Após sofrer um estouro de meio bilhão de reais nos orçamentos de obras no ano passado, a Tenda (TEND3) passou a adotar medidas amargas para equilibrar as contas.

A companhia – um das maiores do programa Casa Verde e Amarela (CVA) – disparou uma carta aos fornecedores de materiais de construção avisando que os novos prazos de pagamento passarão de 30 dias para, no mínimo, 60 dias.

A medida vai valer para todos os pedidos enviados e faturas recebidas a partir do mês que vem.

A decisão de esticar os prazos dessa forma é incomum no setor e não tem sido uma medida adotada por outras construtoras de grande porte neste momento, pegando de surpresa os fornecedores da Tenda.

A Tenda não dá explicações sobre a sua decisão, limitando-se a informar que a mensagem “visa (sic) uma maior transparência e efetividade no cumprimento dos prazos compromissados junto aos parceiros”.

Também avisa que, em caso de dúvidas, os fornecedores devem procurar o representante da construtora responsável pelas compras.

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O documento é assinado pelo diretor Financeiro, Marcos Antônio Pinheiro Filho. Procurada, a Tenda não se manifestou.

Inflação afetou custos de todo o setor de construção

Na sua última apresentação de resultados a investidores, a Tenda relatou perdas de R$ 350 milhões com estouros de orçamento no quarto trimestre de 2021 e um total de R$ 532 milhões no acumulado do ano.

Isso ocorreu devido à disparada nos preços de materiais no mercado combinada com a falta de um controle periódico da empresa sobre os custos de boa parte dos insumos.

A inflação arranhou a rentabilidade de várias empresas do setor de construção nos últimos trimestres, mas nada que se compare ao rombo da Tenda.

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A empresa prometeu a investidores que fará um controle mais rígido dos orçamentos e que vai privilegiar empreendimento com preços e margens de lucro maiores neste ano, ainda que isso implique em diminuir a velocidade de vendas e o volume total de lançamentos. 

Resultado da Tenda no Quarto Trimestre de 2021 

O resultado da Tenda (TEND3) no quarto trimestre de 2021 (4t21), divulgado no dia 10 de março, apresentou um prejuízo de -R$ 268,5 milhões no 4t21, uma queda de -473,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. 

Ebitda da Tenda atingiu um prejuízo de R$ 221,6 milhões no 4T21, apresentando queda de -325,7% na comparação com o 4T20.

margem Ebitda da Tenda totalizou -42,8% no 4T21, apresentando baixa de -57,0 pontos percentuais na comparação com o 4T20. 

margem líquida da Tenda atingiu -51,9% no 4T21, apresentando queda de -62,4 pontos percentuais na comparação com o 4T20.

As ações da Tenda (TEND3) acumulam queda de 10,61% na bolsa de valores nos últimos 7 dias e queda de 76,50% nos últimos 12 meses.

Fonte: Estadão Conteúdo.