O que é shadow banking?

Shadow banking é um grupo de empresas que participam do processo de intermediação financeira mas que não são alvos da regulação do setor.

Isso porque são empresas que não participam do sistema bancário tradicional, funcionando como um sistema bancário paralelo.

Por isso se diz “shadow banking”, que em tradução livre significa “sistema bancário de sombra”, pois são empresas que ficam à sombra do sistema financeiro tradicional.

Esse sistema é também chamado de sistema bancário informal.

O shadow banking foi criado em meados do início do século XXI, ou seja, é um sistema recente que surgiu na esteira das inovações tecnológicas.

Inclusive, esse sistema bancário paralelo desempenhou um papel importante na expansão do crédito habitacional no período que antecedeu a crise financeira de 2008.

Embora tenham contribuído para a crise e passado a ser inspecionadas pelo governo, essas empresas continuam crescendo e driblando a supervisão do governo.

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Como funciona o shadow banking?

O shadow banking consiste em credores, corretores e outros intermediários de crédito que estão fora do grupo dos bancos regulados tradicionais.

Esse sistema paralelo escapou das regulamentações impostas pelo governo principalmente porque, ao contrário dos bancos e cooperativas de crédito tradicionais, as empresas do tipo shadow banking não aceitam depósitos tradicionais

O sistema bancário informal surgiu como inovador nos mercados financeiros, sendo formado por empresas capazes de financiar empréstimos, enquanto foge das restrições impostas pelas regulamentações.

Com isso, essas empresas conseguem se esquivar das regras relativas às reservas de capital e liquidez, exigidas dos credores tradicionais para ajudar a prevenir falências bancárias.

Como resultado, as empresas do setor conseguem se expor aos maiores riscos de mercado, crédito e liquidez em seus empréstimos sem a necessidade de adotar certos requisitos de capital proporcionais a esses riscos. 

Os principais tipos de empresas que formam o grupo shadow banking são:

Crescimento do shadow banking

O shadow banking surgiu da necessidade da desburocratização do sistema financeiro.

Muitos agentes criticam as restrições impostas pelas agências reguladoras dos países, o que impede a oferta de serviços e créditos ao público por parte das instituições bancárias.

Com os avanços tecnológicos e a facilidade de acesso às informações, uma infinidade de possibilidades surgiram.

Hoje em dia é mais fácil fazer a intermediação financeira com riscos menores devido ao grande número de informação que é possível ter sobre os clientes, o que poderia diminuir os requisitos de capital.

Não é atoa que o setor cresceu consideravelmente nos últimos anos.

Em 2017, o Conselho de Estabilidade Financeira com sede na Suíça divulgou um relatório detalhando a extensão do financiamento não bancário global. 

Entre as conclusões, o conselho descobriu que os ativos financeiros não bancários, ou seja, o shadow banking, aumentaram para US$92 trilhões em 2015. 

A maior parte da atividade gira em torno da criação de empréstimos garantidos e acordos de recompra usados para empréstimos de curto prazo entre instituições não bancárias e corretoras. 

Outro segmento de crescimento rápido tem sido o empréstimo ponto a ponto (P2P), com credores populares como LendingClub.com e Prosper.com. 

Os credores P2P iniciaram mais de US$1,7 bilhão em empréstimos em 2015.

Riscos do shadow banking

Embora o shadow banking possa aumentar a eficiência econômica do mercado e facilitar negócios, sua operação fora dos radares da regulamentação traz preocupações com o risco sistêmico.

Por isso mesmo, vários países têm começado a apertar o cerco contra a desregulamentação das empresas que participam do sistema de shadow banking.

O Federal Reserve (Fed) propôs que não-bancos, como corretoras, operem sob exigências de margem semelhantes às dos bancos. 

Na China começou a emitir diretrizes em 2017 visando diretamente práticas financeiras arriscadas, como empréstimos excessivos e especulação com ações.

Já no Brasil, conforme entrevista dada à Febraban pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto,  o perímetro regulatório é bastante abrangente e as entidades identificadas no "shadow banking" já se encontram sob regulação.

Essa regulação é feita por autoridades com jurisdição nacional, como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Entretanto, Campos Neto afirmou que o BC mantém alerta e monitorando todas as movimentações das empresas do sistema de shadow banking para implementar futuras regulamentações.