O que é Poupança Externa

Poupança Externa é o capital estrangeiro investido em um país, com o intuito de estimular seu crescimento interno, sob a forma de financiamento, gerando uma reserva financeira.

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Esse investimento geralmente é feito pelo governo de um país desenvolvido em outro em desenvolvimento, pois a poupança interna deste parece insuficiente para estimular sua economia interna.   

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Características de Poupança Externa 

Poupança Externa surgiu a partir da teoria do desenvolvimento econômico, nas décadas de 1940 e 1950, visando a influência do investimento do capital estrangeiro nos países em desenvolvimento.

Ela foi incentivada em países como o Brasil, entre os anos de 1980 e 1990, através das ideias do Consenso de Washington, como alternativa para seu crescimento interno.

Acreditava-se que, com o investimento externo, seria estimulada a abertura financeira e comercial, tornando seus investimentos maiores e mais produtivos, aumentando a competitividade das empresas brasileiras, em relação às internacionais.

Seu funcionamento acontece através de duas formas:

  • Parcerias;
  • Dependência e dívidas.

A parceria ocorre quando o país estrangeiro investe no outro, visando o retorno de parte do valor investido.

Já a dependência ocorre quando os dois países estabelecem uma relação em que o país estrangeiro apenas empresta determinada quantia, a base de juros, gerando essa dívida do devedor ao credor.

Aparentemente, Poupança Externa sinaliza um aumento da taxa de investimento no país em que recebe o financiamento, porém, não sustenta um cenário para que a dívida seja paga futuramente.

Há uma taxa de crescimento inicial, mas seu crescimento potencial ocorre em declive, pois passa-se à acumulação da dívida e ao aumento de juros, absorvendo muito as receitas das exportações. 

Assim, com uma dívida em ascensão, haverá menos investimentos, ocasionando em uma recessão no país devedor.

Uma das causas é a apreciação cambial, que é positiva para o consumo, mas não ao investimento, segundo o economista Luiz Carlos Bresser Pereira.

Isso ocorre, porque Poupança Externa passa a substituir a poupança interna, gerando os déficits na conta de transações correntes e impactando negativamente na competitividade das indústrias nacionais.

De acordo com Bresser, com a apreciação cambial, os salários aumentam de forma artificial, assim como os dividendos e juros dos rentistas do país devedor.

Então, o governo do país credor se beneficia, pois torna-se um investidor direto no consumo interno de seu devedor, devido aos investimentos e empréstimos realizados. 

Desta maneira, gera grande dependência ao capital externo, devido ao aumento dos déficits em transações correntes pela apreciação cambial, sendo o investimento estrangeiro determinante para o equilíbrio do balanço de pagamentos.

Assim, as importações tendem a aumentar e a indústria nacional perde parcela de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), desaquecendo esse setor.

Consequências de Poupança Externa nos Países Latino-americanos 

Embora aparentasse ser uma boa política econômica de desenvolvimento, Poupança Externa, no final dos anos 1990, ocasionou uma desestabilização nas economias dos países latino-americanos, como Brasil, México e Argentina, principalmente.

Poupança Externa usa o capital estrangeiro para o aumento da taxa de investimento, assim como das importações de bens, financiando os déficits em conta corrente, fazendo a economia crescer.

Notou-se, nos países latino-americanos, o retorno do equilíbrio fiscal, abertura ao capital e financiamento estrangeiro, aumento das privatizações, respaldando-se também em organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Estes países, que estavam com dívidas, estabilizaram-se após adotarem uma âncora cambial.

Então, Poupança Externa foi o capital que permitiu-lhes poder de crédito, equilibrando os déficits em conta corrente, a partir dos investimentos externos. Além disso, mantiveram-se com uma baixa taxa cambial.

Porém, as consequências não foram positivas

Isto se deve a dois ciclos, chamado ciclo populista, combinado com o “ciclo de ingresso de capitais”.  Com Poupança Externa, a taxa de câmbio é fixada e aumentam-se os gastos do Estado.

Depois, a taxa de câmbio é sobrevalorizada, a taxa de inflação diminui, o consumo e importações aumentam, e as exportações decrescem.

Assim, ocorre um desequilíbrio no balanço de pagamentos, depreciação da taxa cambial, gerando estritas políticas fiscal e monetária.

Dessa forma, Poupança Externa gerou, através da teoria de desenvolvimento aplicada, uma recessão, desestabilização e dependência aos credores.