O Que é Fundo Soberano e Como Funcionam os Maiores do Mundo
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O Que é Fundo Soberano e Como Funcionam os Maiores do Mundo

Os fundos soberanos de investimentos (FSIs) ganharam importância no debate econômico e já são considerados investidores institucionais significativos.

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Atualizado em 12/01/2021

O fundo soberano ainda causa muitas dúvidas. É comum escutar esse nome nos noticiários econômicos, mas você sabe o que é e como funcionam esses instrumentos financeiros?

A primeira coisa que você precisa saber é que eles são bem diferentes dos demais fundos de investimento existentes no mercado financeiro.

Um fundo de riqueza soberana é um tipo de fundo que alguns países utilizam como parte de suas reservas internacionais.

Os ativos deste fundo podem ser derivados de uma variedade de fontes e usados ​​para uma variedade de propósitos, dependendo do país.

Geralmente são compostos de recursos oriundos de lucros realizados com a extração de recursos minerais, além dos royalties provenientes dessas atividades.

As alocações desses recursos podem ser feitas em ações de companhias estrangeiras, títulos públicos, imóveis, entre outros.

De modo geral, à medida que os países aumentam suas reservas monetárias, eles buscarão diversificar as carteiras de reservas e gerar retornos maiores

Desde 2005, pelo menos 40 fundos soberanos foram criados.

Entre os principais fundos soberanos do mundo temos o da Noruega, Singapura, China e Dubai.

Saiba o que é fundo soberano, como funcionam esses importantes instrumentos estatais.

O que é o Fundo Soberano?

Fundo Soberano, em inglês Sovereign Wealth Funds (SWF), é um tipo de fundo de investimentos administrado pelo governo de um país ou região com um objetivo pré-determinado.

Entre os principais objetivos para a criação de Fundo de Riqueza Soberana estão:

  • Proteger e estabilizar o orçamento e a economia do excesso de volatilidade nas receitas / exportações;
  • Diversificar as exportações de commodities não renováveis;
  • Auxiliar autoridades monetárias a dissipar liquidez indesejada;
  • Aumentar a economia para as gerações futuras;
  • Financiar o desenvolvimento social e econômico do país;
  • Crescimento de capital sustentável de longo prazo para os países-alvo;
  • Estratégia política.

Os fundos soberanos de investimentos geralmente usam de recursos oriundos dos ganhos com royalties, reservas internacionais ou excedentes da arrecadação fiscal ou do lucro de estatais em sua composição.

Os países árabes e a Noruega, por exemplo, utilizam-se primariamente da arrecadação dos royalties da produção de petróleo para formar seus respectivos fundos soberanos.

Esses recursos são investidos nos mais diferentes ativos, desde ações de empresas estrangeiras até títulos públicos e moedas de outros países.

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Como funcionam os fundos soberanos?

Um fundo soberano é um fundo de propriedade de um estado ou governo, composto de ativos financeiros como ações, títulos, imóveis e demais instrumentos financeiros.

Semelhante a qualquer tipo de fundo de investimento, têm seus próprios objetivos, termos, tolerâncias de risco, correspondências de passivos e questões de liquidez. 

Dependendo dos ativos e objetivos, a gestão de risco dos fundos soberanos pode variar de muito conservadora a uma alta tolerância ao risco.

Em geral, os fundos de riqueza soberanos têm as seguintes características:

  • Condomínios de ativos domésticos e estrangeiros pertencentes a uma pessoa jurídica de direito público;
  • São legal, financeira e operacionalmente isolados de outros ativos e responsabilidades do Estado;
  • Permanecem à disposição para se buscar uma série de objetivos públicos, monetária, cambial, administração de regimes de pensão públicos ou o uso dos recursos para o desenvolvimento econômico e social.

Tipos de Fundos de Riqueza Soberana

Os fundos soberanos são tradicionalmente classificados em:

  • Fundos de estabilização
  • Poupança ou fundos de geração futura
  • Fundos de reserva de pensão de benefício público
  • Reserva de fundos de investimento
  • Fundos Soberanos de Desenvolvimento Estratégico (SDSWF)
  • Fundos direcionados a setores específicos
  • Ativos de reserva em moeda estrangeira. 

Os Fundos Soberanos de Investimento existem desde a década de 50, quando foram criados os fundos do Kuwait e da Arábia Saudita.

