O que é Soft Landing?

Soft landing é um termo usado em economia para se referir a uma desaceleração cíclica sem que seja desencadeada uma recessão.

Em tradução para o português, soft landing significa “pouso suave”.

Assim como um pouso suave, o termo é usado para descrever a tentativa das autoridades monetárias de suavizar os ciclos econômicos.

Normalmente descreve as tentativas dos Bancos Centrais de aumentar as taxas de juros apenas o suficiente para impedir que uma economia superaqueça e tenha inflação alta.

O objetivo é conter surtos de crescimento, estabilizando a atividade econômica sem causar um aumento significativo no desemprego e, com isso, alcançar um crescimento sustentável no longo prazo.

O soft landing também pode se referir a um setor da economia que deverá desacelerar sem quebrar.

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Como funciona o Soft Landing?

Governos e bancos centrais frequentemente tentam realizar o soft landing por meio do ajuste fino da política fiscal ou monetária

O conceito foi concebido por Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), que planejou um soft landing para os Estados Unidos nos anos de 1994 e 1995.

Na ocasião, o Fed aumentou as taxas de juros o suficiente para desacelerar a economia, mas não o suficiente para causar uma contração econômica.

Entretanto, os casos em que bancos centrais tentaram realizar o soft landing não foram tão bem sucedidos, tendo, por muitas vezes, gerado bolhas financeiras e fortes recessões, além de períodos de estagnação.

A crise do subprime de 2008, por exemplo, foi atribuída a cortes excessivos nas taxas de juros em 2001, o que causou uma bolha de ativos no setor imobiliário quando o governo começou a elevar os juros.

Apesar de não haver evidências de sucesso deste tipo de conduta, as autoridades monetárias seguem tentando suavizar os ciclos de crescimento e recessão.

A última vez foi há pouco tempo, quando o Fed tentou outro soft landing ao elevar aos poucos os juros até 2019. 

Na ocasião, o Banco Central dos EUA começou uma trajetória de aumento de juros, que começou no final de 2015, quando a taxa era de 0,25% e passou para 0,50%.

Essa trajetória durou até 2019, quando os juros subiram até 2,50%. 

Porém, o receio de uma recessão fez com que o Fed cancelasse os aumentos de juros e iniciasse um período de expansão monetária, de modo que os juros caíram para 1,75%.

Com a crise da pandemia da Covid-19, uma nova etapa da política monetária se iniciou, de modo que os juros caíram novamente para 0,25%, com previsão de subida apenas quando a atividade econômica se normalizar.

Hard Landing

A prática oposta ao soft landing é o hard landing, o qual significa “pouso forçado”.

Este termo é usado para ilustrar casos em que as autoridades econômicas devem conter o crescimento com mais força, visto que o descontrole inflacionário se torna um fator de grande perigo.

Ao contrário do soft landing, que busca acomodar os ciclos econômicos de forma suave, o hard landing tem como objetivo causar uma recessão como forma de conter surtos inflacionários.

Para isso, é preciso adotar políticas econômicas restritivas, como ajustes fiscais e monetários mais fortes.

Neste tipo de política, os juros aumentam fortemente, juntamente com os impostos. O contrário ocorre com os gastos públicos, que passam por um corte severo.

Economias que passam por um hard landing muitas vezes escorregam para um período de estagnação ou mesmo recessão.

Geralmente, as políticas de hard landing são vistas de forma negativa pela sociedade, uma vez que causam mudanças bruscas na vida das pessoas.

Por isso, as autoridades econômicas buscam cada vez mais melhorar os mecanismos de política econômica para tentar acertar a mão no modelo de soft landing e evitar o hard landing.

Hard Landing no Brasil

Um exemplo de hard landing no Brasil foi o que tivemos no segundo governo de Dilma Rousseff, que se iniciou em 2015.

Neste período a inflação estava entrando no campo dos dois dígitos, o que acendeu o alerta para a necessidade de uma política do tipo hard landing.

Com o impeachment, o vice-presidente Michel Temer assume e dá seguimento à estratégia de elevar os juros e realizar um ajuste fiscal, com a implementação da lei de teto dos gastos públicos.

Infelizmente, os cinco anos que se seguiram desde esta prática foram marcados por um período de recessão e estagnação da economia brasileira, com elevado desemprego.

Apesar disso, o controle inflacionário, que era o objetivo principal da política, foi conquistado com grande sucesso.