Por maior que sejam as incertezas, parece inevitável dizer que está acontecendo.

Um ciclo de commodities, crédito e consumo pode estar se repetindo no Brasil, tal qual foi no período entre 2003 e 2008.

Claro, 2003 a 2008 foi o grande ciclo de alta da bolsa de valores, mas os efeitos positivos na economia real se estenderam até 2013.

O Índice Bovespa na época estava cotado a 6 mil pontos e vinha de 5 anos seguidos de quedas. 

O cenário assustou os investidores em um primeiro momento. 

Lula chamou Henrique Meirelles para o Banco Central, Antônio Palocci para a Ministério da Fazenda e a equipe econômica manteve uma política econômica responsável, herdada do governo anterior, o que rapidamente trouxe alívio ao mercado financeiro

A China passou a dar sinais muito fortes de crescimento econômico, intensificando a construção civil no país, o que impulsionou o preço do minério de ferro, e aumentando muito o consumo de commodities, como alimentos que o próprio Brasil exporta. 

Veja, com uma população de mais de 1 bilhão de pessoas, qualquer melhora no padrão de consumo do povo chinês reflete positivamente na economia mundial.

Com tanta demanda vindo da China e poucos produtores, os preços das commodities começaram a subir e o Brasil, como um país agroexportador, se beneficiou muito. 

A massiva entrada de dólares no país fez com que o dólar caísse bastante, saindo de R$ 3,90 em 2003 para R$ 1,56 em 2008. 

Isso ajudou a manter a nossa moeda estável, com inflação controlada e juros baixos, ao mesmo tempo que a população passou a ter acesso a produtos importados a um preço melhor. 

Percebendo a população mais rica e sentindo esse aumento de consumo, as empresas brasileiras expandiram sua produção, aumentaram o número de postos de trabalho e empregaram mais pessoas. 

Com mais pessoas empregadas, mais renda para população, maior a demanda por consumo e maior a disposição dos bancos em conceder crédito, já que com uma população com mais renda reduz significativamente o risco de um calote. 

Enquanto isso, a China não parava de crescer ano após ano e uma coisa ia retroalimentando a outra. 

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Ciclo Virtuoso

O ciclo virtuoso estava feito.

Essa dinâmica foi muito importante para que o Brasil seguisse uma trajetória de crescimento econômico naqueles anos, que inclusive levou as agências de crédito internacional a derem selo de bom pagador ao país. 

Você também deve lembrar da emblemática capa da revista britânica The Economist, que mostrava o Cristo Redentor levantando voo. 

Toda essa euforia não surgiu por acaso. 

Ela teve o seu início em um ciclo de commodities puxado pela China e que desencadeou um ciclo doméstico de crédito e consumo.

Isso permitiu que a bolsa de valores se multiplicasse 21 vezes se medida em dólares. 

Hoje, temos algumas semelhanças com 2003, o que nos leva à segundaevidência.

Os preços das commodities agrícolas, como arroz, soja e milho, ainda estão estruturalmente baixos. 

O minério de ferro e o petróleo ainda estão muito longe dos níveis vistos na década passada. 

A terceira evidência é que o mercado financeiro ainda não está tomado por um otimismo exuberante. 

Mesmo com a bolsa tendo recuperado o tombo da pandemia, o mercado ainda está com um pé atrás quanto à recuperação econômica, o que mantém diversas ações da bolsa cotadas a um preço bastante atrativo hoje. 

Obviamente que se o mercado estivesse eufórico, os preços das ações já seriam muito mais altos e você não teria a oportunidade de comprar ativos com tanto potencial de valorização como tem hoje.

Mas vamos além. 

Hoje existem outras evidências que podem nos deixar ainda mais otimistas com o ciclo do mercado.

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A quarta evidência é que a taxa selic está rondando as mínimas históricas. 

O próprio Banco Central admite que mesmo que volte a subir as taxas, será apenas um pequeno ajuste e que os juros no Brasil devem permanecer estruturalmente baixos. 

