A XP Asset, gestora dos fundos da XP Investimentos, divulgou em sua Carta aos Cotistas referente a março de 2021 um estudo sobre as perspectivas da vacinação contra covid-19 no Brasil.

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De acordo com as projeções, o Programa Nacional de Imunização (PNI) será capaz de vacinar até setembro deste ano cerca de 135 milhões de pessoas, o que representa 85% da população com idade acima dos 18 anos.

O economista-chefe da XP Asset, Fernando Genta, considera esse valor como o total da população adulta do país a ser vacinada, já que a taxa considera apenas quem deseja se vacinar.

"Nós assumimos que 85% da população brasileira vá querer se vacinar. Trata-se de um número alto, seja comparando com outros países, seja observando os números das faixas etárias que já estão sendo vacinadas no país. Como a população adulta no Brasil totaliza 159 milhões, nosso cenário considera que 135 milhões de pessoas vão querer se vacinar", explica a carta.

A perspectiva apontada pelo estudo se baseia na projeção de distribuição de 359,92 milhões de doses durante todo o ano de 2021.

Quadro de oferta mensal de doses de cada vacina
Quadro de oferta mensal de doses das vacinas. Fonte: XP Asset.

Os números projetados se apoiam no cenário de importação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), analisando o ritmo de produção nos primeiros meses, a quantia de IFA já importado e as vacinas produzidas totalmente no exterior.

Com isso, Genta considera que apenas com os insumos que já estão no Brasil será possível vacinar toda população acima de 60 anos e o grupo de risco até o final de maio.

O estudo lembra que o grupo prioritário envolve não apenas idosos, profissionais da saúde e pessoas com comorbidades, mas também um grupo diversificado que inclui trabalhadores da indústria, caminhoneiros, índios, professores, forças armadas, funcionários de transporte coletivo.

"O governo estima que esse grupo tenha cerca de 77,3 milhões de pessoas, mas pelo menos 10% deste número consiste em dupla contagem (por exemplo, no caso de médicos e moradores de asilo que tenham mais de 60 anos). Logo, estimamos que o grupo prioritário tenha 69 milhões de pessoas, das quais 58 milhões vão querer se vacinar", aponta o levantamento.

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Seguindo nesta perspectiva e tendo como foco restrito o público acima dos 18 anos, a XP Asset considera que até agosto toda população com mais de 30 anos já estará imunizada.

Quadro do acumulado de pessoas imunizadas por cada faixa etária
Quadro do acumulado de pessoas imunizadas por cada faixa etária. Fonte: XP Asset.

Apesar de parecer um projeção otimista, a XP Asset alerta que os dados são mais conservadores do que os planejados pelo Ministério da Saúde.

"Nosso cronograma é mais conservador que o do Ministério não apenas na quantidade de doses, mas também na velocidade de entrega", explica a gestora.

"No caso da Fiocruz, trabalhamos com a hipótese de dois meses de atraso na entrega das 100,4 milhões de doses contratadas. As vacinas da Astrazeneca importadas da Índia ficarão zeradas até junho em nosso cenário (Ministério já tem retorno em abril). Por fim, consideramos que a Pfizer não entregará doses em abril e maio, dado o atraso das entregas observados em boa parte do mundo."

A conclusão da vacinação de adultos até o fim do terceiro trimestre deve ser possível pelas particularidades da produção de vacinas no país, de acordo com a gestora.

"Ao contrário da maioria dos países, o Brasil tem demanda por insumo, e não pelas vacinas prontas. A concorrência acaba sendo menor e o cronograma de entrega por parte das empresas chinesas tem ocorrido razoavelmente no prazo estabelecido".

Pelo levantamento, o destaque para velocidade de imunização se daria pela experiência do Sistema Único de Saúde (SUS).

"O risco de logística também nos parece baixo. O SUS tem expertise de vacinação em massa, com várias campanhas bem sucedidas em sua história. Atualmente, já estamos vacinando cerca de 1 milhão de pessoas ao dia", considera a XP.

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Impacto da Imunização

A gestora de investimentos alerta que o impacto deste cronograma de imunização "pode ser brutal", principalmente no cenário de saúde pública, mas também no mercado financeiro e na economia brasileira.

O economista-chefe da XP Asset reforça que o estudo considera que os "imunizantes em questão tenham 90% de eficácia para casos graves (UTI e óbitos) e que façam efeito um mês após vacinação".

Segundo o estudo, "as novas internações em UTI cairiam pela metade já em maio, uma vez que os idosos respondem por 60% dos leitos".

"No caso de mortes, o impacto é ainda maior, uma vez que idosos respondem por 75% dos óbitos por Covid-19. As mortes já virariam o semestre 80% mais baixas do que em um cenário sem vacinas".

Gráfico de impacto do programa de imunização na saúde pública
Gráfico de impacto do programa de imunização na saúde pública. Fonte: XP Asset.

No cenário econômico, o impacto da confirmação dessa projeção seria capaz de fortalecer a retomada da economia brasileira.

Segundo a XP, "a economia finalmente poderia passar por um processo mais perene de reabertura, seja pelo virtual esvaziamento dos hospitais, seja pela confiança das pessoas a voltar a consumir serviços que foram diretamente atingidos pela pandemia".

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Mercado Financeiro no Cenário de Imunização

Observando a projeção da imunização feita pela equipe de Fernando Genta, o mercado financeiro também pode começar a se preparar para a retomada econômica.

"O candidato óbvio para se destacar é o setor de serviços prestados às famílias (alimentação, turismo, saúde, educação, cuidados pessoais, etc), que é quem tem registrado retomada mais lenta", aponta a XP.

A carta aos cotistas de fundos administrados pela gestora, a XP Asset ainda indica alerta para a economia informal, que "também apresentaria reação mais forte, abrindo espaço para recuo mais acelerado da taxa de desemprego".

Com a perspectiva de uma vacinação mais efetiva e rápida, a gestora observa "espaço para uma volta mais rápida da atividade".

"Por isso, mantemos posições compradas em bolsa no brasil, majoritariamente via Ibovespa, mas também em uma carteira de ações mais ligada a esse cenário de reabertura da economia", explica a gestora.