Charles Dow: Criador do Índice Dow Jones
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Charles Dow: Criador do Índice Dow Jones

O jornalista americano foi o criador de um dos maiores jornais de finanças e do importante índice do mercado norte-americano.

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Atualizado em 05/04/2021

O nome de Charles Dow está para sempre ligado ao mundo das finanças graças ao índice do mercado que leva seu nome e a criação de um dos principais jornais de economia do mundo.

O Dow Jones Industrial Average (DJIA) é, ao lado do Nasdaq Composite e do Standard & Poor’s 500 (S&P500), um dos principais indicadores dos movimentos do mercado americano.

Segundo índice mais antigo dos Estados Unidos, sua metodologia permitiu que gestores globais monitorassem e mensurassem o seu desempenho, frente à indústria financeira como um todo.

No entanto, a contribuição de Charles Dow para o mercado financeiro vai muito além de sua famosa média. 

Formado em jornalismo, fundou um dos principais jornais de economia e finanças do mundo, motivado a aproximar a bolsa de valores do público comum.

O Wall Street Journal preza pelo bom funcionamento do mercado financeiro e defende a maior transparência na divulgação de informações.

Conheça mais da história de Charles Dow e sua importância para a análise técnica e para o mundo dos investimentos em geral.

Quem foi Charles Dow

Charles Henry Dow (1851 – 1902) foi um jornalista americano co-fundador do Dow Jones & Company, um serviço de notícias financeiras responsável por publicar o jornal The Wall Street Journal, uma das mais respeitáveis publicações sobre economia do mundo.

Como parte de sua pesquisa sobre o movimento dos mercados, Dow desenvolveu uma série de princípios do que mais tarde ficou conhecida como teoria Dow, a base para a análise técnica.

Ele também inventou o importante índice do mercado financeiro norte-americano, o Dow Jones Industrial Average, também conhecido como Índice Dow Jones.

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Vida e carreira

Charles Henry Dow nasceu dia 6 de novembro de 1851 em Connecticut, Estados Unidos.

De família humilde, não teve uma formação escolar muito boa, mas isso não o impediu de trilhar um caminho brilhante.

Aos 21 anos, começou a trabalhar como repórter no “Springfield Daily Republican”.

Do pequeno jornal, trabalhou em diversas publicações e rapidamente descobriu seu talento para o jornalismo e interesse pelo setor empresarial.

Em 1877, quando trabalhava no “Providence Journal”, se especializou em artigos sobre negócios e o desenvolvimento de indústrias.

Designado para acompanhar um grupo de banqueiros e repórteres a Leadville, no Colorado, aprendeu ainda mais sobre o mundo dos investimentos e o que os investidores de Wall Street precisavam para ganhar.

Em 1880, Charles Dow se mudou para Nova York e foi trabalhar no “Kiernan Wall Street Financial News Bureau”, junto com seu amigo Edward Davis Jones.

Os dois acreditavam que Wall Street precisava ser reportada de outro jeito, sem preconceitos e sem subornos.

Já que naquela época era comum se pagar para fazer reportagens favoráveis ​​sobre uma empresa e, assim, elevar os preços das ações. 

Em novembro de 1882, eles começaram sua própria agência, a Dow Jones & Company. 

As notícias sobre o mercado financeiro começaram a ser publicadas na parte da tarde, inicialmente com duas páginas de informação, na chamada Carta da Tarde dos Clientes.

Em pouco tempo, alcançou mais de 1.000 assinantes e foi considerada uma importante fonte de notícias para investidores.

O sucesso fez com que o resumo de notícias se tornasse um jornal. Em 8 de julho de 1889, o The Wall Street Journal circulou pela primeira vez.

Anos depois, após perceber a necessidade de mais informações sobre a atividade das ações, Charles Dow criou, em 1896, a Dow Jones Industrial Average.

Na época, o índice era baseado nos preços de fechamento de doze ações de empresas.

Com o tempo, o índice ganhou relevância e passou por aprimorações.

Charles Dow morreu em 4 de dezembro de 1902, aos 51 anos de idade, em Brooklyn, Nova York, devido a complicações na saúde.

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Dow Jones & Company e The Wall Street Journal

A Dow Jones & Company foi fundada em 1882 por Charles Dow e seu colega repórter, Edward Jones.

A primeira publicação foi chamada de “Carta da Tarde dos Clientes” que consistia em um resumo de duas páginas das notícias financeiras do dia, incluindo o movimento de certas cotações de ações.

A linguagem era simples, em um formato que qualquer leitor pudesse entender.

A publicação de Dow desenvolveu uma reputação de análise imparcial em uma época em que muitos repórteres aceitavam subornos.

Seu boletim se tornou tão famoso que, em 1889, a empresa começou a publicar um jornal, o The Wall Street Journal.

Dow era o editor e Jones administrava o trabalho burocrático. 

A ideia de Dow era dar a seus leitores uma clareza e uma visão geral dos mercados e da análise de ações.

Em 1898, o Wall Street Journal publicou sua primeira edição matinal e expandiu as coberturas para além das notícias financeiras. 

O Wall Street Journal se tornou o maior jornal nos Estados Unidos por circulação.

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Dow Jones Industrial Average

O índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) é um dos principais indicadores dos movimentos do mercado americano.

