S&P Rebaixa Ratings da Braskem (BRKM5) de ‘BBB-‘ para ‘BB+’
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S&P Rebaixa Ratings da Braskem (BRKM5) de ‘BBB-‘ para ‘BB+’

A S&P Global espera que a alavancagem da Braskem permaneça superior ao nível esperado para o nível de rating BBB-.

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Atualizado em 09/07/2020
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A S&P Global Ratings anunciou nesta quinta-feira (09), o ratings da Braskem (BRKM5) em escala global rebaixados para ‘BBB-‘ para ‘BB+’ por alavancagem persistentemente alta, perspectiva é estável.

A S&P Global espera que a alavancagem da Braskem permaneça superior ao nível esperado para o nível de rating BBB-, com um índice de dívida líquida para EBITDA acima de 3,5x nos próximos 12 meses e riscos persistentes de deterioração.

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A perspectiva estável indica que, apesar dos riscos macroeconômicos e do setor, a agência acredita que a administração continuaria tomando medidas anticíclicas para aliviar a estrutura de capital da empresa, o que deve resultar em um índice de dívida líquida sobre EBITDA de 3,0×4,0x em 2021.

Fundamento da Ação de Rating

Os riscos de deterioração permanecem altos, dadas as incertezas decorrentes da pandemia. A demanda por produtos químicos globais foi substancialmente afetada este ano, e a recuperação para os níveis de 2019 permanece incerta, diante da visão de uma provável recuperação econômica desigual em todo o mundo.

Embora o cenário-base da agência pressuponha um aumento gradual nos volumes petroquímicos em 2021, os riscos permanecem negativos.

Além disso, considerando a expectativa de recuperação do preço do petróleo e o contínuo excesso de oferta de mercado pelo menos até meados de 2021, principalmente de polietileno (PE), as margens da Braskem poderão ser novamente pressionadas no próximo ano.

Como resultado, a S&P espera agora que a empresa registre um índice de dívida líquida sobre EBITDA entre 3,5x-4,5x até o final de 2020 e entre 3,0x-4,0x em 2021, versus a expectativa anterior da análise de 3,0x-3,5x para 2020.

Outros riscos específicos da empresa podem ser parcialmente compensados pelo compromisso da administração de reduzir a alavancagem. Potenciais saídas de caixa adicionais decorrentes do evento geológico no estado de Alagoas ou para dar eventual suporte limitado à unidade de project finance mexicana podem dificultar a redução do índice de dívida líquida sobre EBITDA abaixo de 3,5x nos próximos 12 meses.

Este poderia ser o caso, apesar de possíveis medidas anticíclicas, como vendas de ativos não essenciais (non core).

O cenário-base da S&P não presume nenhuma venda de ativos, dadas as incertezas sobre o cronograma e os recursos, principalmente devido às condições de mercado atualmente voláteis.

Ainda assim, incorporou-se o compromisso da administração de reduzir a alavancagem na perspectiva estável do rating. Os custos mais baixos da matéria-prima, a depreciação do real e a nova planta de PP devem ajudar a mitigar a contração dos volumes esperada em 2020.

Considerando os efeitos do surto de COVID-19, as taxas de utilização de crackers da Braskem caíram para 70%-75%. Nesse contexto, a agência projeta queda de 5%-10% nos volumes este ano. No segundo semestre, a Braskem deve se beneficiar dos menores custos de matéria-prima, devido à queda do preço da nafta.

Além disso, a depreciação do real, com a projeção da taxa de câmbio em R$ 4,95/US$1,00 em 2020, ante R$ 3,95/US$1,00 em 2019, contribuirá para o fluxo de caixa, pois a maior parte da estrutura de custos da Braskem está definida nesta moeda.

Como resultado, a S&P prevê um EBITDA (excluindo a Braskem Idesa) entre US$1,25 bilhão-US$1,35 bilhão, 20% a 30% superior ao de 2019.

Perspectiva

A perspectiva estável reflete a expectativa dos analistas de aumento gradual dos fluxos de caixa nos próximos 12 meses e do índice de dívida líquida sobre EBITDA em torno de 4,0x até o final de 2020.

A perspectiva também incorpora os riscos de deterioração da indústria e econômicos, combinados com as prováveis medidas anticíclicas da empresa, o que reduziria a alavancagem para 3,0x-4,0x em 2021.

Cenário de elevação

Uma ação de rating positiva nos próximos 12 a 18 meses pode resultar de uma recuperação mais rápida nos volumes da empresa, com spreads de PE e polipropileno (PP) consistentemente melhores do que o previsto atualmente, juntamente com medidas anticíclicas que reduzem a alavancagem.

Nesse cenário, o EBITDA aumentaria, as margens EBITDA chegariam a 14%-16%, o que, juntamente com as vendas de ativos não essenciais, reduziriam o índice de dívida líquida sobre EBITDA para cerca de 3,0x.

Cenário de rebaixamento

Poderá ser rebaixado os ratings da Braskem (BRKM5) se o índice de dívida líquida sobre EBITDA ficar acima de 4,0x e o de geração interna de caixa (FFO – funds from operations) sobre dívida, abaixo de 20% em 2021.

Isso poderia ocorrer em meio a uma deterioração mais profunda em volumes e preços decorrentes de condições econômicas persistentemente mais fracas.

Além disso, qualquer contingência significativa que possa prejudicar a capacidade da empresa de reduzir a alavancagem, como o aumento dos custos com o evento em Alagoas ou suporte adicional limitado ao projeto Braskem Idesa, poderia contribuir para isso.

Resultado da Braskem no Primeiro Trimestre de 2020

O resultado da Braskem (BRKM5) no primeiro trimestre de 2020 (1t20), divulgado no dia 03 de junho, apresentou um prejuízo líquido de R$ 4,1 bilhões, queda de 400,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Ebitda da Braskem atingiu R$ 1,3 bilhões no 1t20, apresentando retração de 54,6% na comparação com o 1t19.

A margem ebitda foi de 10,70%, uma retração de 12,2 p.p quando comparado ao 1t19.

Já a margem líquida da Braskem atingiu -32,2% no 1t20, apresentando retração de -42,6 p.p. na comparação com o 1t19.

As ações da Braskem (BRKM5) acumulam queda de 0,75% na bolsa de valores nos últimos 7 dias e queda de 34,48% nos últimos 12 meses.

Notícias do Mercado Financeiro

Fonte: S&P Global Ratings.

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