Se antes, em uma simples pesquisa pelas plataformas, era possível encontrar CDBs que ofereciam 130% ou 140% do CDI, agora com a Selic a 13,25%, essa tarefa virou quase um desafio.

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Exemplo disso é que, entre os dias 18 de julho e 1º de agosto, por exemplo, a rentabilidade máxima entregue por um CDB atrelado ao CDI chegou a 110% do CDI.

O valor é bastante inferior aos 118% do CDI registrados 15 dias antes, e não incluem desconto de Imposto de Renda (IR). O papel em questão tinha vencimento em 12 meses.

Os dados fazem parte de levantamento feito pela Quantum Finance, empresa de soluções para o mercado financeiro, a pedido do InfoMoney.

A diferença é ainda mais significativa quando comparado o retorno de agora com o do começo do ano.

Outro levantamento feito pela Quantum, no fim de janeiro deste ano, por exemplo, mostrou que era possível encontrar CDBs atrelados ao CDI que ofereciam ganhos máximos de até 127% do CDI.

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Os recuos foram vistos nos mais variados vencimentos. A rentabilidade máxima oferecida por papéis com prazo de até 3 meses, por exemplo, baixou de 104,75% do CDI para 104,50% do CDI na última quinzena.

Queda também entre os CDBs com vencimento em 24 meses, em que o maior retorno bruto passou de 118% do CDI para 106% do CDI nos últimos 15 dias.

Por outro lado, houve ligeiro aumento nos juros máximos oferecidos por CDBs com vencimento em seis meses e em 12 meses, que agora estão em 106% do CDI e 110% do CDI, respectivamente.

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Na quinzena anterior, o valor máximo oferecido por cada um chegava a 105,25% do CDI e 109,20% do CDI, nessa ordem.

CDBs atrelados à inflação

Enquanto alguns CDBs atrelados ao CDI registraram recuo nos retornos oferecidos na última quinzena, maior parte dos papéis atrelados à inflação apresentaram movimento oposto.

Revisões para cima nas projeções para a inflação do ano que vem ajudaram a puxar os aumentos nos retornos.

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Na última quinzena, a taxa real máxima oferecida por um CDB atrelado à inflação era de 9,00%, percentual que está acima dos 8,65% registrados 15 dias antes.

O papel em questão era emitido pelo mesmo emissor, o BTG Pactual (BPAC11), que possui classificação de risco de crédito (rating) nacional de longo prazo AA, segundo a Fitch Ratings. O título apresentava vencimento em 12 meses.

Segundo o Relatório Focus, divulgado nesta semana, a mediana das projeções agora aponta que a inflação deve chegar a 5,33% em 2023, contra os 5,30% previstos sete dias antes.

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Da mesma forma, o retorno real máximo oferecido para papéis com vencimento a partir de 36 meses aumentou de 6,28% para 8,30% na última quinzena.

Por outro lado, houve recuo nos juros reais entregues por CDBs com prazo de 24 meses, que caíram de 8,41% para 8,30% nos 15 dias anteriores.

CDBs prefixados

Houve aumento também na rentabilidade máxima oferecida por papéis prefixados.

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Com a subida da Selic para os atuais 13,25% e possibilidade de novo ajuste de 0,50 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (3), os emissores têm oferecido juros cada vez mais altos para atrair clientes.

O motivo: como a taxa de um papel prefixado é “travada” no momento em que o investidor adquire o título, é preciso garantir um retorno elevado para que o papel não fique com o juro defasado.

Nos últimos 15 dias, o retorno máximo oferecido por CDBs prefixados subiu para todos os prazos.

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No caso dos papéis com vencimento em três meses, a taxa avançou de 13,91% para 14,11%.

Já no caso de títulos com vencimento entre 12 e 24 meses, por exemplo, a rentabilidade máxima oferecida aumentou de 14,80% e de 13,95%, respectivamente, para 15,11%, em ambos os casos.

Olho no Copom

Embora a aposta de que o Banco Central deva elevar os juros em 0,50 ponto percentual na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (3) seja majoritária, não há consenso sobre os próximos passos.

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Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, a autoridade monetária pode deixar a porta aberta para novos reajustes no comunicado, mas a avaliação é que ela deve mesmo encerrar o ciclo de altas agora em agosto.

O executivo elenca alguns fatores para a parada, como o posicionamento de dirigentes do BC sobre interromper em breve a subida dos juros.

Além disso, afirma o economista, há uma expectativa de desaceleração global, o que deve forçar o preço das commodities para baixo e enfraquecer o dólar no mundo perante o real e outras moedas.

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Nesse contexto, diz, os bancos centrais deveriam elevar menos a taxa de juros dos países.

Padovani acrescenta ainda que a casa espera que haja uma deflação para o IPCA cheio em julho, o que pode ajudar a controlar as expectativas para a alta de preços no ano que vem e facilitar a convergência da inflação à meta.

“Isso reforça o discurso de encerramento de ciclo. É um pouco do que o mercado já precificou”, avalia.

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Mas a opinião sobre o fim do ciclo de alta está longe de ser um consenso. Na avaliação de Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, a Selic deve ser elevada para 13,75% na reunião de amanhã e mais uma vez, em setembro, para terminar o ano em 14,25%.

A economista defende que a prévia da inflação oficial (IPCA-15) abaixo do esperado, juntamente com a expectativa de deflação para o IPCA cheio, ajudam a diminuir a pressão sobre o Banco Central, mas não são fortes o suficiente para garantir o fim do ciclo de aperto neste momento.

“O horizonte relevante da política monetária é 2023, e, para o próximo ano, as expectativas para o IPCA estão acima do limite superior do Regime de Metas para a Inflação (RMI)”, diz Argenta.

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A especialista da CM Capital observa ainda que a piora iminente das contas públicas, com a aprovação de pacotes como a PEC dos Auxílios, faz com que a taxa de juros de equilíbrio fique mais alta.

Nesse contexto, embora o cenário global aponte para uma desaceleração das economias globais, o arrefecimento internacional “contrasta com problemas domésticos que dificultam uma postura mais branda do BCB neste momento”, na avaliação da executiva.

Além de olhar para a decisão do Copom, a economista lembra que a semana será recheada de dados de atividade das principais economias, como o relatório de emprego americano (payroll), que ajudarão a dar o tom ao comportamento da curva de juros brasileira.

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“Dados de atividade mais fracos tendem a gerar uma reação das autoridades monetárias (via taxa de juros) igualmente mais fraca e vice-versa”, pondera Argenta.

Fonte: InfoMoney.