren Buffett e seu parceiro da Berkshire Hathaway, Charlie Munger são fãs da controversa ferramenta de buyback.

Segundo ele, as recompras de ações podem ser extremamente benéficas para os acionistas desde que feitas nas circunstâncias certas.

Buffett e Munger são a favor da recompra desde que duas premissas forem atendidas:

  • A companhia deve ter caixa suficiente para suprir sua necessidade de liquidez;
  • Suas ações estarem sendo negociadas com desconto no seu valor intrínseco.

A Berkshire Hathaway somente realiza programas de buyback se sua posição de caixa estiver acima de US$ 20 bilhões.

Para a definição do valor intrínseco, dado pelo múltiplo P/VPA, a companhia só efetua recompras se a cotação estiver abaixo do seu valor patrimonial por ação.

No primeiro trimestre de 2020, a Berkshire comprou de volta US $ 1,7 bilhão em ações próprias.

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Buyback Vale a Pena?

Ao realizar o buyback e retirar ações do mercado, automaticamente a empresa aumenta a participação de cada acionista e pode minimizar as quedas dos seus papéis no período.

Para quem já é acionista e acredita no potencial da empresa, um programa de recompra é benéfico.

Se os fundamentos forem realmente sólidos o valor dos dividendos pagos a cada acionista aumentará.

Já para quem não é acionista, o anúncio desse tipo de programa pode representar uma boa época para comprar.

No entanto, somente o início de um programa de buyback não é suficiente para saber se aquela é uma boa empresa para investir.

É fundamental que o investidor conheça os detalhes dos programas de recompra, calcule o valor justo do papel e analise os fundamentos da empresa.

Pois algumas empresas usam a recompra de ações apenas como um disfarce para valorizar suas ações e não o executam.

Por isso, a melhor maneira de investir em ações continua sendo realizar uma análise fundamentalista.

Essa ferramenta não só avalia o preço justo da ação, como também a saúde financeira da empresa e suas perspectivas para o longo prazo.

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