O que é front running?

Front running é uma prática de obtenção de informações antecipadas para operar no mercado financeiro.

O front running é ilegal pois as empresas que têm ações negociadas em bolsa de valores deve ser transparentes, de modo que suas informações devem estar igualmente disponíveis para todos.

Neste caso, quem realiza o front running consegue ter acesso à informação antes do mercado como um todo, podendo tirar vantagem de movimentos futuros que ocorrerão quando essas informações vierem à tona. 

O front running também pode ser utilizado por corretores de valores que têm acesso antecipado às ordens de grandes investidores.

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Como funciona o front running?

Vamos entender melhor o front running com um exemplo

Suponhamos que um corretor de valores receba uma ordem de um cliente importante para comprar 1 milhão de ações de uma determinada empresa. 

Uma compra tão grande tende a elevar o preço das ações imediatamente, pelo menos no curto prazo. 

Sabendo disso, o corretor pode rapidamente fazer uso dessa informação e comprar ações por conta própria, antes de realizar a ordem do seu cliente.

Além disso, o corretor pode passar a informação dessa compra para amigos ou outras pessoas, em troca de uma recompensa informal.

Feito isso, o pedido do cliente é encaminhado.

Com a pressão da compra no mercado, os preços se elevam, o que gera um ganho patrimonial para o corretor, que, por sua vez, vende as ações e embolsa o lucro. 

Essa forma de front-running é ilegal e antiética, pois o corretor obteve lucro com base em informações que não eram de conhecimento público. 

Outro agravante dessa prática é que o atraso na execução pode até ter custado dinheiro ao cliente.

Front running e recomendações de analistas

Outras formas bastante comuns de executar a prática de front running é através das recomendações dos analistas de investimentos.

A primeira estratégia de front running neste caso é agir sob recomendação de um analista que ainda não foi publicada.

Os analistas trabalham em uma divisão separada da corretora e se concentram na avaliação do potencial de empresas individuais para aconselhar os clientes da empresa. 

Eles constantemente emitem recomendações de "compra", "venda" ou "neutro" para ações específicas. 

Primeiro os analistas vão diretamente para os clientes e, em seguida, divulgam seus relatórios na mídia financeira para serem amplamente divulgados.

Neste caso, o front running é executado quando um corretor age de acordo com essa recomendação para ganho pessoal antes que a informação chegue aos clientes da casa de análise.

Outra forma de executar a prática de front running por meio do trabalho de analistas é quando o próprio conteúdo da análise é enviesada por posições que um outro agente já possui.

Por exemplo, suponhamos que uma corretora esteja com uma grande posição vendida em uma ação.

Assim, a casa de análise aliada à corretora pode emitir uma análise recomendando a venda do ativo. 

Essa recomendação pode estar associada a questões técnicas da análise, ou apenas alinhada aos interesses de ganhos da corretora. Se este último for o caso, então há um crime de prática de front running.

Isso porque a análise está sendo feita com base na tentativa de induzir o mercado a um comportamento desejado por uma corretora ou outro agente que tenha uma posição previamente definida no ativo.

Recente caso de front running no Brasil

Recentemente, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) está de olho em uma operação que aconteceu com os papéis da  Petrobras que pode ser configurada como prática de front running.

No dia 18, 4 milhões de opções de venda de ações da companhia foram compradas em duas transações intermediadas por uma corretora.

Essa operação ocorreu minutos depois de uma reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e um grupo de ministros para falar sobre o controle dos preços dos combustíveis.

A reunião também tratou da nomeação de um sucessor para o presidente-executivo da estatal, Roberto Castello Branco.

Entre o fechamento da sessão da bolsa do dia 18 de fevereiro e do dia 22, quando o governo já havia oficializado a indicação do sucessor, o general Joaquim Silva e Luna, a ação preferencial da companhia desabou 26,7%.

Deve-se deixar claro que apostar na queda de uma ação não é crime, muito menos pouco comum. Porém, o que deixa dúvidas neste caso é o timing da operação, que gerou suspeitas na CVM.