Richard Sackler talvez seja o mais conhecido entre os bilionários da Família Sackler que esteve no centro da crise dos opioides nos EUA.

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Os Sackler são proprietários da Purdue Pharma, empresa farmacêutica conhecida por desenvolver o Oxycontin, um medicamento usado para ajudar a aliviar dores com natureza altamente viciante.

A família construiu um império da dor com agressivas campanhas de marketing que estimulavam a prescrição da droga mesmo sabendo que causava dependência.

Richard e a família Sacker foram alvo de milhares de processos e foram obrigados a pagar milhares de ações judiciais. 

Mesmo assim, a família Sackler continua como uma das mais ricas da América e também uma das mais discretas e filantrópicas.

Com sua enorme fortuna, compram arte, criam fundações e instituições, patrocinam salas no Louvre e no Museu Britânico, abriram escolas em Israel e fundaram dezenas de programas científicos e culturais.

Conheça mais de Richard Sackler e a família que construiu um império da dor com a Purdue Pharma.

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Quem é Richard Sackler?

Richard Sackler nasceu em Nova York em 10 de março de 1945. Assim como seu pai, Raymond Sackler, ele se formou em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York.

Após obter seu bacharelado pelo Columbia College, ingressou na Purdue Pharma, onde seu pai era presidente.

Durante seu tempo na Purdue, Richard supervisionou o departamento de pesquisa que desenvolveu o OxyContin e gerenciou a unidade de vendas e marketing. 

Richard Sackler se tornou presidente da Purdue Pharma em 1991 e co-presidente em 2003.

Quando seus esquemas de marketing despertaram suspeitas,Richard foi deposto em 2015,  antes que a empresa pagasse um acordo de US$ 24 milhões.

Agora, Richard Sackler está vivendo uma vida tranquila, longe dos holofotes, em uma casa de US$ 1,7 milhão em Boca Raton, no condado de Palm Beach, na Flórida, Estados Unidos.

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O início da Purdue Pharma e o domínio da Família Sackler

A Purdue foi fundada em 1892 como Purdue Frederick, pelos médicos John Purdue Gray e George Frederick Bingham.

Em 1952, ela foi adquirida pelos irmãos Sackler, e inicialmente fabricava laxantes, anti-sépticos e removedores de cera de ouvido antes de entrarem no campo do tratamento da dor na década de 1990.

Os irmãos Sackler, Raymond, Mortimer e Arthur, nasceram no Brooklyn, filhos de pais imigrantes judeus.

Embora os três fossem médicos, eles fizeram fortuna no comércio, com uma tendência para o marketing farmacêutico.

Quando adolescente, Mortimer foi gerente de publicidade do jornal de sua escola. 

Arthur ajudou a pagar as mensalidades da faculdade como redator de uma pequena agência de publicidade especializada na área médica. 

Ele provou ser tão hábil neste trabalho que acabou seguindo uma carreira lucrativa no setor e desempenhou apenas um papel passivo na empresa da família.

Raymond e Mortimer, que se tornaram CEOs conjuntos da Purdue Pharma.

Outro nome centralmente envolvido na empresa foi o de Richard, filho de Raymond, que, seguindo a tradição da família, havia se formado em medicina e ingressou na Purdue em 1971.

Mortimer, Raymond e Richard Sackler lançaram o OxyContin com uma das maiores campanhas de marketing farmacêutico da história, implantando muitas técnicas persuasivas criadas pelo falecido Arthur.

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Quem foi Arthur Sackler?

Arthur era o mais velho dos irmãos. Ele trabalhou em psiquiatria e fundou um laboratório de pesquisa em 1938, mas o verdadeiro talento de Arthur estava na publicidade.

No fim da década de 40, comprou a agência onde trabalhava, a McAdams, especializada em anunciar medicamentos diretamente para os médicos. 

Durante a década de 60, Arthur enriqueceu com a bem-sucedida campanha de lançamento dos calmantes Librium e o Valium, já que seu contrato previa uma série de bônus sobre as vendas. 

Ele e seus irmãos mais novos, Mortimer e Raymond, eram proprietários de uma pequena empresa farmacêutica chamada Purdue Frederick, que compraram em 1952. 

Arthur permaneceu um sócio relativamente silencioso na antiga Purdue e morreu em 1987, antes dela se tornar a empresa que conhecemos hoje.

Fora da medicina, ele acumulou uma grande coleção de arte chinesa e fundou diversas galerias ao redor do mundo.

Antes de sua morte em 1987, ele aconselhou seus filhos a "deixarem o mundo um lugar melhor do que quando entraram nele".

E desde então, a sua esposa, Jillian, tem defendido a reputação do seu falecido marido, que ela afirma ter sido manchada pelo papel de Purdue na crise dos opiáceos.

Arthur teve quatro filhos: Elizabeth, Carol, Arthur Felix e Denise. 

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Quem foi Mortimer Sackler?

Mortimer foi um médico psiquiatra americano. Ele e seus irmãos publicaram pesquisas médicas antes de comprar uma série de empresas farmacêuticas, incluindo, em 1952, a Purdue Frederick.

Após a morte de Arthur, Mortimer e Raymond compraram a parte de seus descendentes na Purdue.

Mortimer também era um colecionador de artes e ficou conhecido por doações e festas extravagantes, a partir da década de 1970.

