O que é realismo ingênuo?

Realismo ingênuo se refere a um viés cognitivo que cria a percepção na pessoa de que a sua própria visão do mundo é tida como uma realidade objetiva, naturalmente correta e inquestionável. 

Esse tipo de viés implica em vários padrões comportamentais como, por exemplo, a crença da existência de um falso consenso ao redor de sua própria interpretação dos fatos.

O realismo ingênuo é perigoso para os investimentos pois induz os investidores a superestimar suas próprias capacidades preditivas.

Por sua vez, essa percepção pode impulsionar os indivíduos a tomarem decisões desalinhadas com seus níveis de risco, como, por exemplo, se posicionar de maneira excessiva em um ativo de alto risco.

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Como funciona o realismo ingênuo?

Por definição, o Realismo Ingênuo se refere a nossa tendência a acreditar que vemos o mundo que nos cerca de maneira completamente racional.

Isso faz com que acreditemos que nossa interpretação representa perfeitamente a realidade como ela é, de maneira objetiva, independente e inquestionável.

Consequentemente, o realismo ingênuo nos induz a acreditar que todos aqueles que têm uma opinião contrária são irracionais ou acometidos por um viés cognitivo. 

Outra implicação do realismo ingênuo é fazer com que as pessoas negligenciam as lacunas que existem em suas próprias avaliações.

Muitas vezes, o viés provocado pelo realismo ingênuo cria barreiras para reconhecer os erros.

Com isso, o indivíduo reluta em mudar sua interpretação mesmo diante dos fatos que revelam a existência de uma realidade contrária ao esperado.

Realismo ingênuo nos investimentos

Para entender o problema que o realismo ingênuo causa na mente dos investidores, é preciso entender que o mercado financeiro e de capitais atende a uma lei geral.

Essa lei estabelece que o preço dos ativos é determinado pelas expectativas do conjunto dos investidores totais que atuam neste mercado.

O preço de um ativo hoje é resultado da média das expectativas dos investidores quanto ao futuro dos negócios de uma organização.

Neste caso, não importa o que um ou outro investidor ache sobre o cenário econômico, mas sim qual é a média das expectativas de todos os participantes do mercado.

Como o mercado financeiro impacta o mercado real, o futuro ainda não se concretizou, ou seja, ainda está em construção.

Sendo assim, no mercado financeiro a realidade futura é resultado das interações que estão sendo realizadas no presente, o que depende do que os outros estão esperando.

Muitas vezes, um investidor pode estar fazendo uma leitura muito bem fundamentada sobre o cenário dos negócios, mas isso não necessariamente se traduz em decisões acertadas no mercado financeiro.

Isso porque, não adianta só uma pessoa achar que está certa, é preciso que o mercado todo tenha o pensamento na mesma direção para que sua perspectiva se concretize. 

Como o preço é definido pela interpretação geral do mercado, podemos dizer que uma andorinha só não faz verão.

Resumindo, no mercado financeiro a realidade é afetada pelo pensamento geral dos investidores, não sendo, portanto, um fator independente das interpretações alheias.

Se todos estiverem com expectativas ruins, teremos uma maior restrição ao crédito, ao investimento e à atividade econômica, o que irá impactar o preço dos ativos.

Por outro lado, se as expectativas forem positivas, então teremos o contrário, no qual haverá maior financiamento para os negócios e aceleração econômica.

Como fugir do realismo ingênuo?

Para ter sucesso no mercado financeiro, o investidor deve pensar sobre o que os outros investidores irão pensar, e não apenas o que se acha que é a verdadeira realidade.

Sendo assim, a forma de evitar os impactos negativos do realismo ingênuo é, primeiramente, aceitar que ninguém é dono da verdade.

Em outras palavras, tenha humildade e saiba reconhecer que qualquer previsão é passível de erro. 

Com isso em mente, tenha em mãos uma estratégia alternativa para caso a decisão tomada não dê certo.

Muitos investidores profissionais costumam fazer estruturas de proteção (hedge), que servem para proteger a carteira caso o mercado vá para o lado oposto do que foi previsto.

Outra medida eficaz é sempre se ater ao seu perfil de risco

Por mais que sua avaliação indique para um caminho mais arrojado, essa jamais será a escolha ideal se o investidor tem um sentimento mais compatível com o conservador ou moderado.

Faça o teste do seu perfil de investidor para saber se o seu comportamento é condizente com seu nível de aversão ao risco.

Caso queira saber mais como funciona os vieses cognitivos e como eles atrapalham seus investimentos, temos um artigo completo sobre o assunto.