Antes de adentrarmos nas questões domésticas, vou expor rapidamente a visão que temos lá de fora, a fim de entendermos o que pode se apresentar aqui no Brasil dentro de alguns meses.

Enquanto lá fora os investidores, preocupados com a variante delta do Covid no Reino Unido, migram novamente os portfólios para techs (em geral empresas que se beneficiam de restrições à circulação de pessoas).

O resto da Europa reportou o melhor índice de sentimento econômico dos últimos 21 anos. 

Soma-se a isso as discussões sobre os pacotes de infraestrutura trilionários de Joe Biden.

Resumo da ópera: ainda que a recuperação econômica não seja exatamente linear, ela é intensa e encontra sobressaltos em alguns momentos específicos.

Mesmo com mais da metade da população britânica totalmente vacinada, as autoridades ainda são relutantes em encerrar as restrições que ainda perduram.

Não deve ser surpreendente para nós brasileiros se estivermos falando disso em meados de outubro e novembro, por isso, estejamos preparados.

Isso não deve ser empecilho para uma forte retomada da atividade no segundo semestre.

Mas o que fica aqui é que, de maneira geral, seguimos otimistas com o que está por vir e é assim que podemos ver onde estão as oportunidades do segundo semestre.

A vacinação segue em ritmo acelerado e adentrando faixas etárias médias, assim já se percebe uma estabilização e até forte redução de internações em lugares específicos.

E vale reforçar aqui: no segundo semestre de 2021, em algum momento, viveremos uma pequena euforia econômica ao vermos uma reabertura e retomada mais contundentes.

Por mais que esteja no radar, acredito ser difícil isso não gerar um rally nos ativos negociados na bolsa de valores.

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Ok, mas e a reforma tributária proposta pelo Governo?

Passado o ruído de sexta-feira (25) e de segunda-feira (28), a ambiência volta a prevalecer.

Todo mundo sabe que a proposta de reforma vai ser mexida.

Arthur Lira, presidente da Câmara, já fala em reduzir o imposto sobre dividendos de 20% para 15%, alegando que se cogita inclusive uma alíquota de apenas 10%.

E outra: será mesmo que os FIIs vão ser tributados?

Discute-se muito a semelhança que um Fundo Imobiliário teria de LCIs, LCAs e até do próprio FIAgro.

Se for para se manter a isonomia tributária, a ideia é que se tribute igualmente esses instrumentos.

Porém não parece viável fazê-lo, então a chance de se tributar FIIs reduz muito.

Aliás, pouco se fala, mas dá para dizer que hoje os FIIs estão com uma relação risco retorno muito favorável.

O Marcelo Fayh tem boas pedidas em FIIs de tijolo, que além de terem sofrido mais do que o razoável nos últimos dias, ainda se beneficiam da retomada do segundo semestre.

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Por último, mas não menos importante, fala-se em um aumento relevante da tarifa de energia elétrica na bandeira vermelha.

Será que teremos inflação à vista?

Não temos como saber, mas uma coisa deve ficar clara: juro alto não é dança da chuva.

Dependemos mais de São Pedro do que do Banco Central nessas horas.

Um exagero na dose do juro esse ano pode refletir em uma economia mais fraca em 2022.

Já se fala em uma Taxa Selic de 7% até final do ano, mas, ao menos no meu entendimento, ir além disso pode ser exagero.

Temos de conviver bem com o fato de que teremos uma inflação mais alta e transitória agora para 

Se isso pode ser considerado um risco mais a frente, entendo que sim, mas parece estar em grande parte incorporado aos preços atuais.

Diante de tanta oportunidade boa e barata, é hora de escolher papéis que possuem vida própria nesse momento.