O anúncio de Angola, na quinta-feira, de que deixará a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de produtores de petróleo, traz à tona tensões de longa data dentro do grupo, mas o impacto no mercado deverá ser limitado, segundo analistas.

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A mudança “não foi uma surpresa, [pois] a escrita já estava na parede no mês passado”, disse Clay Seigle, diretor do serviço global de petróleo do Rapidan Energy Group, ao “Last Call” da CNBC na quinta-feira.

Angola decidiu sair da OPEP, da qual era integrante desde 2007, afirmando que as ideias e contribuições angolanas já não mais “surtiam os efeito desejados” dentro do cartel.

O anúncio foi feito pelo ministério de Recursos Minerais, Petróleo e Gás da nação africana, Diamantino Azevedo, durante uma reunião ordinária do Conselho de Ministros, liderado pelo presidente da República, João Lourenço. 

“Não queremos estar nas organizações para entrar mudos e sair calados, mas sim para sermos ativos e contribuir”, afirmou Azevedo, citado pela mídia estatal Jornal de Angola.

“Quando vemos que as nossas contribuições não conduzem a quaisquer resultados tangíveis, então não estamos fazendo nada nesta organização”, acrescentou o ministro, 

No final de novembro, o país reclamou da sua cota de produção atribuída pela Opep, de 1,11 milhão de barris por dia (bpd), considerada insuficiente.

A saída de Angola deixará a organização, fundada em 1960 e liderada pela Arábia Saudita, com 12 membros, com uma produção de petróleo bruto de cerca de 27 milhões de bpd, ou cerca de 27% do mercado mundial de petróleo, segundo a Reuters. 

Angola segue os passos do Equador e do Qatar, que deixaram a organização em 2020 e 2018, respectivamente.

A saída expõe as divergências entre os membros da Organização em relação ao nível de oferta.

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Analistas do Scotiabank afirmaram numa nota na quinta-feira que, embora não houvesse impacto no fornecimento global de petróleo devido ao facto de Angola já estar a maximizar a sua produção, a última saída da OPEP foi “outro exemplo da tensão crescente” no grupo.

O mercado tem preocupações com a unidade, mas não há atualmente nenhuma indicação de que os pesos pesados ​​dentro da aliança pretendam seguir o caminho de Angola, observou Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, à CNBC.

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