Pelo sétimo trimestre consecutivo, o custo alto dos insumos para construção é apontado como o principal problema por empresários do setor, segundo a Sondagem da Indústria da Construção, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada em entrevista coletiva da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A questão foi apontada por 46,7% dos consultados.

Desde janeiro de 2020, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 26,31% — a seção específica sobre materiais e equipamentos teve alta de 51,21%.

O segundo fator de preocupação mais citado é a taxa de juros alta (26,7%). Há um ano, isso preocupava apenas 11,6% dos empresários.

Para José Carlos Martins, presidente da CBIC, os juros preocupam porque afetam as compras de imóveis pela classe média e alta, já que os imóveis econômicos recebem financiamento com recursos do FGTS e não seguem o mesmo padrão de taxas do financiamento imobiliário.

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“As famílias estão perdendo capacidade de compra de imóvel, primeiro pelo aumento do custo e depois pelos juros”, afirma.

Outro destaque do levantamento no primeiro trimestre foi o crescimento da percepção de falta ou alto custo do trabalhador qualificado, citado por 18,2% dos consultados, maior participação desde 2015.

O setor registrou saldo positivo de 39.453 vagas de trabalho em fevereiro, maior resultado em 11 meses, puxado pela construção de edifícios.

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No primeiro bimestre do ano, o segmento teve aumento de 2,46% na geração de novas vagas, enquanto a área de infraestrutura registrou queda de 40%.

Geramos emprego hoje porque vendemos muito bem em 2020 e no começo de 2021”, afirma Martins, que pondera se essa situação vai se manter.

“Hoje, como as vendas estão fracas no mercado imobiliário, se medidas não forem tomadas, teremos problemas na frente, principalmente no segundo semestre”.

A CBIC revisou de 2% para 2,5% a previsão de crescimento do PIB da construção para 2022.

Em 2021, o PIB do setor cresceu 9,7%, mas sua participação no PIB nacional vem caindo.

De 6,5% em 2012, ficou em 2,6% no ano passado.

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Se continuar crescendo no ritmo atual, o segmento de construção civil só vai igualar seu auge de atividade econômica no Brasil, registrado em 2014, daqui a 11 anos, mostram dados da CBIC.

Apesar disso, a confiança dos empresários do setor para os próximos seis meses está em patamar positivo, ao contrário da percepção sobre as condições atuais do setor.

“Quando entramos na pandemia, parecia que o mundo tinha acabado e saímos muito bem desse período, então acho que isso mantém acesa uma luz de esperança para os empresários.

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Se demos a volta [na pandemia], por que não podemos dar em um momento como o atual, com problemas mais localizados?”, analisa o presidente da CBIC.

Além dos juros, inflação dos materiais e falta de mão de obra qualificada, a entidade aponta como pontos de atenção para o ano a redução do dinamismo da atividade econômica, o conflito na Ucrânia, as incertezas do período eleitoral brasileiro e o aperto monetário nos Estados Unidos.

Fonte: Valor Econômico.