Luciano Hang, carinhosamente chamado de "véio da Havan", se tornou o grande rosto e comandante da loja que fundou em 1986 em um espaço de 45m², em Brusque, Santa Catarina. Atualmente, a Havan possui mais de 160 lojas em todo o Brasil. 

Irreverente, polêmico e midiático, Hang também é conhecido por sua popularidade nas redes sociais e por ser apoiador do presidente Jair Bolsonaro.

Desde 2019 o empresário faz parte de um clube seleto, o dos brasileiros mais ricos do mundo na lista da Forbes.

Conheça mais da trajetória do bilionário brasileiro, Luciano Hang, e de suas megalojas com as réplicas da Estátua da Liberdade.

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Quem é Luciano Hang

Luciano Hang é empresário, cofundador e proprietário da Havan, uma das maiores lojas de departamentos do Brasil.

Seus outros empreendimentos incluem um posto de gasolina, uma usina hidroelétrica, uma administradora de imóveis e duas agências de publicidade. Todas empresas de capital fechado.

Em 2022, foi classificado pela revista Forbes como o 10º mais rico do país.

Vida e carreira

Luciano Hang nasceu em 11 de outubro de 1962, na cidade de Brusque, estado de Santa Catarina. Segundo filho de Regina e Luís Hang, ex-operários de uma fábrica têxtil.

Conforme ele descreve em seu LinkedIn, quando criança teve muita dificuldade em aprender a ler e escrever e se alfabetizou apenas aos 12 anos. Anos depois foi diagnosticado com dislexia, um transtorno que dificulta a aprendizagem.

Hang estudou na Escola Básica João XXIII e no Colégio Cônsul Carlos Renaux, onde iniciou a empreender vendendo bolachas para os colegas. 

É graduado em processamento de dados pela Universidade de Blumenau (FURB). 

Seu primeiro emprego com carteira assinada foi como operário na mesma empresa em que seus pais trabalharam por 40 anos, a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux.

Do início no depósito, em pouco tempo, passou para a área de vendas de tecidos. 

Entre suas atividades de rotina, visitava lojas e fábricas de fornecedores e clientes, foi quando, em 1983, aos 21 anos, adquiriu em sociedade com seu pai e irmão, uma pequena tecelagem de toalhas, a Santa Cruz. 

Aos 23 anos, juntou-se com o gerente de vendas da Renaux, Vanderlei de Limas, para fundar a Havan, em 1986. O nome veio da junção de Hang com Vanderlei.

Cinco anos depois, a sociedade foi desfeita e Hang seguiu como o único dono da empresa. 

Fundada há 35 anos, a Havan começou como uma loja de tecidos até diversificar os setores, vendendo roupas, eletrodomésticos, produtos para casa, brinquedos e até pneus. 

Atualmente, muitas de suas megalojas contam também com cinema, postos, redes de fast-foods.

Ao longo de sua trajetória como empreendedor, Hang teve várias empresas, desde loja de toalhas, de 1,99, bar, pequenas centrais hidrelétricas, mas foi na Havan que concentrou seus esforços.

Hoje é impossível dissociar a imagem de Luciano Hang da Havan, afinal, ele é o grande nome por trás da loja, mas nem sempre foi assim.

Por mais de 30 anos, a Havan foi uma empresa de um dono desconhecido. Hang sempre esteve presente na loja, mas não aparecia publicamente. 

Tudo mudou em meados de 2016 quando surgiram boatos na internet sobre quem seria o dono da Havan.

Entre os possíveis nomes estavam a filha da ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o bispo Edir Macedo e até o apresentador Silvio Santos.

Hang então decidiu colocar a cara nos comerciais da marca e participar de programas de entrevistas. Nascia assim o "Véio da Havan".

Em 2018, decidiu se tornar um ativista político e usar sua imagem para levar mensagens sobre empreendedorismo e motivação.

