Onde investir com as sucessivas altas da Selic? O que o aumento na taxa básica de juros muda nos seus investimentos? 

Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou a taxa básica de juros, a Selic, de 3,5% ao ano para 4,25% a.a. 

É a terceira alta consecutiva desde o início do movimento, em março. Como a própria autoridade monetária já sinalizou, esse ciclo tende a continuar. 

O aumento gradativo e parcial nos juros chamou atenção de muitos investidores, já que a taxa vinha em queda nos últimos seis anos. 

Porém, quem roubou a cena dessa vez foi a  inflação (IPCA) que já ultrapassa o teto da meta estabelecida para este ano. 

O BC então mexe na Selic em resposta à escalada da inflação. 

Mas como esse novo cenário afeta os investimentos?

Como fica a renda fixa com o aumento da Selic? Vale a pena modificar a estratégia de investimentos? 

É isso que você vai ver no decorrer desse artigo. 

O que é a taxa Selic?

A Selic, ou taxa Selic, é a taxa básica de juros da economia. 

Um dos indicadores econômicos mais importantes, seus movimentos influenciam todas as taxas de juros praticadas no país, desde as que o banco cobra ao conceder um empréstimo, até as que o investidor recebe ao realizar uma aplicação financeira.

Criada em 1999 com o objetivo de regular os juros das operações de empréstimos entre instituições financeiras, a taxa Selic serve também de referência para o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), principal benchmark dos investimentos de renda fixa.

A taxa Selic é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), sendo um dos elementos centrais da estratégia da política monetária no país. 

Ao alterar a taxa Selic, o governo pode assegurar a estabilidade da economia e evitar descontroles de preço (inflação). 

Quando a economia está aquecida e os preços começam a subir, a Selic é elevada. Com juros mais altos, fica mais caro tomar crédito, isso desestimula o consumo e ajuda a controlar os preços.

Quando o governo quer movimentar a economia, ele reduz a taxa. 

Com juros mais baixos, as opções de empréstimo se tornam mais vantajosas, estimulando o consumo e aquecendo a economia.

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Como ficam os investimentos de renda fixa com a alta da Selic

Em geral, o aumento na taxa básica de juros (Selic) aponta para um retorno maior dos investimentos de renda fixa, que em sua maioria, seguem o CDI

No momento atual, esse aumento pode significar uma melhora no rendimento das aplicações associadas à taxa Selic e a títulos públicos, porém, ainda não é suficiente para que eles tenham rendimento acima da inflação. 

Mesmo com a taxa Selic de 4,25%, os juros reais (juros nominais subtraído da inflação) devem continuar próximos de zero, visto que a inflação (IPCA) em 2021 está estimada em 5,82%.

Embora a Selic um pouco mais alta possa favorecer suas reservas de emergência, esse não é o melhor momento para trocar sua estratégia de investimentos 

Análises de mercado, apontam que a discrepância entre inflação e Selic só seria contornada caso a taxa Selic ficasse acima dos 7%. 

Por isso, para preservar o poder de compra, o investidor precisa continuar tomando mais risco e diversificando seus investimentos na renda variável

Onde investir com a alta da Selic

A taxa Selic de 4,25% ainda perde da inflação oficial projetada, mas a tendência é que o ciclo de alta de juros eleve gradativamente o retorno das aplicações financeiras com remuneração atrelada à Selic e à taxa DI. 

Assim, os investimentos mais conservadores poderão voltar a ter rentabilidades atrativas. 

Mesmo que isso ainda não seja a realidade, uma parcela da sua carteira de investimentos deve continuar aplicada em investimentos mais conservadores, como a sua reserva de emergência. 

O ideal é diversificar o restante em investimentos com mais risco e para prazos diferentes a fim de obter retornos melhores.

Renda fixa

Com a alta da Selic a renda fixa começa a ganhar força, porém, com a inflação alta e a Selic ainda baixa em comparação ao que já foi, não espere grandes mudanças

Para alguns analistas, a melhor alternativa para investir na renda fixa está nos investimentos com títulos pós-fixados que sejam liquidados nos próximos dois ou três anos. 

A justificativa é que o momento atual ainda tem muitas variantes de incerteza, tanto pelas campanhas de vacinação, como pelas eleições presidenciais de 2022.

Na outra parte, os títulos do Tesouro Selic continuam sendo uma boa alternativa com alta liquidez para a reserva de emergência e também uma aposta de crescimento contínuo da taxa nos próximos anos.

Outras alternativas na renda fixa para compor a parte conservadora do seu portfólio são os fundos DI, CDB, LCI e LCA.

Outra boa alternativa, caso a inflação permaneça elevada, seria buscar papéis que estejam ligados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), já que eles garantem que o valor investido não sofra com perda no poder de compra.

São exemplos o Tesouro IPCA ou CDBs indexados à inflação e outros papéis privados.

Renda variável 

A Selic a 4,25% ainda é baixa e não se mostra suficiente aumentar a atratividade da renda fixa ou tirar a atratividade dos investimentos com maior risco, como o mercado de ações. 

Apesar da alta na taxa Selic, as ações conhecidas por distribuir bons e recorrentes dividendos ainda superam a taxa básica de juros.

Essa alta pode inclusive beneficiar empresas ligadas ao setor bancário e seguradoras, por exemplo. 

Papéis do varejo e construção civil também podem ser boas oportunidades. 

Independente do aumento, a busca por uma carteira de investimentos bem diversificada continua a melhor alternativa para obter retornos maiores. 

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