O Que é Listagem Direta de Ações?
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O Que é Listagem Direta de Ações?

A listagem direta ganhou mais visibilidade depois que foi utilizada por conhecidas startups.

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Atualizado em 15/04/2021

Listagens Diretas e ofertas públicas iniciais (IPOs) são dois métodos para listar uma companhia e começar a negociar publicamente as ações.

Enquanto a maioria das empresas opta por fazer um IPO, na qual novas ações são criadas, subscritas e vendidas ao público, algumas optam por um caminho alternativo.

A listagem direta ainda é pouco difundida, porém pode oferecer vantagens tanto para a companhia como para os investidores.

Essa modalidade ganhou mais importância depois que empresas de alta tecnologia como Spotify (S1PO34), Slack (WORK), Palantir Technologies (PLTR), Roblox (RBLX) e Coinbase (COIN) a utilizaram para listar suas ações.

Veja o que é listagem direta, como funciona, diferenças e vantagens frente ao IPO.

O que é listagem direta

Listagem direta (direct listing) é um processo para a venda ações na bolsa de valores diretamente ao público, sem a ajuda de intermediários.

Ou seja, não envolve subscritores, não há emissão de novas ações e não há período de indisponibilidade.

Assim, os atuais investidores, membros e funcionários que já possuam ações da empresa podem vendê-las diretamente ao público.

As ações oferecidas em listagem direta são vendidas pelo preço de mercado e qualquer investidor pode comprá-las.

Diferente de um IPO, onde o objetivo principal é captar dinheiro por meio da venda de um lote de ações, a listagem direta não envolve a captação de recursos para a empresa.

Por isso, a listagem direta só faz sentido para empresas que não precisam levantar mais recursos e que querem economizar na abertura de capital.

Seja por meio de uma listagem direta ou IPO, todas as empresas listadas na Bolsa de Valores estão sujeitas aos requisitos de governança aplicáveis às empresas de capital aberto. 

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Como funciona a listagem direta

A listagem direta funciona como uma opção facilitada de para uma empresa lançar suas ações na bolsa de valores.

Todo o processo é feito pela própria empresa, sem a necessidade de contratar bancos para subscrever a transação. Isso deixa o processo muito mais barato.

Algumas empresas até acabam contratando instituições financeiras para ajudar no processo, mas como conselheiros. Neste caso, as taxas continuam existindo, mas em valores bem menores.

Além de economizar nas taxas bancárias, outra grande diferença entre é que a listagem direta permite que investidores e funcionários  convertam suas participações na empresa em ações e disponibilizem estes ativos para novos acionistas, sem restrições.

Não há períodos de lock-up que impedem os acionistas de vender suas ações por um determinado período após a oferta como ocorre no IPO.

Em dezembro de 2020, a Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, aprovou o plano da bolsa de valores de Nova York (NYSE) para novo tipo de listagem direta.

Diferente da antiga listagem, onde a emissão de novas ações não era permitida, com a nova proposta a empresa poderá emitir novas ações e vendê-las a investidores públicos no primeiro dia de negociação.

A nova decisão da SEC pode tornar as listagens diretas uma alternativa mais popular ao IPO tradicional.

A empresa que optar pela listagem direta poderia fazer o antigo e o novo tipo de listagem em conjunto.

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Vantagens da listagem direta

A listagem direta é um processo menos centralizado e mais democrático, apresentando benefícios tanto para as empresas que optam por esse processo quanto para os investidores.

Para a companhia que deseja listar suas ações na bolsa, além de economizar em taxas e evitar as restrições usuais de IPO, a listagem direta permite que os colaboradores e proprietários vendam suas ações diretamente.

Para ter as ações negociadas na bolsa de valores, não é necessário um banco subscritor para avaliar a empresa, apresentá-la aos investidores e disponibilizar as ações no mercado como ocorre no IPO.