Criado em 1896 por Charles Dow, é o segundo mais antigo índice dos Estados Unidos, depois do Índice de transporte Dow Jones, também criado por Dow e publicado de forma intermitente na “Carta da tarde do cliente”, um precursor do The Wall Street Journal.

Esse índice consistia em 11 empresas, sendo 9 ferrovias e 2 empresas não ferroviárias.

Para Dow, os trilhos apresentavam uma imagem parcial da economia da época, uma vez que contribuíram para o crescimento da América.

E que os bens produzidos pelas indústrias e entregues pelas ferrovias, poderiam confirmar as tendências do mercado.

Mais tarde, Charles Dow criou um novo índice, o Dow Jones Industrial Average (DJIA).

Mais uma vez, selecionou os grupos econômicos mais representativos e definiu as 12 empresas que formariam o índice,

Seu valor inicial foi de 40,94 pontos, representando uma média simples de 12 empresas americanas de grande importância.

A partir de 1929, o índice atual com 30 ações passou a valer.

O índice Dow Jones é baseado na cotação das ações de 30 das maiores e mais importantes empresas dos Estados Unidos

Elas são selecionadas por um comitê composto por 2 editores do Wall Street Journal e 3 pessoas da empresa S&P Dow Jones Indices.

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Teoria Dow

Um ano após o surgimento do índice Dow Jones, Charles Dow começou a notar padrões em suas médias de mercado.

Segundo ele, existe uma relação profunda entre as atividades econômicas desempenhadas e as tendência dos preços das ações.

Isso ficou conhecido como teoria de Dow e passou a ser utilizado como base para a análise técnica.

A teoria de Dow é fundamentada em seis pilares:

1. Os índices se ajustam em qualquer situação

Qualquer índice financeiro é capaz de considerar todos os possíveis fatores que afetam a cotação dos preços dos ativos ao longo do tempo.

Eles consideram todas as notícias, resultados contábeis e financeiros, acidentes e etc, incluindo os dados do passado e presente.

Com essa “memória” dos preços embutida, ele seria capaz de se auto ajustar.

Ou seja, mesmo em uma situação desfavorável, os preços se ajustam com o tempo, pois existe uma “lembrança” da situação passada.

2. Os mercados se movem em tendências

Segundo Dow, os movimentos de mercado podem ser comparados com as ondas formadas no mar, apresentando tendências de alta ou de baixa.

Essas tendências podem ser primárias, secundárias e terciárias, segundo sua duração.

A tendência primária é a dominante e representa o movimento mais longo do mercado que pode durar meses ou anos.

A tendência secundária são as “ondas”, ou seja, as correções e reações do mercado que se formam conforme a maré dominante sobe ou desce.

Já as tendências terciárias são as “marolas”, as correções e reações menores que se formam entre as ondas e representam um movimento enfraquecido e duram algumas semanas.

3. A tendência primária é formada por três etapas

A tendência primária ainda é subdividida em três outras etapas.

Na primeira fase, chamada de “acumulação”, o preço das ações de determinada empresa se encontra estável, pois já absorveu qualquer evento ruim que tenha acontecido.

Na próxima fase a participação do público em geral se acentua e os movimentos nos preços iniciam sua escalada rumo a patamares cada vez maiores.

Por fim, vem a fase de “distribuição”, quando o movimento de alta já é percebido e divulgado.

Para Dow, este é o melhor momento para vender as ações adquiridas na etapa de acumulação e embolsar os lucros.

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4. Princípio de confirmação

De acordo com esta teoria, um movimento só pode ser considerado genuíno se houver concordância entre as médias dos preços e os índices oficiais.

Dessa forma, é necessário que os índices confirmem a tendência de alta dos mercados.

5. Volume convergente

Dow considera o volume como movimento secundário. Para ele, quando o mercado mudar a tendência haverá um aumento expressivo no volume das negociações.

Ou seja, primeiro os preços devem aumentar e, só depois, a alta nos volumes aparece.

Assim, enquanto não houver um volume alto confirmando a mudança de tendência, vale a tendência anterior.

6. Uma tendência permanece até que existam sinais de reversão

Dow afirma que uma tendência permanece até que os índices se confirmem, apesar dos sinais aparentes de mudança.

Este princípio procura evitar a prematura troca de posição (comprada ou vendida).

Sendo assim, uma tendência de alta permanece em seu sentido até que seja interrompida por outra tendência, dessa vez de baixa.

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O legado de Charles Dow

O jornalista e investidor Charles Dow tem seu nome marcado na história do mercado financeiro.

O índice de mercado criado por ele, foi uma revolução para os investidores. 

Tanto o índice Dow Jones como os outros que surgiram depois são referências para medir nosso desempenho ou o de profissionais em relação à economia geral.

Esta é uma fonte de dados para alimentar estratégias e análises de investimentos.

Foi Dow também quem deu origem ao movimento para que muitas empresas de capital aberto forneçam divulgação financeira completa ao público. 

Seu jornal foi um marco para o jornalismo imparcial e linguagem acessível.

Mesmo após a sua morte, o Wall Street Journal, que já tinha uma ampla circulação, continuou sua expansão e continua sendo um dos principais jornais do mundo hoje.

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