Teve de tudo na última década no Brasil: recessão econômica, processo de impeachment, juros na mínima histórica e pandemia.

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Para Ulisses Nehmi, CEO da gestora Sparta, apesar de todas as turbulências, esses fatores foram razoavelmente positivos para as empresas.

A razão para isso foi explicada em um painel da Expert XP de terça-feira (2). “Como as empresas brasileiras não conseguiram viver um ciclo pleno de economia pujante, acabaram não se alavancando muito e, por isso, chegaram a esse momento de alta de juros com o caixa saudável”, afirma Nehmi.

Isso, segundo o executivo, explica também por que as agências de rating têm aumentado as notas de classificação de companhias em vez de reduzi-las e conclui: “do lado dos investidores, esse representa um dos melhores cenários”.

Muito diferente, portanto, do que foi vivido em 2015, quando a taxa de juros e a inflação também estavam no patamar de duplos dígitos.

As semelhanças com sete anos atrás, segundo os especialistas do painel, param por aí. “A última vez que vimos uma inflação nesse patamar, a questão era local. Agora, estamos vivendo um período de alta de preços global”, diz Maurício Juncá, gestor do Vinland Macro.

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Oportunidades lá fora

Neste cenário, combater a inflação passa a ser uma tarefa de todos os bancos centrais do mundo.

E, embora a tarefa seja muito mais complexa, faz com que o cenário traga muitas oportunidades, principalmente para os investidores que buscam olhar para fora.

“Vimos reações diversas diante do desafio da inflação. Enquanto alguns bancos centrais pelo mundo reforçavam que ela era transitória, outros preferiram começar o aperto mais cedo”, diz Juncá.

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Entre aqueles que, na opinião de Juncá, ficaram para trás no aperto monetário estão Estados Unidos e Austrália.

“Posições tomadas em curva de juros de outros países podem ser muito interessantes. Estamos olhando também para Colômbia, Chile e México”, afirma.

O Banco Central da Austrália (RBA, na sigla em inglês) decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, de 1,35% para 1,85%, em sua reunião de política monetária que aconteceu nesta terça.

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Na última alta de juros, a autoridade monetária já havia elevado a taxa em 50 pontos base, de 0,85% para 1,35%.

O Federal Reserve (o Banco Central norte-americano, Fed na sigla em inglês) elevou a taxa básica de juros em um total de 2,25 p.p (pontos percentuais) desde o começo do ano e, no México, o Banxico, como o banco central mexicano é conhecido, aumentou a taxa básica de juros do país em 0,75 ponto percentual e deixou o recado que os aumentos não acabaram.

O que esperar para 2023

O cenário para investidores de renda fixa mudou bastante nos últimos anos. “Nem dois anos atrás, a taxa de juros estava em mínimas históricas. Isso mostra que estamos vivendo alguns ciclos curtos. E, se por um lado é importante investir em renda fixa visando o longo prazo, por outro, pode haver oportunidades de rodar a carteira”, afirma Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP.

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Nehmi, da Sparta, faz coro e afirma que seu time de 10 analistas de crédito busca investimentos de longo prazo, avaliando a saúde financeira das empresas.

Mas isso não significa que não haja desinvestimentos. “Normalmente, pensamos em carregar os títulos por um período mais longo. Mas quando vemos as métricas de crédito piorando ou outras oportunidades melhores, vamos desinvestir”, afirma.

Do lado de crédito privado, para Nehmi, o momento também é de oportunidades.

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“Quando falamos de renda fixa, o ponto principal é conseguir um retorno real. E, agora, já estamos em um nível de taxa de juros que, se mantido e se continuar batendo a inflação, será o melhor momento dos últimos dez anos”, afirma.

Houve dois grandes elementos de incerteza recentemente: 1) a pandemia; e 2) a Guerra na Ucrânia.

Nos próximos meses, o Brasil também passará por eleições presidenciais. “O momento é de cautela. Achamos que os juros podem subir ainda mais e devemos observar cortes a partir do segundo trimestre de 2023, mas a taxa de juros deve se manter alta por um período mais prolongado e ainda esperamos uma visão mais clara do próximo governo e seu endereçamento fiscal“, afirma Juncá.

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Mesmo assim, Nehmi tem uma visão positiva. “A perspectiva é muito boa. Sei que temos acompanhado o aumento da inflação no supermercado e no posto de gasolina. E sei também que a inflação alta é o maior inimigo do investidor, mas vemos muito espaço para crédito privado este ano e, acredite, ainda não voltamos para o patamar de remuneração pré-pandemia”, afirma.

Até 2023, contudo, o especialista não acredita que devem sair novas emissões.

“Em um ano eleitoral, é natural que as empresas segurem (as emissões). Mas vemos que o interesse do investidor pela renda fixa continua grande. E, de fato, a remuneração está muito boa, protegendo os investidores da inflação. É um momento bem oportuno”, afirma.

Fonte: InfoMoney.