Mortimer teve oito filhos ao longo de seus três casamentos: as filhas Samantha Sophia, Kathe, Ilene, Marissa e Sophie, e os filhos Michael, Mortimer DA e Robert Mortimer, que morreu aos 24 anos em 1975. 

Mortimer faleceu em 2010.

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Quem foi Raymond Sackler?

Raymond era o mais novo dos irmãos e o mais reservado. Mesmo assim, foi o ramo da família mais ativo na Purdue, principalmente após a entrada de seu filho Richard nos negócios.

O médico e empresário morreu em 2017. Ele era casado com Beverly, com quem teve dois filhos: Richard e Jonathan.

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O império com OxyContin

A Purdue Pharma era uma empresa privada, com sede em Stamford, Connecticut, que desenvolveu o analgésico prescrito OxyContin. 

Após o seu lançamento, em 1995, o OxyContin foi aclamado como um avanço médico, que poderia ajudar pacientes que sofriam de dores moderadas a intensas. 

A droga se tornou um sucesso e gerou cerca de US$ 35 bilhões em receitas para Purdue, muito em consequência dos impulsos das campanhas de vendas.

Antes do OxyContin os médicos tinham relutância em prescrever opiáceos fortes, exceto para a dor oncológica aguda e cuidados paliativos, devido às propriedades viciantes dessas drogas. 

No entanto, a Purdue lançou o OxyContin com uma campanha de marketing tão persuasiva que fez mudar os hábitos de prescrição dos médicos.

Entre as alegações estava que o OxyContin poderia ser prescrito também para dores menos agudas e que era menos viciante. Segundo a empresa, apenas 1% dos pacientes se viciavam na droga, embora nunca tenha se realizado pesquisas sobre dependência.

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Para convencer os médicos, a Purdue apresentava estudos e literatura fornecidos por outros médicos e pagava vários médicos para participarem em conferências e fazerem apresentações sobre os méritos do medicamento. 

Aos médicos foram oferecidas viagens com todas as despesas pagas para seminários sobre controle da dor.

A empresa ainda  anunciou em revistas médicas, patrocinou sites sobre dor crônica, distribuiu uma variedade de brindes do OxyContin e produziu vídeos promocionais apresentando pacientes satisfeitos.

O resultado foi centenas de médicos prescrevendo a droga que se mostrou altamente viciante.

Os Sackler continuaram incentivando a venda da droga mesmo com as evidências de que ela causava dependência.

Desde 1999, mais de 800.000 pessoas morreram por overdose de algum opioide, incluindo drogas ilegais ou legalmente prescritas, segundo o Centro para o Controle e Detecção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. 

Quase todos os 50 estados entraram com ações judiciais contra membros da família Purdue e Sackler por seus supostos papéis na crise dos opióides.

Em resposta às ações judiciais, os Sackler não admitiram qualquer irregularidade, mas propuseram um acordo.

A família Sackler concordou em contribuir US$ 6 bilhões para os esforços de combate à crise dos opiáceos. O acordo também inclui US$ 750 milhões para compensar as vítimas, que podem ser elegíveis para receber entre US$ 3.500 e US$ 48.000.

A Purdue se declarou culpada separadamente em 2007 de uma acusação de crime de uso incorreto da marca OxyContin e pagou mais de US$ 600 milhões em multas e outros custos.

Em uma manobra para preservar a fortuna pessoal dos Sackler, a Purdue Pharma pediu falência em setembro de 2019.

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Os herdeiros dos irmãos Sackler

A família Sackler é atualmente formada por 20 membros descendentes dos três irmãos fundadores da empresa farmacêutica, que já morreram - Arthur, Mortimer e Raymond.

Além de Richard, outros membros da segunda geração da família Sackler que anteriormente atuaram no conselho da Purdue Pharma  incluíam o irmão de Richard, Jonathan, que morreu de câncer em 2020, e seu primo, Mortimer DA.

Os membros da terceira geração de Sackler, mesmo aqueles que não têm parentesco de sangue com a família, não conseguem se desvencilhar do papel da família na epidemia de opióides.

A esposa de David, Joss, fundou uma marca de roupas chamada LBV, que gerou polêmica logo após seu lançamento por aparentemente tentar minimizar os laços de Joss com os Sacklers e por supostamente oferecer Courtney Love (que, junto com seu falecido marido Kurt Cobain, publicamente lutou contra o vício em opioides) US$ 100 mil para aparecer em um de seus desfiles de moda. 

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Madeleine Sackler, filha de Jonathan (e neta de Raymond),  foi criticada por seu último filme, intitulado “O Horizon”. 

De acordo com Sarah Cascone da ArtNet , vários membros da tripulação ficaram desconfortáveis ​​​​com o assunto (sobre uma filha enlutada usando uma nova tecnologia de IA para erradicar sua dor) por causa da morte de Jonathan em 2020 e do envolvimento da família Sackler com OxyContin.

De acordo com o site de Madeleine , ela é uma “diretora e produtora ganhadora do Emmy que mora na cidade de Nova York e Los Angeles”. Seu site não faz menção às suas polêmicas conexões familiares. 

E em 2019, três museus, o National Portrait Gallery, as galerias de arte Tate e o Guggenheim, começaram a rejeitar doações da família Sackler no meio da crescente indignação com a crise dos opiáceos. 

A Universidade de Oxford anunciou em maio de 2023 que seus "edifícios universitários, espaços e cargos de pessoal" financiados por doações da família Sackler não levariam mais o nome da família.

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