Toda essa participação dos intermediários na oferta inicial tem um custo. No IPO, os subscritores cobram, em média, de 2% a 8% de todo o dinheiro levantado na oferta para fazer essa ponte.

Como na listagem esse intermediário não está presente, o processo se torna muito mais barato.

Isso, aliado ao fato de permitir que os fundadores e os primeiros investidores lucrarem com a venda das suas participações, faz com que esta seja uma alternativa interessante para startups que não precisam captar dinheiro com a abertura de capital.

Da perspectiva do investidor individual, a listagem direta oferece mais oportunidades, uma vez que todas as informações são oferecidas igualmente a todos investidores.

No caso dos IPOs, investidores institucionais acabam se beneficiando, uma vez que os bancos de investimento realizam uma série de “roadshows” para promover e vender os IPOs.

Desvantagens da listagem direta

Apesar da vantagem de custos mais baixos, a listagem direta também traz certos riscos para a empresa, que se estendem aos investidores. 

Primeiro, porque esse processo não oferece as mesmas garantias institucionais de um IPO.

Não há suporte ou garantia para a venda de ações. As empresas oferecem suas ações ao público como se fosse um “leilão”.

As ações são vendidas pelo preço de mercado e não há defesa dos grandes acionistas contra qualquer volatilidade no preço das ações durante e após a listagem das ações.

A listagem direta tradicional também se torna viável ​​apenas para um pequeno número de startups já estabelecidas financeiramente..

Já que a maioria das empresas abre o capital com o objetivo de levantar dinheiro para financiar suas operações.

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Exemplos de listagem direta

A listagem direta ainda é um processo pouco difundido. Em sua grande maioria, as empresas que o utilizaram tem um perfil característico:

Empresas de tecnologia, com poucos anos de vida, mas que já alcançaram um nível de popularidade e valor de mercado.

Nessa linha, o Spotify (S1PO34) foi o primeiro a abrir o capital dessa maneira em 2018 na Bolsa de Nova York.

Naquela época, a gigante sueca já liderava o mercado global de streaming de música, fato que ajudou a dissipar boa parte dos riscos.

A startup Slack (WORK), que desenvolve um sistema de comunicação corporativo, também abriu seu capital pela listagem direta, assim como a plataforma de jogos infantis Roblox (RBLX).

Recentemente, a Exchange de criptomoedas Coinbase seguiu o mesmo processo ao estrear na Nasdaq.

No Brasil, a rede de academias de ginástica Smart Fit (SMFT3) está listada na B3 sem nunca realizar um IPO, assim como o Assaí (ASAI3).

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Diferença entre IPO e listagem direta

A listagem direta de ações é comumente confundida com o processo de IPO.

IPO é a sigla em inglês para oferta pública inicial, é um processo de abertura de capital longo e caro, que exige bancos de investimento como intermediários.

Ao colocar novos papéis em circulação, é uma maneira da companhia levantar recursos para sua expansão.

No IPO, o preço inicial da ação também é definido conforme a demanda apurada nas semanas que antecedem a abertura de capital.

Esse número representa a expectativa dos investidores para que o IPO seja considerado um sucesso, no curto prazo.

Já a listagem direta é um processo muito mais simples.

Não há intermediários nem o lançamento de novas ações. São negociadas somente aquelas que já têm dono.

Por outro lado, também não existem mecanismos que freie a volatilidade no preço das ações durante o primeiro dia.

Listagem direta vale a pena?

Em tese, a listagem direta removeria os passos mais problemáticos da abertura de capital e muito mais democrático.

Qualquer investidor pode participar. Investidores institucionais, bancos, fundos de pensão, e pessoas físicas competem em pé de igualdade pelas ações disponibilizadas.

Para a empresa, o processo de listagem direto também acaba saindo mais barato.

Porém, como é um conceito relativamente novo e ainda testado pelas empresas, não se sabe como se comportaria com empresas menos conhecidas ou quando as ações não tivessem tanta demanda. 

Análise de Ações

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