Naji Nahas foi o melhor especulador que já pisou nestas terras, tanto que ficou conhecido como “o homem que quebrou a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro”.

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Nos anos 80, o investidor libanês chegou a ser dono de 7% das ações da Petrobras (PETR4) e 12% das da Vale (VALE3). 

Se alguém tivesse frações desse tamanho nas duas empresas nos dias de hoje, garantiria uma fortuna de cerca de US$ 12,2 bilhões. 

Valor suficiente para ser o segundo mais rico Brasil, atrás apenas de Jorge Paulo Lemann.

O empresário e especulador Nahas tomava emprestado de bancos para aplicar na bolsa de valores, fazendo negócios consigo mesmo, por meio de laranjas e inflando as cotações.

Em 1989, depois de fazer a bolsa subir cerca de 2.000%, os bancos pararam de lhe emprestar dinheiro, o que culminou na quebra da Bolsa de Valores do Rio (BVRJ).

Conheça a trajetória de Naji Nahas, como funcionava seu esquema e as consequências de sua especulação.

Quem é Naji Nahas

Naji Nahas é um empresário e investidor libanês, radicado no Brasil desde 1969. 

Seu nome está ligado ao mercado de valores brasileiro depois que as consequências de sua grande especulação financeira culminaram no fim da Bolsa do Rio de Janeiro.

Vida e carreira

Naji Robert Nahas nasceu em 1947, no Líbano. Em busca de melhores oportunidades, se mudou para o Brasil, em 1969, com 22 anos e alguns milhões de dólares de herança.

Em terras brasileiras, adquiriu fábricas, bancos, seguradoras, investiu até na criação de coelhos, entre outros negócios, mas foi na bolsa de valores que se encontrou.

Antes dos 40 anos de idade, Naji Nahas já era dono de um conglomerado multimilionário.

Na década de 1980, começou a investir em ações na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Com as mudanças nas regras, se voltou para a especulação na Bolsa do Rio. 

Em 1988, seu nome tomou as manchetes dos jornais ao manipular o mercado e criar uma bolha especulativa que culminou na quebra do mercado no ano seguinte.

Pelo esquema, Naji foi condenado a 24 anos e 8 meses de prisão, em 1997. Após recorrer, ganhou o direito de ficar em liberdade.

Dez anos depois, em 2007, foi inocentado do crime contra o sistema financeiro. 

Não demorou muito para que ele se envolvesse em outro caso polêmico.

Em 2008, Naji Nahas foi alvo da Operação Satiagraha, um dos desdobramentos das investigações do mensalão, e chegou a ser preso pela Polícia Federal.

Na ocasião, também foram detidos Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity, e Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo. 

Segundo a PF, Nahas e Dantas encabeçavam dois grupos criminosos que, associados, usavam informações privilegiadas para faturar no mercado de ações e lavavam dinheiro em paraísos fiscais. 

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Como Naji Nahas quebrou a Bolsa de Valores do Rio

Naji Nahas começou a investir no mercado financeiro na década de 1980, quando a economia brasileira enfrentava um período de muita volatilidade.

Juros altos, moeda desvalorizada e o fracasso dos planos Cruzado (1986), Bresser (1987) e Verão (1989) no controle da inflação trazia incertezas econômicas que se refletiam nas oscilações do mercado.

No meio disso tudo, as principais bolsas de valores da época, a paulista e carioca, estavam em um certo clima de rivalidade.

Para atrair mais investidores, o conselho de administração da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) aprovou, em 1988, uma nova forma de financiamento, as operações D-Zero.

Assim, a liquidação poderia ocorrer instantaneamente após o fechamento de cada contrato, por meio de financiamentos bancários, sem precisar esperar os cinco dias úteis, como era feito até então.

As novas regras atraíram muitos especuladores para a BVRJ, entre eles Naji Nahas.

Em busca de grandes retornos em um curto período, Nahas elaborou um esquema de compra de ações.

Com a ajuda de empréstimos bancários, ele comprava e vendia ações para si mesmo, através de “laranjas” e, dessa forma, manipulava uma alta artificial do mercado.

A estratégia de Nahas era utilizar de empréstimo de ações, pagas com empréstimos em bancos, enquanto as vendia a um preço maia alto antes de pagá-las.

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ele chegou a ter mais de 100 laranjas que compravam e vendiam ações para o próprio Nahas.

Assim, ele chegou a assumir um forte controle e, praticamente, ditava os preços das ações do mercado.

Naji Nahas teria mantido esse tipo de ação por meses, até que as autoridades ligaram o alerta sobre uma provável “bolha” especulativa.

Insatisfeito com a manipulação do mercado, o então presidente da Bovespa na época, Eduardo da Rocha Azevedo, solicitou aos bancos que parassem de emprestar dinheiro à Nahas.

No dia 9 de junho de 1989, Nahas teve seu pedido de financiamento negado pelo Planibanc. 

Na sequência, outros bancos que também negaram o empréstimo.

Com isso, Naji Nahas precisou apelar para o seu plano B. 

Ele então, emitiu um cheque sem fundos no valor de NCz$ 39 milhões (moeda da época) em nome da empresa Selecta, controlada por Nahas, para pagar a compra de ações.

Sem dinheiro para cobrir os cheques, muitas corretoras que intermediaram as transações ficaram com prejuízos e cinco delas faliram.

Quando a notícia se espalhou, o pânico tomou conta do mercado.

Como naquela época ainda não tinha o “circuit breaker” que só seria criado em 1997, as negociações da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro foram simplesmente suspensas.

Quando o mercado reabriu, houve uma queda generalizada no mercado de ações, com ativos perdendo cerca de 1/3 do seu valor.

Esse evento causou fragilidade no órgão, que nunca mais se recuperou.

Naji Nahas chegou a ser condenado a 24 anos e 8 meses de prisão, mas sua defesa alegou que o mecanismo usado por ele seria um comum na época e utilizado por inúmeros grandes investidores. 

Segundo Nahas, a crise da bolsa do Rio em 1989 ocorreu pela mudança nas regras de negociações de ações pelo presidente da entidade.

Esta opinião foi compartilhada na época por vários economistas que testemunharam a favor de Naji Nahas, que foi inocentado do processo.

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