O que são setores cíclicos?

Setores cíclicos abrangem empresas que trabalham em ramos de atividades que apresentam desempenho conforme o ciclo econômico.

Ou seja, se a economia está bem, com crescimento, então as receitas e lucros serão maiores, enquanto que passarão por dificuldades em períodos de recessão e estagnação.

Nos setores da Bolsa de Valores, as empresas de setores cíclicos são categorizadas em:

  • Automóveis e motocicletas;
  • Construção civil;
  • Hotéis e restaurantes;
  • Tecidos, vestuário e calçados
  • Utilidades domésticas;
  • Viagens e lazer.

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Como investir conforme os setores cíclicos?

Entender como as empresas se comportam perante a dinâmica econômica é fundamental para se dar bem no mercado financeiro.

Há empresas que se dão bem quando a economia vai bem, como também há empresas que vão bem quando a economia vai mal.

Em outras palavras, há aquelas que curtem a festa e outras que vendem lenços nos momentos de tristeza.

Qualquer investidor que queira montar uma carteira equilibrada, ganhando tanto nos momentos de boom econômico quanto nas recessões precisa diversificar os setores.

Para isso, é fundamental escolher tanto empresas de setores cíclicos quanto de setores contra-cíclicos, ou seja, que performam bem quando a economia vai mal.

Quando a economia vai bem o consumo tende a ser maior, principalmente devido ao baixo desemprego, baixa inflação e câmbio valorizado.

Empresas de setores cíclicos são aquelas que vão surfar a onda do crescimento, importando insumos baratos e tendo aumento nas vendas, o que permite ter uma margem maior.

Já as empresas contra-cíclicas, são aquelas que se dão melhor quando as condições se deterioram. Em recessões, por exemplo, é comum termos um período de câmbio desvalorizado.

Dessa forma, as exportações nacionais tendem a se dar bem, pois os produtos locais ficam mais baratos aos olhos do consumidor estrangeiro.

Nesse contexto, as receitas e margens das empresas contracíclicas tendem a ser maiores.

Por fim, há também as empresas defensivas, que atuam em setores cujo consumo não é cíclico. 

Estas irão ter mais estabilidade em suas receitas e lucros independentemente do ciclo econômico.

A desvantagem dessas empresas é que o seu crescimento é menor do que o das empresas de setores cíclicos e contra-cíclicos, que experimentam forte expansão em certos períodos de tempo.

Portanto, fique atento para que sua carteira esteja contrabalanceada tanto com ações de setores cíclicos quanto de setores contra-cíclicos. 

Isso contribui muito para ter uma carteira com baixa volatilidade e mais segura quanto aos períodos de recessão.

Como aproveitar os ciclos econômicos?

Para o investidor é essencial levar em conta o ciclo econômico na hora de investir, pois isso permite um direcionamento mais assertivo das aplicações financeiras.

Períodos de crises costumam gerar ótimas oportunidades. É aqui que os ativos costumam ficar mais baratos, dado a dominância do medo nos mercados.

O medo faz com que os agentes econômicos deixem a racionalidade de lado e atuem totalmente com base nos instintos.

O receio de que haja uma quebradeira geral faz com que muitos vendem os ativos pelo preço de mercado. 

Isso faz com que, em momentos de crise, os valores dos ativos sejam quase sempre negociados abaixo do valor patrimonial.

Entretanto, o investidor deve ficar atento, pois nem tudo que cai pode estar barato.

Analisar os fundamentos é essencial para ter noção se aquele ativo é uma boa oportunidade ou uma péssima escolha.

Lembre-se que a queda no preço das ações não significa, necessariamente, que ela ficou mais barata. Significa também que ela está menos atraente.

Analisar se o mercado está precificando corretamente o ativo, ou se é apenas causa de um medo generalizado e infundado, é a chave do aproveitamento das oportunidades em tempos de crise.

A mesma cautela deve haver em momentos de boom econômico.

Muitas vezes a euforia inibe o comportamento racional, fazendo com que os agentes acreditem que o futuro será sempre positivo.

Nestes momentos é comum que o mercado precifique os ativos de forma exagerada, negociando ações e títulos com preços muito acima de seus fundamentos reais.

Se a economia não caminhar no mesmo sentido, é de se esperar que uma hora ou outra os preços deverão ser corrigidos para os patamares adequados. 

A recomendação é, portanto, sempre acompanhar os fundamentos das empresas, optando pela compra dos ativos sempre que os preços no mercado financeiro estiverem condizentes com o que se considera ideal.