O que é Curva de Phillips?

Curva de Phillips é uma teoria econômica desenvolvida pelo economista neozelandês William Phillips.

A teoria da Curva de Phillips afirma que há uma relação estável e inversa entre inflação e o nível de desemprego. 

Neste caso, temos que o crescimento econômico eleva o nível de emprego da economia e, logicamente, diminui o desemprego. 

Ao fazer isso, temos um efeito que leva ao aumento da inflação, devido ao aumento da demanda frente a oferta da economia.

No entanto, o conceito original é alvo de fortes críticas, sendo refutado empiricamente devido à ocorrência de estagflação na década de 1970.

Ou seja, quando havia níveis elevados de inflação, recessão econômica e desemprego.

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Como funciona a Curva de Phillips?

O conceito por trás da curva de Phillips afirma que a mudança no desemprego de uma economia tem um efeito contrário sobre a inflação.

A relação inversa entre desemprego e inflação é descrita conforme a figura abaixo. 

Gráfico de Curva de Phillips

Aqui temos que um aumento da inflação diminui o desemprego e vice-versa. Essa relação é chamada de trade-off, que é quando o aumento de um fator diminui o outro.

Assim sendo, a relação de trade-off estabelecida pela Curva de Phillips se dá a partir dos seguintes passos:

  1. O estímulo do governo faz com que a demanda de trabalho aumente, o que diminui a quantidade de trabalhadores desempregados;
  2. A queda no desemprego diminui a oferta de mão de obra disponível para contratação;
  3. Para atrair trabalhadores, as empresas precisam aumentar os salários para competir;
  4. Isso eleva o custo de produção;
  5. Esse custo é repassado para os produtos que serão consumidos pela sociedade, o que gera inflação. 

A teoria da curva de Phillips gera uma implicação importante quanto à política econômica. 

Significa, basicamente, que o custo para se diminuir o nível de desemprego de uma economia será a inflação, que deverá ser paga por toda a sociedade.

Curva de Phillips e política econômica

A Curva de Phillips nos dá algumas implicações no que se refere à orientação de como a política econômica (fiscal e monetária) deve ser realizada.

Neste caso, a forte credibilidade que a teoria da Curva de Phillips teve ao longo do tempo, e também dos autores que a defendiam, teve efeitos significativos para a política econômica na prática.

A tendência foi que os governos enxergassem a necessidade de controlar essa interação entre desemprego e inflação.

Dessa forma, as políticas fiscal e monetária dos países capitalistas eram realizadas para manter essas duas variáveis em equilíbrio.

O desemprego, como sempre, é indesejado, mas quando este cai demais tende a criar efeitos nocivos ao pressionar a inflação.

Por outro lado, a inflação baixa também é algo desejável, entretanto, quando mantida baixa por muito tempo pode gerar impactos negativos no desemprego.

Sendo assim, os países passaram a instituir regimes de política econômica que administravam o equilíbrio entre estes fatores.

No Brasil temos o Regime de Metas de Inflação (RMI), que foi implementado em 1999.

Neste regime, temos que a política monetária, conduzida pelo Banco Central (BC), é orientada para perseguir uma determinada inflação, que é estabelecida por uma meta.

Essa meta é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Sua determinação é feita com base no nível de inflação que garanta um nível de emprego considerado desejável pela sociedade.

Caso a inflação caia muito abaixo dessa meta, então o BC deverá abaixar os juros e aquecer a economia e elevar o nível de emprego.

Entretanto, se a inflação estiver muito acima da meta estabelecida, então o BC deverá elevar os juros e desacelerar a atividade econômica, aumentando o desemprego e diminuindo a demanda.

Embora haja muitas críticas sobre a teoria da Curva de Phillips, e suas implicações em termos de política econômica, essa ainda é uma teoria muito importante e relevante nas ciências econômicas.