Em resumo, o custo do dinheiro no Brasil nunca foi tão barato, o que além de estimular o crédito para as empresas realizarem novos projetos e para pessoas físicas poderem consumir mais, também obriga os investidores a mobilizarem uma fatia do patrimônio cada vez maior para a renda variável.

A quinta evidência é um complemento da quarta. 

Todo esse processo de migração de aplicações financeiras da renda fixa para o mercado de ações já está em pleno vapor e tende a se acelerar nos próximos anos.

Mesmo com muitas pessoas tendo entrado na bolsa recentemente, ainda somos um dos países de tamanho relevante com menos pessoas investindo em ações. 

Estamos ainda muito longe de alcançar o nível de outros países. 

Apenas 3% da população brasileira investe em ações diretamente ou em fundos de ações.

Se dobrássemos essa proporção, ficando ainda muito longe dos 15% da Alemanha, por exemplo, já teríamos a entrada de 6 milhões de pessoas na no mercado, o que fatalmente puxaria os preços das ações para cima.

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Dinheiro Estrangeiro

E para colocar a cereja no bolo, a sexta evidência é de que ainda temos represado um gigantesco fluxo de dinheiro estrangeiro que pode entrar no Brasil, em um contexto em que:

  • O mundo inteiro possui juros baixos;
  • As bolsas das economias avançadas estão marcando os níveis máximos históricos;
  • O Brasil surge como uma das poucas bolsas do mundo que ainda estão baratas. 

Já tendo antecipado isso, um fluxo forte de entrada do gringo já começou.

A questão é que quem estiver posicionado hoje em uma boa carteira de ações vai ver o patrimônio se multiplicar massivamente nos próximos anos

De novo, não sabemos até onde vai o Ibovespa

O fato é que essa é a hora de você se posicionar nas ações certas.

Eu não sei se o Ibovespa vai se multiplicar por 16, 21 30, ou 35 vezes como ocorreu nos ciclos de alta passados.

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Ciclo de Alta

O fato é que estamos em um ciclo de alta e a magnitude desses processos tende a ser parecida. 

Em 1991 ninguém poderia imaginar que em 6 anos a bolsa de valores se multiplicaria 35 vezes. 

Em 2003, quem dissesse que a bolsa iria se multiplicar por 21 vezes até 2008 seria chamado de louco.

Viemos de uma marca de 9 mil pontos em dólar em março de 2020. 

Se repetirmos o ciclo menos intenso, o que passamos por uma multiplicação de 14 vezes na década de 80, o Ibovespa atingiria uma marca de 144 mil pontos em dólar por meados de 2026, levando em conta que os ciclos de alta levam em torno de 6 anos e levando em conta que esse novo ciclo começou em março de 2020.

E veja, estamos falando de 144 mil pontos em dólares. 

Se até lá a cotação do dólar rondar a casa dos R$ 5, isso iria significar que o Ibovespa pode marcar a casa dos 720 mil pontos em reais. 

E sim, isso soa absurdo hoje e eu absolutamente não tenho como prometer absolutamente nada disso.  

Mas como diz Guilherme Aché, um dos maiores gestores de ações do Brasil, “quem não toma nada de risco, conta a história dos outros”.

A única conclusão que podemos tirar disso é que não dá para ficar de fora da bolsa de valores neste exato momento. 

Como não temos como garantir nada e não é possível prever o futuro, guarde bem o conselho que vou te dar agora:

Compre ações de boas empresas a um preço razoável com uma pequena parcela do seu patrimônio.

Faça aportes pequenos mensalmente nas ações que caírem.

E que tipo de empresas são essas?

São companhias sólidas que souberam blindar os seus resultados durante a pandemia e tem tudo para voar nesse novo ciclo que está em curso. 

É para isso que temos que olhar, para empresas com resultado, com lucro, com crescimento.

É simples, mas não é fácil.

Mas quem não fizer nada vai ver o vizinho se dando bem.