Michael Burry, o Homem que Previu a Crise de 2008
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Michael Burry, o Homem que Previu a Crise de 2008

Burry teve sua história contada no best-seller de Michael Lewis, “The Big Short” que deu origem ao premiado filme “A Grande Aposta”.

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Atualizado em 02/03/2021

Michael Burry ficou conhecido como o gestor de fundo hedge que previu e lucrou com a crise imobiliária norte-americana, a crise do subprime de 2008.

Ele foi um dos primeiros investidores a alertar sobre o mercado imobiliário e obteve muito sucesso desde o início, mostrando uma habilidade incrível de prever o mercado.

Mas sua história nem sempre foi de sucesso absoluto.

Em determinado momento, o gestor do Scion Asset Management teve que bloquear os saques do fundo para impedir um êxodo em massa de investidores que não confiavam em sua estratégia.

A tensão emocional fez com que Burry encerrasse seu fundo de hedge imediatamente após a crise financeira, mas não antes de realizar seus lucros. 

No final das contas, a Scion Capital registrou retornos de 489,34% entre 1º de novembro de 2000 e junho de 2008.

A história improvável do socialmente desajeitado gestor foi narrada no famoso livro de Michael Lewis, The Big Short, que deu origem ao filme “A Grande Aposta”.

Conheça a trajetória do investidor Michael Burry e como ele reconheceu e lucrou com a bolha imobiliária de 2008.

Quem é Michael Burry

Michael Burry é investidor, médico, gestor de fundo hedge e fundador da Scion Capital.

Burry foi um dos primeiros investidores a reconhecer, investir e lucrar com a bolha das hipotecas, também chamada de crise do “subprime”, que marcou os Estados Unidos em 2008.

Vida e carreira

Michael J. Burry nasceu em 9 de junho de 1971 na cidade de San Jose, estado da Califórnia, Estados Unidos.

Estudou economia na UCLA, Universidade da Califórnia e posteriormente se formou em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Vanderbilt.

Depois da faculdade começou a residência em neurologia no hospital da Universidade de Stanford, o Stanford Hospital, e, em seguida, também foi residente de patologia na mesma instituição.

Michael Burry é a prova de que qualquer pessoa pode conciliar seu trabalho principal com os investimentos e ser bem sucedido.

Seu hobby era o mercado financeiro. Nas horas livres ele investia e mantinha um blog onde postava tendências do mercado de ações e sua opinião para fazer negócios. 

Mesmo não sendo efetivamente da área, Burry começou a desenvolver sua reputação como investidor em valor atraindo o interesse de outros gestores e bancos de investimento.

Em 2000 ele decidiu se desligar da medicina para criar sua própria empresa: a Scion Capital.

Os lucros vieram rápido. Em apenas um ano sua empresa gerou 55% de lucro aos investidores, no mesmo período, a S&P 500 caiu 11,88%.

Nos anos seguintes continuou batendo o mercado e gerando lucro. No final de 2004, já administrava mais de US$ 600 milhões em ativos.

Em 2005, já prevendo a bolha do mercado imobiliário dos Estados Unidos, começou a investir em crédito de risco. Ele estava certo. Quando a crise veio, Burry e seus investidores lucraram.

Michael Burry dirigiu a Scion Capital até 2008 quando decidiu fechar o fundo e se dedicar apenas aos seus investimentos pessoais.

Durante sua vida, Burry enfrentou alguns problemas de saúde.

Logo aos dois anos descobriram que ele tinha câncer e precisou remover um de seus olhos, implantando um olho de vidro.

Mais tarde, se auto diagnosticou com Síndrome de Asperger, após descobrir que seu filho sofre do mesmo problema.

Enquadrada dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a síndrome afeta a capacidade de se socializar e de se comunicar com eficiência com outras pessoas.

Durante seu trabalho como gestor de fundos, Burry não sabia do diagnóstico, mas se sentia desconfortável em conversar com os investidores, preferindo se comunicar por meio de cartas.

Alguns especialistas chegam a afirmar que essa enfermidade inclusive contribuiu para o sucesso de Burry no mundo dos investimentos, uma vez que ele se detinha em análises mais críticas.

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Estratégia de investimento de Michael Burry

Michael Burry é um seguidor do investimento em valor (value investing) tradicional, como ele mesmo já afirmou algumas vezes.

Seu estilo de investimento foi desenvolvido com base no livro de Benjamin Graham e David Dodd, Security Analysis, de 1934.

Burry chegou a declarar que toda sua seleção de ações é 100% baseada no conceito de margem de segurança.

