O que é Kit Brasil

Kit Brasil é um pacote teórico composto pelos principais ativos do mercado financeiro que, quando são valorizados individualmente, representam uma valorização do kit como um todo.

Ele pode ser um indicador do otimismo ou pessimismo dos agentes do mercado financeiro em relação às perspectivas para o futuro do Brasil.

O termo geralmente se refere à combinação entre o índice da bolsa de valores, a comparação do Real frente ao dólar, o indicador de risco do país e a variação da taxa de juros.

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Comportamento do Kit Brasil

O comportamento dos ativos que compõem o Kit Brasil varia a partir do Tripé Macroeconômico, que consiste em três medidas base para a política econômica.

A primeira, Câmbio flutuante, refere-se ao regime cambial adotado no país, no qual o preço de uma moeda no mercado de câmbio varia de acordo com a relação de oferta e procura, de forma a ajustar a economia diante da dinâmica do mercado internacional.

Essa medida serve para deixar o valor do câmbio oscilar de forma livre, fazendo com que os valores das moedas internacionais sejam definidos pelo mercado.

Isso evita que haja influência na taxa de câmbio e permite que ela, sem a intervenção, consiga refletir mais diretamente a percepção de risco sobre o Brasil.

Na segunda, Meta de inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) estabelece qual será a Taxa básica de juros (Selic) para alcançar a inflação que se deseja e garantir a estabilidade dos preços.

Assim, é definido um valor para a meta, bem como um piso e um teto. Por exemplo, a meta é 5%, o piso é de 4% e o teto é de 6%. O ideal é que o Governo esteja sempre entre o piso e o teto, tentando atingir a meta.

Por último, a Meta Fiscal, que é o estabelecimento de uma política fiscal que o governo deve cumprir. Ela é definida anualmente pelo Congresso Nacional por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA).

Essa política fiscal nada mais é do que o controle de gastos do governo e o gerenciamento das receitas antes do pagamento dos juros da dívida.

O governo deve se comprometer com esse patamar de gastos e receitas para que os seus credores lhe depositem confiança, possibilitando a redução da taxa de juros e, consequentemente, o desenvolvimento do país. 

Kit Brasil em 2019

A partir do entendimento dos fatores que alteram o comportamento dos ativos do Kit Brasil, é mais fácil compreender que a orientação política do governo federal também altera esse comportamento e a consequente valorização do kit.

Assim, as equipes econômicas mais comprometidas com medidas de cunho liberal, que se aproximam mais desse tripé macroeconômico, acabam favorecendo mais o kit. Por outro lado, as equipes que se afastam impulsionam investimentos no exterior. 

O ano de 2019 ficou marcado para o Kit Brasil, pois a vitória do governo de Jair Bolsonaro, que tem uma equipe mais comprometida com as medidas liberais, ou seja, uma orientação mais “pró-mercado”, valorizou consideravelmente os ativos.

As expectativas a partir de 2018, principalmente em relação a privatização das empresas estatais, como Eletrobras, Petrobras e Banco do Brasil, já fizeram com que os especialistas apostassem no alto desempenho do Ibovespa para 2019.

Muitos deles já sugeriram, inclusive, que os investidores tivessem empresas estatais nas suas carteiras de ações. Em 18 de março de 2019, o Ibovespa atingiu sua máxima histórica de 100 mil pontos.

Contudo, com as incertezas a respeito da aprovação ou não da Reforma da Previdência, o índice logo desabou com a sinalização de que a reforma não seria aprovada tão rapidamente, o que desvalorizou o Kit Brasil novamente.