Apesar dos custos mais elevados do crédito e da alta de preços dos imóveis, a demanda para compra e venda continua resiliente.

O presidente da Abecip, José Ramos Rocha Neto, afirma que “2022 provavelmente será o segundo melhor ano da história do financiamento imobiliário no Brasil”, quando se consideram apenas as operações das linhas com recursos da poupança, conhecidas como sistema SBPE.

O dirigente reconhece, dessa forma, que haverá queda na concessão neste ano comparado a 2021.

No entanto, lembra o executivo, o ano passado marcou o recorde de novos empréstimos, com volume de R$ 205,4 bilhões.

“Quando digo o segundo é porque, diante de um cenário macroeconômico mais desafiador, tende a ser menor que 2021, mas ainda assim muito forte.”

Nas estimativas da entidade, as novas operações com recursos da poupança vão alcançar R$ 195 bilhões em 2022, com queda de 4,9% em relação ao ano passado.

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Mas, no geral, a tendência, segundo a Abecip, é até haver uma alta do volume total de crédito imobiliário se forem consideradas também as concessões com “funding” pelo FGTS, que têm taxas subsidiadas e, portanto, “imunes” à alta da Selic.

Nesse caso, o total pode alcançar R$ 260 bilhões no ano, ante R$ 255 bilhões em 2021, com alta de 2%.

De fato, os resultados de janeiro mostram um volume de novas concessões de empréstimos habitacionais de R$ 14,5 bilhões, uma alta de 18,5% em relação ao mesmo mês de 2021.

A chegada de lançamentos em um cenário de baixos estoques [de novos imóveis] faz com que o motor do financiamento continue girando sem perder sustentação”, diz Rocha.

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De acordo com ele, a perspectiva é a de que o PIB cresça menos do que no ano passado, mas continue positivo. “Então a economia continua andando”.

O CEO da plataforma de comparação Melhor Taxa, Paulo Chebat, cita ainda a chegada ao mercado, nos últimos anos, de novas modalidades de crédito imobiliário, que podem ajudar a manter a demanda aquecida.

“No financiamento atrelado à taxa de poupança, por exemplo, o cliente financia com ‘hedge’ da caderneta e temos visto bancos utilizando a modalidade para aumentar o volume neste ano.”

No financiamento atrelado à poupança, as instituições cobram a variação da caderneta, hoje em 6,17% ao ano, mais um “spread” entre 2,95% e 3,99%.

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No piso, a taxa nominal ficaria em 9,12%, portanto abaixo da média do mercado, de 9,33%, segundo o portal Melhor Taxa.

No limite superior, o custo iria para 10,16%.

Um custo de poupança mais spread de pouco mais de 3% ainda fica interessante”, avalia o CEO do comparador. “Seria menor que o risco da inflação”, acrescenta Chebat.

Na visão do executivo, o cenário de Selic mais elevada também pode trazer um aspecto positivo.

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“O mercado ficou muito tempo sem inovação e os juros mais elevados possibilitam a entrada de novos players no financiamento imobiliário, por exemplo, quem já trabalhava com home equity, de crédito com garantia de imóveis, pode começar a oferecer também linhas de financiamento para aquisição”, pontua.

“Essa chegada de mais casas ofertando crédito pode ajudar o cliente que não conseguiu ser aprovado no banco ou tem dificuldade em comprovar a renda”, diz.

Fonte: Valor Econômico.