O propósito era acumular os recursos da exploração de recursos naturais para uso futuro e permitir investimentos de longo prazo com boas rentabilidades.

Uma vez que o petróleo é um recurso finito, era preciso um mecanismo para guardar as receitas e promover a otimização dos recursos obtidos.

No decorrer das décadas seguintes, novos países criaram instrumentos semelhantes e os objetivos foram sendo ampliados.

Ao analisarmos as características macroeconômicas dos países que possuem fundos soberanos encontramos com principais determinantes para seu estabelecimento:

  • Superávits significativos de conta corrente;
  • Dependência das exportações de combustíveis e minérios e a necessidade de transformação dos recursos naturais em ativos financeiros;
  • Altos níveis de poupança interna;
  • Redução de riscos futuros que possam afligir a economia.
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Maiores fundos soberanos do mundo

Atualmente, existem diversos fundos soberanos no mundo. Entre os maiores por ativos totais temos:

ClassificaçãoFundo SoberanoTotal de ativosRegião
1Fundo de pensão do governo da NoruegaUS$ 1.122.110.000.000Europa
2China Investment CorporationUS$ 1.045.715.000.000Ásia
3Autoridade de Investimento de Abu DhabiUS$ 579.621.120.000Oriente Médio
4Carteira de Investimentos da Autoridade Monetária de Hong KongUS$ 576.029.000.000Ásia
5Autoridade de Investimentos do KuwaitUS$ 533.650.000.000Oriente Médio
6GIC Private LimitedUS$ 453.200.000.000Ásia
7Temasek HoldingsUS$ 417.351.000.000Ásia
8Conselho Nacional do Fundo de Segurança SocialUS$ 372.068.000.000Ásia
9Fundo de Investimento PúblicoUS$ 347.000.000.000Oriente Médio
10Corporação de Investimento de DubaiUS$ 301.527.000.000Oriente Médio

Fonte: SWF Institute

1- Fundo de pensão global do governo da Noruega

Government Pension Fund of Norway é um Fundo Soberano localizado em Oslo, Noruega, Europa.

Com ativos que valem mais de US$ 1 trilhão, o fundo soberano da Noruega é o maior fundo de investimentos do planeta.

Criado em 1990 para reter as receitas excedentes da exploração de petróleo do país, tem como objetivo assegurar às gerações futuras uma aposentadoria mais segura e tranquila, uma vez que o petróleo não durará para sempre.

O fundo é gerido pelo Norges Bank Investment Management e conta com boa parte dos investimentos na renda variável.

Em 2019, a composição do fundo era de 71% em ações, 27% em renda fixa e 3% em imóveis.

Ao todo o fundo tem participação em cerca de 9 mil empresas em todo o mundo, entre elas estão a Microsoft (MSFT34), Apple (AAPL34), Nestlé e Samsung.

Além de ser proprietário de inúmeras propriedades localizadas nas cidades de Nova York e Paris.

Em 2019, apresentou uma rentabilidade de 19,9%, com destaque para as ações com uma rentabilidade de 26,0%. 

2- China Investment Corporation (CIC)

O Fundo Soberano de Riqueza da China é o maior dos cinco fundos da China. Assim como os demais, é usado para administrar parte das reservas de moeda estrangeira do país. 

Os fundos chineses se  beneficiam de uma economia de exportação e de grandes reservas de moeda estrangeira  que precisam ser investidas.

Localizado em Pequim, China, esse fundo foi fundado em 2007.

3- Abu Dhabi Investment Authority

A Autoridade de Investimento de Abu Dhabi (ADIA) é um Fundo Soberano de Riqueza localizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, fundado em 1976.

Esse fundo foi criado com o objetivo principal de reinvestir o excesso de receita da exploração de petróleo.

4- Autoridade Monetária de Hong Kong 

O Fundo de Câmbio da Região Administrativa Especial de Hong Kong (HKMA IP) é um Fundo Soberano localizado em Hong Kong, Ásia, fundado em 1935 para apoiar a estabilidade financeira de Hong Kong.

5- Autoridade de Investimentos do Kuwait (KIA)

O fundo soberano do Kuwait foi fundado em 1953 e é alimentado pelas receitas que o país gera com a exploração e produção de petróleo.

