Vale a Pena Financiar um Veículo?
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Vale a Pena Financiar um Veículo?

Ao invés de pagar juros, não seria melhor recebê-los ao investir dinheiro e realizar a compra à vista?

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Atualizado em 23/10/2020

Financiar um veículo é o caminho que muitos brasileiros acham para realizar o sonho de ter um carro. Porém, assumir uma dívida longa como essa é algo que exige muita reflexão e planejamento.

É necessária muita cautela ao assumir um empréstimo, financiamento ou até mesmo fazer algum tipo de investimento para não comprometer seu orçamento ou utilizar um dinheiro que pode precisar mais tarde.

Antecipar sonhos pode fazer com que eles se tornem verdadeiros pesadelos.

Não é raro casos de pessoas que se veem obrigadas a vender o carro para pagar as dívidas ou até mesmo perdê-lo para o banco por atraso nas prestações.

Se você quer comprar ou trocar de carro, mas não tem dinheiro suficiente para pagar à vista, financiar um veículo é mesmo a melhor opção?

É preciso avaliar todos os prós e contras e ter total controle e conhecimento do seu orçamento para que não se arrependa da sua decisão.

Afinal, se optar por financiar estará assumindo algo para 48 a 60 meses, em média.

Segundo a B3, as vendas financiadas de veículos em janeiro de 2020 somaram 534 mil unidades. Um aumento de 9% em relação ao mesmo período de 2019.

Esse é o maior volume de financiamentos para o mês desde 2014, quando foram vendidos a crédito 557 mil veículos.

Mas, por que perder dinheiro pagando juros se é possível ganhar com os juros ao longo do tempo e, aí assim, comprar seus bens?

Entenda como o financiamento de veículos impacta no seu planejamento financeiro e descubra qual a melhor opção para comprar um carro.

Financiado, consórcio, à vista ou usar apenas transporte particular?

Comprar um carro ou não?

A compra de um carro, quando não se tem o valor integral para comprar à vista sem que comprometa seu orçamento deve ser feita da forma mais racional possível.

Você sabe o que levar em consideração na hora de avaliar a compra de um carro?

Responda essas perguntas antes de decidir comprar um carro:

1- Eu preciso desse carro?

A primeira pergunta que você deve se fazer é se precisa realmente do carro? Separe desejo de necessidade.

Você pode querer ou precisar de um carro por vários motivos. Seja para ir trabalhar, levar os filhos na escola ou outras atividades que não tem fácil acesso ao transporte público.

Ou ainda simplesmente porque você quer ter a facilidade que um carro traz.

2- Eu preciso desse carro agora?

Você pensou e decidiu que quer mesmo comprar um carro, mas essa é uma necessidade imediata?

Poderia aguardar mais um pouco e substituí-lo pelo transporte público ou aplicativos de transporte?

3- Tenho dinheiro para pagar à vista?

A compra à vista é a melhor opção, assim evita entrar em uma dívida ruim e ainda pode conseguir desconto.

4- Se pagar à vista, vou ficar sem dinheiro?

De onde virá o dinheiro para comprar o carro?

Essa compra não pode comprometer a sua reserva de emergência. Ela é para ser usada apenas para imprevistos.

Se, após a compra, você ficar sem dinheiro algum é melhor avaliar outras possibilidades, como poupar mais e investir melhor para comprar o carro depois.

Ou ainda considerar financiar um veículo.

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Como comprar um veículo: financiamento, consórcio ou à vista

Partindo do pressuposto que você está decidido a comprar um carro, existem 3 maneiras de fazer isso: financiamento, consórcio ou à vista.

À vista

Comprar à vista é sempre a melhor opção. Assim, você não paga juros e até pode conseguir comprar mais barato.

Esse é o prêmio para quem começou a poupar desde cedo e fez as melhores escolhas de investimentos.

Infelizmente esta ainda não é a realidade da maioria dos brasileiros.

Conforme o terceiro raio-x do investidor brasileiro realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) 62% da população não economizou no ano passado.

Porém, só compre à vista se tiver dinheiro disponível e isso não comprometa seu orçamento.

Caso esteja decidido a comprar um carro, considere um modelo mais barato ou um semi-novo.

Uma dica valiosa é andar de Uber, 99 ou transporte público até juntar dinheiro para comprar à vista.

Financiamento

Se você não conseguiu poupar todo o valor do carro, pode recorrer a um financiamento.

Ou seja, um empréstimo junto à instituição financeira com a vinculação do bem como garantia.

A modalidade de financiamento mais utilizada é o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Nela, o dinheiro vai direto para a compra do carro. 

Durante o período da dívida este não poderá ser negociado e em caso de inadimplência, o banco pode tomá-lo.

As instituições financeiras fazem os financiamentos cobram juros por adiantar esse dinheiro.

Geralmente os juros tendem a ser menores do que modalidades de empréstimos sem uma destinação específica.

Mesmo assim, as taxas podem ser altas e variam conforme a instituição e o score do cliente de 0,10% a absurdos 8% ao mês.

Além disso, tem a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Para calcular a taxa final, é preciso também considerar o valor da entrada, o preço do carro e o tempo de financiamento. 

O lado positivo dessa modalidade é que a aquisição do bem é imediata após a assinatura do contrato. 

Leasing

Leasing é uma espécie de aluguel de veículo, na qual o carro permanece em nome da instituição e você só passará a ter o automóvel no seu nome após quitar a última parcela.