Hang é casado há 26 anos com Andreia Benvenutti Hang com quem tem três filhos, Lucas e Leonardo (gêmeos) e Mateus. 

Ele reside com a família em Brusque.

Fundação da Havan e expansão 

Luciano Hang abriu seu próprio negócio, a Havan Tecidos da Moda Ltda, em Brusque (SC), em 1986, junto com o sócio, Vanderlei.

No começo a Havan tinha apenas 45 metros quadrados, um colaborador e vendia apenas tecidos. 

Além de importar tecidos, prática que Hang afirma ser o pioneiro no Brasil, os sócios também vendiam os tecidos Renaux, empresa que trabalhava, por valores bem mais baixos.

Ele conseguia isso porque sua antiga empregadora vendia tecidos no varejo em Brusque, mas também no atacado, mais barato, em São Paulo. 

Hang, então, comprava os tecidos em São Paulo e conseguia revender na cidade natal a preços inferiores aos cobrados pela própria tecelagem.

Para piorar a competição com a Renaux, a Havan funcionava aos sábados, domingos e feriados, quando o restante do comércio estava fechado, e passou a atrair uma clientela vinda de outras cidades.

Em entrevista à revista Piauí, o ex-supervisor da fábrica têxtil, Juliano Renaux, disse que Hang manteve os dois trabalhos por cerca de um ano, indo de dia para a Renaux e de noite para a Havan.

A jornada dupla estava difícil de se manter, forçando Hang a pedir demissão da Renaux. 

Em 1991, a sociedade entre Vanderlei de Limas e Luciano Hang acabou com Hang sendo o único dono da empresa.

O rompimento foi tumultuado.

Segundo nota publicada no jornal de Brusque, o Município, apurada pela revista Piauí, informava que Hang compareceu à Delegacia de Polícia para comunicar "desvio de mercadorias de alto valor agregado" em seu estabelecimento. 

Uma semana depois, o jornal trouxe uma nova nota, desdizendo o publicado na edição anterior. A Havan disse que tudo não passou de um "mal-entendido e foi devidamente esclarecido entre as partes.”

Hang e Limas assinaram um termo de dissolução da sociedade, em maio de 1991.

Segundo a revista Piauí, o que se comenta é que tal desvio de mercadoria nunca teria acontecido e que a parceria começou a ruir depois que Limas discordar do plano de Hang de diversificar a loja. 

Com o tempo, o mix de produtos foi aumentando e a Havan ganhando destaque no varejo regional.

Inspirado por uma viagem aos Estados Unidos, em 1994 foi construída a primeira loja com a fachada da Casa Branca, ainda em Brusque. 

No ano seguinte, em 1995, é instalada a primeira Estátua da Liberdade, sugerida por uma criança na época. 

A ideia era tornar a loja mais do que um espaço de compras, mas um ponto turístico. 

A primeira filial foi inaugurada na cidade de Curitiba, no Paraná. 

Depois de crescer num ritmo lento e estável por uma década e meia, curiosamente, a explosão da Havan no Brasil ocorreu durante os governos do PT. 

Quando Lula assumiu a Presidência da República, em 2002, a Havan tinha cinco lojas. No impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, chegou a 95 lojas, a maior parte delas em cidades de médio porte, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

Boa parte do avanço do negócio aconteceu movido a empréstimos do BNDES. 

Segundo a instituição, a empresa Havan Lojas de Departamentos LTDA realizou 57 operações de crédito entre os anos de 1993 e 2014 e mais 50 entre os anos 2005 e 2014. 

Ao total, foram concedidos R$ 27 milhões em valor nominal, todos pagos. 

Hoje, com 35 anos de história, a Havan possui mais de 22 mil colaboradores e 169 lojas físicas espalhadas em 22 estados e no Distrito Federal. 

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IPO da Havan

Apesar do recorde de faturamento, a Havan ainda tem o capital fechado. Isso significa que  não tem ações negociadas na B3, mas houveram duas tentativas de realizar o IPO.