6- Fundo Soberano de Riqueza de Cingapura

O GIC Private Limited (GIC) é um Fundo Soberano de Riqueza localizado em Cingapura, Ásia, fundado em 1981.

Maior dos dois fundos de Cingapura, o Singapore Investment Corporation, atual, GIC Private Limited, é subdividido em:

  • GIC Asset Management: investe em ações, títulos, câmbio e investimentos alternativos.
  • GIC Real Estate: Este fundo detém propriedades em todo o mundo, bem como investimentos em  REITs.
  • GIC Special Investments Private Limited: investe em aquisições alavancadas, capital de risco e infraestrutura.

As receitas do fundo provêm das altas taxas de poupança e investimento de empresas neste centro financeiro.

7- Temasek Holdings

O Temasek é o segundo Fundo Soberano de Cingapura.

Fundado em 1974, ele se concentra em investimentos em ações na Ásia e demais investimentos relacionados à energia.

8- Conselho Nacional do Fundo de Segurança Social da República Popular da China (NSSF)

O NSSF é um fundo soberano de reserva da seguridade social da China criado em 2000.

As fontes de financiamento do NSSF incluem a alocação fiscal do governo e transferência de capital estatal.

9- Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF)

O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) é um Fundo de Riqueza Soberano localizado em Riade, Arábia Saudita.

Fundado em 1971, tem como objetivo principal apoiar financeiramente projetos e investimentos alinhados à estratégia de expansão da economia do país.

O fundo tem uma abordagem de investimento multissetorial, com uma série de investimentos importantes nos setores de refino de petróleo, fertilizantes, petroquímica e eletricidade. 

10-  Corporação de Investimento de Dubai (ICD)

O Investment Corporation of Dubai (ICD) é um Fundo Soberano localizado em Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Fundado em 2006, o ICD administra um amplo portfólio de ativos, tanto local quanto internacionalmente, em um amplo espectro de setores que apoiam a economia do país.

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Fundo Soberano do Brasil (FSB)

O fundo soberano brasileiro foi criado em 2008 pela Lei nº 11.887 e posteriormente extinto pela Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019.

O objetivo era oferecer suporte financeiro ao governo em momentos de crise e fazer investimentos no Brasil e no exterior.

O Fundo Soberano do Brasil teve início com um aporte de R$ 14,2 bilhões do governo federal.

Porém, após investimentos ruinosos e mal planejados, o capital do fundo foi corroendo.

Ele também acabou sendo utilizado para outros fins, especialmente para o pagamento de parte da dívida pública. Consequentemente, em 2018 ele foi extinto.

Fundo soberano x Reservas internacionais

O fundo soberano e as reservas em moeda estrangeira possuem aspectos bem diferentes na gestão da riqueza de um país.

Enquanto as reservas em moedas estrangeiras constituídas pelos Bancos Centrais focam na liquidez, os fundos soberanos têm a tendência de preferir a rentabilidade dos ativos.

As reservas internacionais são depósitos em moedas estrangeiras dos bancos e autoridades monetárias dos países que buscam oferecer maior estabilidade cambial.

A manutenção dessas reservas funciona como um seguro de curto prazo e permite a manipulação do mercado de câmbio frente a choques externos.

Por esse motivo, as reservas internacionais costumam ser mantidas em ativos como menor risco e maior liquidez possível, como os títulos de curto prazo do Tesouro americano, por exemplo.

Já os fundos soberanos têm como objetivo a elaboração de uma carteira de investimentos que possa gerar boa rentabilidade para o país.

Os gestores de um FSR estão habilitados a investir em classes de ativos mais arriscados, incluindo ações.

Os fundos soberanos servem para assegurar ao país a capacidade de se financiar em momentos de crises, direcionar investimentos para o desenvolvimento econômico ou construir um futuro melhor aos seus habitantes.

Por conta do tamanho desses veículos estatais, tanto como proporção de suas respectivas economias como, do PIB mundial, os fundos soberanos se tornam instrumentos relevantes.

Diversos fundos globais investem no Brasil.

O fundo soberano da Noruega, por exemplo, possui US$ 9,6 bilhões investidos no Brasil. Destes, US$ 7,6 bilhões são em ações de 136 empresas e US$ 2 bilhões em renda fixa.

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