O que é Plano Brady

Plano Brady é o nome dado à estratégia de renegociação da dívida externa de diversos países da América Latina no final dos anos 1980 que passavam por Crises da Dívida, incluindo o Brasil, que aderiu ao Plano em 1994, durante o governo de Itamar Franco.

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O Plano tem esse nome em homenagem ao Secretário do Tesouro dos Estados Unidos Nicholas Brady, do governo Bush, que ajudou na formulação da nova proposta de negociação que deveria ser seguida pelos bancos norte-americanos, que comprariam os bônus emitidos pelo Brasil.

A nova proposta incluía mecanismos de redução da dívida externa, sendo necessário para os bancos credores aceitarem redução da dívida, dos juros, e aumento dos prazos de pagamento, e aos países devedores a apresentação de propostas e mecanismos de redução da dívida.

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Funcionamento do Plano Brady 

O Plano Brady inovou ao utilizar a emissão de títulos ou bônus, também chamados de Brady Bonds, dos países credores para que estes fossem comprados por bancos ou investidores estrangeiros, substituindo em grande parte a realização de empréstimos bancários diretos.

Os títulos eram emitidos pelo governo de cada país devedor, em seguida eram securitizados e rastreados pelo Tesouro Nacional norte-americano, negociados na bolsa de valores e vendidos aos credores. Havia então o abatimento do capital e dos juros da dívida externa.

A dívida passou a ser gerenciada de modo político, e não ficou encerrada apenas entre as entidades bancárias.

Essa nova modalidade exigiu uma grande participação do Fundo Monetário Internacional (FMI). O envolvimento do FMI se deu por conta de sua própria função: ajudar os países membros a solucionar problemas da balança de pagamento e auxiliar na viabilidade externa.

Nesse sentido, o FMI auxiliou a negociação entre credores e devedores, contribuiu para que os países credores realizassem mudanças nas próprias políticas e adotou a política de concessão de crédito a países devedores com pagamentos em mora.

Além disso, o funcionamento do Plano Brady envolvia o compromisso dos bancos, por um lado, que deveriam conceder a redução da dívida externa (uma espécie de alívio no montante da dívida), em média uma redução de 35%, e também dos juros.

E por outro lado, os países devedores deveriam assinar acordos aceitando a implantação de ações e medidas de cunho liberal, tornando o mercado do país devedor mais liberal. A intermediação desse acordo foi feita pelo FMI.

Com o Plano Brady, ambos credores e devedores estavam numa situação melhor, uma vez que as Crises da Dívida em alguns países periféricos, como os da América Latina, estavam afetando os sistemas bancários a nível mundial por estarem interconectados.

O Plano Brady no Brasil 

O Brasil havia arrastado sua Crise da Dívida por toda a década de 1980, e havia passado por diversas trocas de moeda com intuito de frear a inflação inercial e fortalecer a taxa de câmbio para diminuir sua dívida externa.

O Brasil assinou o Plano Brady apenas em 1994, no governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda. Assim, o Governo emitiu o equivalente a 40 a 50 bilhões de dólares em títulos brasileiros, aqui chamados de Bradies.

A disponibilização dos Bradies aos credores teve sucesso pois eram ativos de grande liquidez, que possuíam a habilidade e facilidade de serem negociados diariamente no mercado financeiro norte-americano, e eram títulos de renda fixa pré ou pós-fixados.

Os Bradies tiveram efeitos na renegociação da dívida externa brasileira, e no período também auxiliou no controle da inflação. Contudo, em 2006 o Governo brasileiro renunciou a recompra dos Bradies, que tinham validade até 2024.