Ao contrário do CDC, o Leasing não tem IOF, mas sim ISS (Imposto sobre Prestação de Serviços), já que é um serviço de locação.

Nessa modalidade não é possível antecipar as parcelas para reduzir os juros nem vender o carro.

Consórcio

O consórcio funciona como uma compra em grupo onde cada participante contribui com um valor mensal formando uma poupança comum a todos.

No consórcio, o acesso ao valor não é imediato.

De tempos em tempos, alguns integrantes são sorteados para receber o valor. Se preferir, pode dar um lance antecipando as parcelas para conseguir a carta de crédito.

Até o fim do período estipulado em contrato, todos têm acesso à sua e podem adquirir o bem desejado.

No consórcio não há juros, porém você paga uma taxa de administração para a instituição fazer toda essa gestão.

Como os Milionários Investem? Conheça os 10 Passos para ser um Investidor de Sucesso”.

Consórcio X Financiamento

Agora que você já sabe as características principais das modalidades de consórcio e financiamento, veja as vantagens e desvantagens de cada um.

Ao financiar um veículo, a grande “vantagem” é a disponibilização do valor de imediato e, consequentemente, do bem.

Porém, como o acesso ao dinheiro é mais rápido, você tem a desvantagem de pagar mais caro por isso.

Não é raro pagar ao fim das parcelas valor referente a 2 ou 3 vezes o do bem adquirido.

Já o consórcio é mais barato. Ao final do contrato o valor não chega a dar duas vezes o valor do bem, como ocorre no financiamento.

A desvantagem é que você depende do sorteio para ter acesso à carta de crédito. Isso pode ocorrer logo no primeiro mês ou no último.

Para aumentar as chances é preciso dispor de algum valor para dar um lance.

Em ambos os casos você pagará mais do que o bem adquirido vale de fato. Este é o alto custo de não poupar e de usufruir de um dinheiro que ainda não tem.

Financiar ou investir?

Se você não tem todo dinheiro para comprar à vista, o que é melhor: financiar um veículo ou investir esse dinheiro para comprá-lo no futuro?

Para ter essa resposta, vamos simular alguns cenários.

Vamos supor que você deseja comprar um carro que custa R$ 60 mil.

Pagará uma entrada no valor de R$ 12 mil e pretende financiar os R$ 48 mil restantes ao longo de 60 meses (5 anos).

Vamos considerar, no nosso exemplo, que o chamado C.E.T. (Custo Efetivo Total), que já considera todos os custos extras seja de 1,5%.

Utilizando a calculadora do Banco Central para financiamento com prestações fixas temos que o total desse financiamento é de 60 parcelas de R$ 1.218,89.

Custo total de R$ 73.133,40.

Sendo R$ 25.133,40 de juros!

Ao final do financiamento, você terá gasto um valor total R$ 85.133,40 para comprar o carro.

Como se não bastasse isso, o automóvel ainda se desvaloriza. No final das contas, você termina pagando quase o dobro do valor do carro após 3 anos.

Agora, se ao invés de financiar, você pegasse os R$ 12 mil da entrada e as 60 parcelas mensais e investisse em um produto com uma remuneração mensal de 0,5% ao mês?

No final do mesmo período de 5 anos você vai ter acumulado R$ 101.653, graças aos juros compostos.

R$ 41.653 a mais que o valor do carro (60 mil reais).

Fica claro que investir agora para usufruir depois é muito mais vantajoso.

O lado ruim, por assim dizer, é que teria que esperar os cinco anos para comprar o carro.

Entretanto, a ideia é justamente mostrar que com um bom planejamento financeiro, paciência e disciplina é possível levar uma boa vantagem.

Por isso, evite antecipar seus sonhos.

Se trocar o consumo imediatista poderá usufruir de algo muito maior lá na frente.

Isso vale para a compra de um carro, para uma viagem ou para a sua independência financeira.

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Não confunda carro com investimento

Muita gente compra um carro pensando estar adquirindo um ativo. Quando na verdade ele é um passivo.

Existem muitos custos atrelados ao carro que vão além da parcela do financiamento.

São gastos com IPVA, seguro, combustível e manutenção, além da perda de valor que gira em torno de 20% apenas no primeiro ano, chegando à metade do valor em cinco anos.

É preciso levar em conta também o chamado “custo de oportunidade”, já que o dinheiro a ser gasto na aquisição poderia ser investido para render.

Então não vale a pena comprar um carro?

Depende.

Caso você use bastante o carro, percorra longas distâncias, forneça carona, use o carro como um instrumento de trabalho, pode valer a pena comprar um carro.

Nesse caso, deve-se estudar com cuidado as opções de compra que falamos anteriormente, seja à vista, financiado ou consórcio.

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Financiamento de carro vale a pena?

Se levarmos em conta apenas o lado financeiro, financiar um veículo não vale a pena, tirando algumas raras exceções onde o veículo é realmente necessário.

A melhor maneira de adquirir um carro é pagando à vista.

O ideal é que você faça um planejamento financeiro, comece a poupar e invista para que dentro de algum tempo consiga comprar sem precisar de consórcio ou financiamento.

Portanto, se puder esperar,espere.

Financiar um veículo só é uma opção se você realmente precisar dele imediatamente. Caso contrário, só irá gastar mais.

Seja para comprar um carro ou realizar outros sonhos, comece a investir em ações. Esse é o melhor caminho para alcançar a liberdade financeira e viver de renda.

Dicas sobre Liberdade Financeira


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