O que é o Viés da Autoconsistência?

Viés da Autoconsistência (Self-Consistency Bias, em inglês) é um viés cognitivo que impacta nossa forma de avaliar vários tipos de eventos ao longo do tempo.

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Esse tipo de viés se refere à ideia de que somos mais consistentes em nossas atitudes, opiniões e crenças do que realmente somos.

Em outras palavras, o viés da autoconsistência nos afeta de modo a nos tornar incapazes de ver as mudanças em nossos pensamentos e opiniões.

Isso porque tendemos a acreditar que sempre pensamos da mesma forma, independentemente da época ou situação que nos encontrávamos. 

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Como funciona o viés da autoconsistência?

De modo geral, os vieses cognitivos são um conjunto de limitações inconscientes que induzem as pessoas a erros de julgamento.

Esse fenômeno psicológico afeta a racionalidade e a precisão das decisões e julgamentos. 

Os vieses cognitivos podem ser causados ​​por uma série de coisas diferentes, como heurísticas (atalhos mentais), pressões sociais e emoções.

Diante disso, podemos inferir que o viés da autoconsistência é afetado por emoções e atalhos mentais que afetam a forma como resgatamos eventos passados na nossa memória.

Em psicologia e ciências cognitivas, o viés da autoconsistência pertence ao grupo do chamado vieses de memória.

Os vieses de memória abarcam tipos de vieses cognitivos que aumentam ou prejudicam a evocação de uma memória.

Isso impacta tanto nas chances de que uma memória específica seja relembrada, ou a quantidade de tempo que leva para ser relembrada.

Além disso, os vieses de memória alteram o conteúdo de uma memória relatada. 

Sendo assim, um exemplo de autoconsistência seria ir a um encontro e não ficar empolgado, mas, anos depois, contar às pessoas como foi incrível aquele encontro depois que você se apaixonou pela pessoa. 

Outro exemplo: pensar que, por amar churrasco agora, você sempre o amou, mas na verdade odiava quando era mais jovem.

Estudo sobre Viés da Autoconsistência

Em um estudo de 2002 realizado por Linda J. Levine, Martin Safer e outros, alguns alunos de graduação foram solicitados a avaliar sua ansiedade e emoções ao se aproximarem de um exame.

Uma semana após a realização do teste, os mesmos alunos foram chamados para reavaliar seus níveis de ansiedade nos dias que antecederam a prova.

Como resultado da pesquisa, se descobriu que os alunos que foram bem na prova tendiam a afirmar que estavam se sentindo bem antes do exame, ou seja, não estavam ansiosos.

Já aqueles que foram mal na prova, afirmaram que estavam ansiosos.

Quando os pesquisadores confrontaram as duas respostas, pré-prova e pós-prova, descobriram que seus estados emocionais após o teste fizeram com que os alunos tivessem uma memória distorcida da ansiedade pré-teste. 

Os que foram bem, subestimaram os efeitos do nível de ansiedade, enquanto que aqueles que foram ruins passaram a superestimar os mesmos fatores.

Além disso, se descobriu que traços de personalidade também contribuíram para os níveis de ansiedade pré-teste, o que mais tarde causou mais distorção na lembrança dos mesmos níveis de ansiedade.

Os alunos com atitudes tipicamente positivas têm maior probabilidade de avaliar posteriormente os níveis de ansiedade pré-teste com base em seu estado emocional atual após o teste. 

Viés da autoconsistência nos investimentos

O viés da autoconsistência também tem forte impacto nos nossos investimentos, principalmente no nível de confiança com que escolhemos nossos ativos.

É comum termos confiança no momento da compra de uma ação ou título de renda fixa.

Entretanto, como sabemos, uma coisa que não existe na economia é a certeza de que algo dará certo.

Sendo assim, é fácil ter a confiança abalada em um investimento caso os resultados passem a decepcionar.

Neste caso, quando alguém se torna acometido pelo viés da autoconsistência passa a justificar os resultados ruins no investimento com o argumento de que havia ainda muita incerteza quanto aos resultados futuros do ativo.

Mas se havia muita incerteza, por que optar por entrar no papel?

Não seria melhor esperar antes de definir quanto investir ou não no ativo?

Diante disso, a melhor forma de evitar avaliações equivocadas é sempre ter em mente os riscos dos investimentos e os eventos que podem atrapalhar seus resultados, e saber como lidar quando coisas ruins acontecem.