Projetando um cenário hipotético em que o futuro do Brasil e da bolsa de valores sejam um assunto na ceia de Natal da sua família, trago algumas provocações que qualquer investidor deve fazer.

Quando falo em “provocações”, não necessariamente falo de se provocar aos outros, mas antes de tudo, a si mesmo.

Vamos, primeiro, a alguns fatos e as reflexões decorrentes deles.

Segunda-feira (20), pela segunda semana consecutiva, o Boletim Focus revisou para baixo as expectativas de inflação para 2021 e 2022.

Será que chegamos ao pico inflacionário?

Será que as expectativas começam a ser ancoradas em um horizonte um pouco mais longo?

Apesar da variante Ômicron forçar restrições Europa a dentro, a nova variante mostra casos mais leves do que as anteriores. 

Será que esse é o início do fim da pandemia?

E mesmo que não seja, será que teremos a mesma realidade aqui no Brasil, onde a aderência à vacinação é maior que na Europa, onde estamos entrando no verão, onde mais pessoas foram contaminadas e a dose de reforço já vem ganhando tração?

E a eleição de 2022? Qual sua percepção sobre ela agora?

→Como Investir no Cenário Econômco Atual? Veja as 3 Ações com Maior Potencial de Valorização no Brasil.

Na verdade, reformulo a minha provocação: mesmo que você não goste de algum candidato (ou de nenhum deles), o que de novo pode surgir ali que não esteja contemplado nas cotações atuais?

Já não conhecemos muito bem Bolsonaro ou Lula? E se nenhum dos dois ganhar, não era a terceira via que o mercado financeiro queria para ver a bolsa decolar?

Será que estaríamos sendo otimistas demais se pensarmos que “na hora do vamos ver” os extremos convergiriam ao centro em prol da governabilidade e da sobrevivência política?

Dilma caiu depois de muito peitar o Congresso Nacional e, enfim, perdê-lo.

Bolsonaro viu que seu fim seria semelhante e deu um passo atrás após o 7 de setembro.

Não estariam os candidatos à presidência muito cientes em algum nível de que, para governar, é preciso de uma coalizão robusta?

E vamos além…

Sim, pode até ser que a volatilidade gerada pelos meses que antecedem as eleições nos coloque em um patamar mais elevado na curva de juros.

O Ibovespa, pode sim, cair mais.

Mas vamos negociar a qual múltiplo de P/L?

Parece razoável o Ibovespa negociar abaixo de 6x lucros?

Será mesmo que o mercado nos trará uma oportunidade de ganhos tão obscena?

Aliás, você já não acha que estamos baratos o bastante negociando a 6x lucros, com empresas indo bem e distribuindo recordes de dividendos ao longo de 2022?

Ou até mais indo mais além, você se lembra de algum momento em que você já via tanto pessimismo alastrado e que a bolsa teve uma piora substancial subsequente?

O consenso espera um ano de:

  • Eleições tensas;
  • Taxa básica de juros em alta;
  • Recessão técnica;
  • Restrições derivadas da Ômicron;
  • Zero IPO na bolsa brasileira;
  • Zero reformas políticas;
  • E, consequentemente, uma trajetória fiscal sem direção definida.

Se tudo isso é verdade e namoramos a zona de 100 mil pontos na bolsa, qualquer erro de previsão do consenso aqui já seria o suficiente para o consenso errar.

O consenso pensa de forma rasa.

→Como Investir no Cenário Econômco Atual? Veja as 3 Ações com Maior Potencial de Valorização no Brasil.

O funcionamento do mercado de ações é o reflexo do descasamento do que a realidade apresenta versus o que estava embutido nas expectativas.

A bolsa de valores brasileira poderá subir mesmo se o consenso acertar.

As eleições podem ser marginalmente menos tensas do que o esperado.

Os juros serão altos, mas se forem levemente abaixo do que projeta o consenso?

E se a recessão técnica de fato vier, mas for menos e profunda do que o imaginado?

E se não houverem tantas restrições e problemas na cadeia de suprimentos derivados da Ômicron?

E se vermos um ou outro IPO de empresas bem preparadas, afinal, em tempos de mercados tensos, apenas as empresas boas se alçam à abertura de capital?

E se vermos um mínimo pacto para manter a trajetória fiscal saudável por parte dos candidatos?

E se a Eletrobras (ELET3) for de fato privatizada?

Como Escolher Boas Ações? Baixe o Checklist de 5 Critérios para Analisar Ações.

Veja, o mercado financeiro apostou tudo em 2021 dada a velocidade da retomada econômica.

A retomada foi rápida, mas a bolsa não foi bem.

Dá para errar o mercado mesmo acertando o cenário.

Projetando tantas coisas ruins para o ano que vem talvez seja um ótimo indício de que você deve se posicionar na bolsa brasileira agora mesmo.

Se em 2021 fomos a pior bolsa do mundo, um simples retorno às médias seria o bastante para pegarmos uma boa pernada de alta em 2022.

Antes de querer entrar em 2022 com respostas, temos que fazer as perguntas certas.

E aqui termino com uma pergunta: sua carteira de investimento está montada para qual cenário econômico e político?