Em um artigo do MSN Money disse que sua “arma de escolha” é a pesquisa:

“Minha arma preferida como selecionador de ações é a pesquisa; é fundamental para mim entender o valor de uma empresa antes de gastar um centavo. Eu realmente não tinha escolha neste assunto, pois quando me deparei com os escritos de Benjamin Graham, eu senti como se eu tivesse nascido para desempenhar o papel de investidor de valor. Toda a minha seleção de ações é 100% baseada no conceito de uma margem de segurança, conforme apresentado ao mundo no livro “Análise de Segurança”, do qual Graham é coautor com David Dodd. Agora eu tenho minha própria versão de suas técnicas, mas a verdade é que quero proteger meu lado negativo para evitar a perda permanente de capital. Catalisadores específicos e conhecidos não são necessários. Um valor absoluto e ultrajante é o suficiente.”

Burry explicou como determina essa margem:

“Como faço para determinar o desconto? Geralmente foco no fluxo de caixa livre e no valor da empresa (capitalização de mercado menos dinheiro mais dívida). Analisarei um grande número de empresas observando a relação entre o valor da empresa e o EBITDA, embora o índice seja disposta a aceitar tende a variar com a indústria e sua posição no ciclo econômico. Se uma ação passar por essa tela solta, procurarei mais determinar um preço e valor mais específicos para a empresa.”

Michael Burry também é um opositor por natureza e está disposto a olhar para as empresas de forma diferente das outras pessoas. 

Por esse motivo, ele logo soube que a internet havia supervalorizado empresas com pouca ou nenhuma receita ou lucratividade. 

Ele começou a vender essas ações de tecnologia sobrevalorizadas no pico da bolha da Internet e lucrou 55% com seu fundo de hedge em seu primeiro ano, quando o S&P 500 caiu 11,88%.

No ano seguinte, o S&P 500 caiu novamente, em 22,1%, e ainda assim o Scion obteve retorno de 16%. 

Em 2003, o mercado de ações finalmente subiu 28,69%, mas Mike Burry superou-o novamente com retornos de 50%

Mas a grande aposta de Burry começou a ser executada em 2005 ao analisar o mercado de crédito imobiliário nos Estados Unidos.

Percebendo que o volume de crédito disponibilizado pelo setor financeiro estava aumentando de forma indiscriminada, Burry começou a se concentrar no mercado de subprime.

Ele previu corretamente que a bolha imobiliária entraria em colapso culminando na crise de 2008.

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Bolha imobiliária nos Estados Unidos

O período que antecedeu a crise de 2008, mais conhecida como bolha imobiliária foi um período de crescimento econômico nos Estados Unidos e grande otimismo dos agentes econômicos.

O governo estadunidense fez com que os bancos liberassem cada vez mais créditos imobiliários e com critérios menos rígidos, sem a certeza de que o povo poderia arcar com a dívida posteriormente.

Com a maior facilidade de crédito e aumento da procura por imóveis, ocorreu uma valorização indiscriminada no preço dos imóveis.

Surgia a bolha imobiliária que Michael Burry já previa desde 2005.

Logo quando começou a analisar o mercado de financiamento subprime e os balanços dos bancos, Burry percebeu grandes irregularidades e insustentabilidade neste mercado.

Por essa razão, aproveitou para direcionar seus investimentos e toda a operação do seu fundo de hedge em cima disso.

Burry convenceu grandes instituições como o Goldman Sachs e o Deutsche Bank a vender para ele títulos de CDS (Credit Default Swap), uma espécie de contrato que remunera o portador quando ocorre o default.

Ou seja, caso os financiamentos imobiliários não fossem honrados, os bancos deveriam pagar à Scion Capital esses valores.

Como os bancos não imaginavam um aumento expressivo de inadimplência, venderam esses títulos para Burry, taxando-o de “louco”, acreditando que fosse uma barganha para os bancos.

Ninguém acreditou na estratégia de Michael Burry e, nervosos, os investidores começaram a exigir seu dinheiro de volta.

Era tarde demais, pois Burry já havia entrado em várias apostas contra o mercado de hipotecas.

Para evitar perdas, então fechou o fundo recusando os pedidos de retirada dos investidores.

Em 2007 a análise de Burry provou estar correta quando o índice de inadimplência começou a aumentar. Com isso, os grandes bancos correram para recomprar os títulos de Burry.

Com a operação ele obteve um lucro pessoal de US$ 100 milhões e mais de US$ 700 milhões para os investidores.

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Livros com Michael Burry

A história de Michael Burry na crise do subprime virou tema do livro “A Jogada do Século” do jornalista Michael Lewis, em 2010.

O best-seller serviu de base para o roteiro do filme A Grande Aposta, do diretor Adam McKay, com o ator Christian Bale no papel de Burry.

A jogada do século

No original em inglês, The Big Short: Inside the Doomsday Machine, o livro de Michael Lewis inspirou o filme A Grande Aposta e conta os bastidores do colapso financeiro de 2008 e os principais personagens de Wall Street envolvidos na crise.

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