O que é Plano Cruzado

Plano Cruzado é o nome do Plano implantado em 1986, no Governo Sarney, com o objetivo de frear a inflação. A inflação e a questão da dívida externa foram pontos de tensão que permearam toda a década de 1980 não só no Brasil, mas na América Latina também.

O Plano Cruzado foi um dos diversos planos das décadas de 1980 e 1990 que tinham como objetivo conter a inflação e seus efeitos. O Plano Cruzado possui partes I e II, que ocorreram de forma consecutiva, sob a presidência de Sarney, sendo às vezes chamado de Plano Sarney.

O grande feito do Plano Cruzado foi a medida monetária de substituição do Cruzeiro pelo Cruzado como forma de quebrar a inflação inercial carregada pela moeda do país. Após seu fracasso, ainda em 1987, outro Plano é implantado com os mesmos objetivos, o Plano Bresser.

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Contexto do período e os responsáveis pelo Plano 

Entre os anos anteriores à implantação do Plano Cruzado, 1983-1985, a economia registrava a inflação variando em níveis de, no mínimo, 200%. Esse indicador econômico implicava que, no cotidiano, era possível que os preços mudassem de um dia para o outro, ou até no mesmo dia.

Nesse sentido, as medidas do Plano eram focadas para que seus efeitos fossem alcançados no curto prazo, aliviando os efeitos da inflação para toda a população rapidamente.

O nome formal do Plano Cruzado mostrava seus objetivos para o Brasil: o Plano de Estabilização Econômica. Sob direção do Ministro da Fazenda Dilson Funaro, e os economistas responsáveis João Sayad, Edmar Bacha, André Lara Resende e Pérsio Arida.

O entendimento da inflação como inercial e as medidas necessárias para que uma estabilização de fato ocorresse foram discutidas pelos economistas citados anteriormente, que tiveram grande relevância na formulação das medidas do Plano voltadas para o combate à inflação.

Medidas do Plano Cruzado 

O Plano Cruzado é anunciado após um feriado bancário, e é implantado no fim de fevereiro de 1986. Entre as medidas que o Plano Cruzado pretendia realizar, estavam:

  • Substituição da moeda Cruzeiro pelo Cruzado;
  • Congelamento de preços;
  • Criação da tabela da Superintendência Nacional do Abastecimento (Sunab);
  • Correção salarial e adiantamento de 33% do salário mínimo;
  • Adoção do câmbio fixo;
  • Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND).

A reforma monetária do Plano obedeceu à proporção 1000 Cruzeiros para um Cruzado, ou seja, a sensação era de que a moeda nova valia mais que a antiga. Como forma de desaquecer o consumo (e estimular a Poupança), o Plano também aplicou uma taxa de juros elevada.

Além disso, o Plano promoveu um congelamento de preços do varejo, criando também a tabela da Sunab, que estabelecia os preços de diversos itens (entre eles serviços). Os estabelecimentos comerciais deveriam respeitar a tabela, havendo penalidades para os que não respeitassem.

Na questão salarial, os salários foram congelados também e seriam posteriormente ajustados no momento em que a inflação reduzisse para o nível de 20%. Houve também o adiantamento de parte do salário.

O câmbio foi congelado na proporção 13,80 Cruzados para cada dólar. Por fim, também houve a criação do FND, um Fundo de Investimento destinado ao financiamento de projetos de habitação popular, saneamento básico e infraestrutura urbana no geral.

Resultados alcançados pelo Plano Cruzado

Os resultados imediatos do Plano foram de queda brusca da inflação, chegando até a registrar momentos de deflação

A elevação das taxas de juros não surtiu efeito em diminuir o consumo. O congelamento de preços cortou parte da rentabilidade da produção, que por fim cessou. O que surgiu foi o desequilíbrio entre oferta e demanda. 

Com a demanda sendo maior que a oferta, o resultado foi de desabastecimento de bens e perda de grande parcela das reservas internacionais. 

O Plano Cruzado II tentou realizar mudanças, mas também fracassou.