A primeira foi em outubro de 2020. Na ocasião, Hang desistiu da abertura do capital depois que os investidores não aceitaram o valuation da empresa proposto de R$ 100 bilhões.

A nova desistência aconteceu em agosto de 2021, com a empresa afirmando que o IPO não aconteceria por causa do “planejamento estratégico”. O valuation proposto era de R$ 10 bilhões. 

Problemas com a Justiça

O fim da sociedade original da Havan chegou a parar na polícia, já o crescimento posterior da rede envolveu a Justiça. 

Segundo apurado pela revista Piauí, em setembro de 2000, o Ministério Público Federal de Santa Catarina apresentou uma denúncia que acusava Luciano Hang de "reduzir ilicitamente contribuição previdenciária e acessórios no período de outubro de 1992 a agosto de 1999.

Conforme descrito pelo Ministério Público, "Luciano determinava que fossem feitas duas folhas de pagamento aos empregados […] Numa folha, constava a remuneração fictícia (em média, 250 reais) e, noutra folha, constava o valor realmente pago (600 reais, em média).” 

Dessa forma, o desconto da contribuição dos funcionários ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) era feito sobre o salário menor que aparecia na folha salarial oficial. 

Com isso, a quantia devida aos cofres públicos passava de R$ 10,5 milhões.

Na época, a rede tinha 14 anos de existência e quatro lojas em Brusque e Curitiba.

Em 2002, Hang foi condenado pela Justiça Federal em Blumenau a três anos e onze meses de prisão, convertida em serviço comunitário, e multa de cerca de R$ 500 mil.

Três anos antes Hang enfrentou outro problema na Justiça. 

Em janeiro de 1999, a Procuradoria da República em Blumenau fez uma operação de busca e apreensão na sede da Havan com a suspeita de que a empresa estivesse sonegando impostos.  Acabou sendo autuado em R$ 117 milhões pela Receita Federal.

Em 2007, Hang voltou a ser condenado por sonegação, com pena de dois anos e seis meses em regime aberto.

Ele teria usado o nome de seu primo, Nilton Hang, para fazer remessas ilegais ao exterior. 

Segundo a Piauí, o caso ficou sete anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), até que prescreveu em 2015.

O ativismo político de Luciano Hang também lhe rendeu polêmicas e investigações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). 

No TSE, o inquérito envolve um suposto financiamento ilegal de disparo de fake news em favor da campanha de Jair Bolsonaro à presidência em 2018.

Ele também foi acusado de pressionar seus funcionários a votarem em Bolsonaro dizendo que fecharia as lojas caso o seu candidato não vencesse as eleições. 

Já no STF, o “véio da Havan” é alvo do inquérito das fake news, investigado como um dos possíveis financiadores de ações antidemocráticas.

A Polícia Federal chegou a fazer buscas em endereços do empresário, além do bloqueio temporário das redes sociais. 

Em 2021, Luciano Hang foi convocado para prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado Federal, que investigou o envolvimento do bilionário em esquemas de disseminação de informações falsas, principalmente sobre tratamentos ineficazes contra a Covid.

Na época, Renan Calheiros afirmou que o prontuário da mãe do empresário foi adulterado. 

Regina Modesti Hang morreu em fevereiro, aos 82 anos, depois de ter ficado internada em um dos hospitais próprios da Prevent Senior. 

Ela teria contraído Covid-19, mas a causa da morte não está registrada como sendo essa.

A operadora de saúde é acusada de alteração de prontuários médicos para maquiar mortes por Covid e de realização de pesquisa, sem consentimento de pacientes, para testar remédios ineficazes no tratamento da doença.

Mesmo envolto em polêmicas, o carismático Luciano Hang é um grande empreendedor de sucesso, tendo feito fortuna com sua rede de lojas Havan e outros negócios.