Vou começar o texto de hoje com uma provocação que, se não se aplica diretamente ao melhor leitor, certamente se aplica àqueles que o entornam quando o assunto da mesa é investimentos.

Os desdobramentos do 7 de setembro e do furo do teto de gastos anteciparam o tema Eleições 2022, que geralmente começam a fazer preço ao final do primeiro semestre dos anos eleitorais.

Dito isso, todos os efeitos comuns em anos eleitorais foram antecipados para os últimos meses.

Juros oscilando em níveis mais altos, queda da bolsa de valores com o mercado de ações sem perspectiva de uma 3ª via reformista.

O risco que se corria está dado. Materializado.

O que poderia ocorrer com o risco eleitoral, com as informações que se sabem, é isso que estamos vendo.

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Nessas horas surgem os espertinhos de plantão que querem “cravar” o cenário. Favorecendo afirmações como:

  • “Vou esperar cair mais”.
  • “Vou esperar o resultado das eleições”.
  • “Vamos ver se o Lula vai com o Mantega ou com Marcos Lisboa e sua turma”.
  • “Vamos ver se Bolsonaro vai com Guedes ou com a turma de generais”.
  • “Antes de tudo quero ver se alguém da terceira via vai para o segundo turno”.

Questionamentos totalmente válidos. Eu também gostaria de saber tudo isso.

Mas fica aqui o aviso: um dia saberemos e, nesse dia, não teremos mais os preços de hoje.

Os preços atuais, com o Ibovespa rodando em torno de 6,5x lucros, só podem ser encontrados no presente. Hoje.

Esperar para saber alguma dessas respostas pode significar comprar ações com o Ibovespa a mais de 120 mil pontos.

Há pouco downside no radar e, claro, não quer dizer que não teremos volatilidade.

As probabilidades hoje estão a favor do comprador, não do vendedor.

Além disso, há um risco que parece bem menos incorporado aos preços em relação às eleições seria uma alta mais vigorosa dos juros norte-americanos.

O Federal Reserve (FED) parece estar patinando nas mesmas questões que o BCB patinou e a demora para um aperto monetário mais contundente pode exigir juros americanos mais altos e mais duradouros do que o previsto, tal qual estamos vivendo por aqui. 

Ao meu ver, e posso estar muito equivocado, esse cenário seria um quadro desfavorável pouco precificado.

Isso exigiria, eventualmente, taxa de juros mais alta por aqui e também penalizaria ativos de risco e, entenda-se por isso, bolsa.

As eleições são os mesmos ruídos de sempre com atores já conhecidos.

Muito diferente de um discurso de palanque, é o que seria um governo viável a partir de 2023.

Se por um lado houve furo do teto e alguma resistência com reformas por parte do governo atual, essa postura dificilmente se manteria após uma reeleição, na qual só será possível com alguma convergência ao centro, tanto no que diz respeito às bases aliadas no Congresso quanto no que diz respeito à base eleitoral.

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O mesmo poderemos dizer sobre um eventual governo Lula… qualquer aventura fiscal ou intervencionista geraria um dólar mais alto e consequentes altas de inflação e juros, algo que afetaria, principalmente, a base eleitoral.

Acima das boas (ou más) intenções dos candidatos, está a necessidade de sobrevivência política.

O mercado é agnóstico a vieses políticos e totalmente aético (não confunda com antiético) em relação aos atores.

Seja lá quem for, um mínimo de bom senso e o próprio senso de sobrevivência política já são o bastante para não nos aventurarmos no escuro.

Goste você ou não dos possíveis presidentes, nenhum deles oferece mais um mergulho no desconhecido.

A bolsa de valores está barata e você deve aproveitar.

Problemas vêm e vão, governos vêm e vão. As boas empresas ficam. 

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