O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou que a maior empresa de gás Gazprom e o banco central do país se preparem para começar a receber rublos para pagamentos de gás natural, dizendo que devem apresentar seus planos até 31 de março.

A medida desta segunda-feira (28) é reflexo de seu anúncio na semana passada de que países "hostis" deveriam pagar pelas exportações de petróleo e gás em moeda russa.

A Rússia é responsável por cerca de 45% das importações de gás da UE, sendo as exportações de gasodutos para a Europa normalmente pagas em euros.

Analistas disseram que Putin está tentando fortalecer a moeda russa e tornar a vida mais complicada para os países ocidentais que sancionaram Moscou por sua guerra contra a Ucrânia.

Enquanto isso, ministros de energia do grupo dos sete países industrializados (G7) rejeitaram as exigências.

"Todos os ministros concordaram que exigir o pagamento em rublos constitui uma violação dos contratos vigentes. Um pagamento em rublos é inaceitável, e pedimos às empresas que recusem o pedido de Putin", disse o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, após uma reunião por videoconferência com os outros titulares da pasta.

Habeck disse ainda que a exigência de Putin pode ser vista como um sintoma de que as sanções impostas pelo Ocidente estão deixando o país em dificuldades. "É uma prova de que ele está contra a parede", afirmou o ministro.

A Alemanha foi um dos países que mais resistiu à inclusão do setor energético nas sanções contra a Rússia pela guerra na Ucrânia. 

Ao todo, 55% do gás consumido no país é importado da antiga república soviética. 

Habeck admitiu que é preciso buscar alternativas.

"Temos que romper a dependência do gás, do petróleo e do carbono russo. A Rússia já não é um fornecedor confiável e, além disso, está criando turbulências geopolíticas" disse o ministro alemão.

Mesmo com a atual dependência do gás russo, Habeck disse que a Alemanha está preparada para uma eventual interrupção no fornecimento. "Há planos para qualquer cenário, não só agora, mas também desde o fim do ano passado".