Jesse Livermore é considerado por muitos o maior trader da história. Sua maneira agressiva de operar o fez obter enormes lucros, mas também perdas consideráveis.

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Livermore era uma das pessoas mais ricas do mundo no início do século 20, falindo e se recuperando algumas vezes durante sua trajetória.

No entanto, no momento de sua morte, ele tinha mais passivos do que ativos.

Conheça mais da história do maior trader que já existiu e o alerta que seu legado traz sobre os riscos da alavancagem para buscar grandes ganhos.

Quem foi Jesse Livermore

Jesse Livermore foi um corretor de ações americano considerado o especulador mais famoso do século 20.

Ele começou sua carreira aos 14 anos e se tornou uma lenda de Wall Street, influenciando gerações de comerciantes de ações e commodities.

William Delbert Gann, no seu livro “45 Years on Wall Street”, descreve Livermore como: “Um dos operadores mais espetaculares do seu tempo.” 

A principal crítica que ele fazia a Livermore era que ele só sabia como ganhar dinheiro, mas não sabia como administrá-lo

“Ele tinha a ganância e a energia necessárias para o sucesso, mas quando tinha uma quantidade considerável de dinheiro, ele não agia de forma conservadora. Livermore estava testando as suas próprias operações no mercado em vez de esperar que aparecesse a tendência natural que o mercado nos mostra em inúmeras ocasiões ”, disse Gann.

Vida e carreira

Jesse Lauriston Livermore nasceu dia 26 de julho de 1877 em Shrewsbury, no estado de Massachusetts nos Estados Unidos. 

Terceiro filho de seus pais, ele cresceu em uma família pobre e frequentou apenas a escola primária.

Em 1891, com 14 anos, teve que parar de estudar para trabalhar em uma fazenda, mas persuadiu o carroceiro que o levava a mudar o caminho e parou em uma corretora em Boston.

Por aparentar ser mais velho, conseguiu um emprego em uma filial da corretora de ações Paine Webber & Co como “Board Boy ” ganhando apenas US$ 5 dólares por semana.

Seu trabalho consistia em atualizar os preços dos títulos, ações e comodidades em um quadro-negro das gravações da bolsa de valores.

À medida que Livermore anotava todas as mudanças de preço, percebeu que os preços frequentemente mudavam de maneira previsível e que poderia vencer o mercado e ganhar muito dinheiro.

Como ele era muito jovem para abrir uma conta de corretagem, ele começou a negociar em “bucket shops” locais, que nada mais eram do que casas de apostas, entre outras coisas, sobre o preço das ações e commodities.

Com talento natural, em pouco tempo ganhou uma quantia considerável para a época até que teve sua entrada proibida.

Não podendo apostar em Boston, ele foi para a Costa Oeste, onde ganhou mais dinheiro e logo teve que se fantasiar e usar nomes falsos para evitar a proibição de entrada. 

Mais tarde, mudou-se para Nova York , onde, aos 20 anos, começou a sua carreira como um dos maiores operadores de todos os tempos na Bolsa de Valores.

Jesse Livermore ficou conhecido em Wall Street por prever quedas do mercado, ganhando o apelido de o “Urso de Wall Street”.

Seus dois negócios notáveis ​​ocorreram durante o Pânico de 1907 e no início da Grande Depressão. 

Sua capacidade de cronometrar seus negócios financiou um estilo de vida extravagante.

Como todo trader, além de ganhar, ele também perdeu dinheiro.

No livro Jesse Livermore Boy Plunger: The Man Who Sold America Short in 1929, Tom Rubython descreve o trader como o homem que ganhou mais dinheiro em um único dia e o homem que perdeu mais dinheiro em um único dia. 

Entre 1900 e 1940, Jesse Livermore ganhou e perdeu três fortunas.

Segundo relatos, o pico de riqueza de Livermore equivaleria a US$ 1,5 bilhão hoje. 

Ele negociou livremente e sem regulamentação até o lançamento da Securities and Exchange Commission (SEC) em 1934, que marcou o início do fim de Livermore.

Em 1939, abriu uma empresa de consultoria financeira, vendendo um sistema de análise técnica.

Mais tarde, devido aos seus excessos e problemas com o álcool, Livermore começou a cometer erros importantes nas suas operações e, em 1940, estava falido.

Jesse Livermore foi casado três vezes e teve dois filhos.

Ele se suicidou em 28 de novembro de 1940. 

Os motivos que levaram o investidor a tirar a própria vida nunca foram esclarecidos.

Segundo relatos, Livermore se matou com uma pistola automática no vestiário do hotel The Sherry-Netherland em Manhattan, onde costumava tomar coquetéis. 

A polícia encontrou em seu caderno pessoal uma nota de suicídio endereçada à sua esposa Harriet, a quem chamava carinhosamente de Nina, que dizia: 

"Minha querida Nina: Não posso evitar. As coisas estão ruins comigo. Estou cansado de lutar Esta é a única saída. Sou indigno do seu amor. Sou um fracasso. Sinto muito, mas esta é a única saída para mim".

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Como Jesse Livermore ficou rico

Jesse Livermore ficou bilionário e perdeu sua fortuna várias vezes ao longo de sua trajetória como especulador.

Ele atuava como trader, fazendo negociações curtas tentando prever o mercado.

No início de sua carreira, por ser menor de idade, os negócios eram realizados em bucket shops, locais onde os clientes apostavam nos preços das ações, muitas vezes usando altos graus de alavancagem. 

Em sua primeira negociação, aos 15 anos, ele apostou US$ 5 na Chicago, Burlington and Quincy Railroad, o que lhe rendeu um lucro de US$ 3,12.

No ano seguinte, largou o emprego na Paine Webber & Co. e começou a negociar em tempo integral.

Com as apostas, ganhava cerca de US $ 200 por semana, muito mais do que seu salário.

De 1895 a 1897, com idade entre 18 e 20 anos, ele acumulou US$ 10.000 em lucros de negociação, um retorno líquido de 1.000% em três anos de negociação. 

Logo teve que  usar disfarces e nomes falsos para negociar, pois fora barrado pela maioria das bucket shops da área de Boston, por causa de suas vitórias consistentes.

Em 1900, aos 23 anos, mudou-se para Nova York, onde começou a investir na Bolsa de Valores.

Chegando a tempo de um forte mercado altista de ações, ele negociou com sucesso, no lado comprado, nas corretoras da Harris, Hutton & Company, transformando US$ 10.000 em US$ 50.000 em cinco dias. 

Sua primeira grande vitória veio em 1901, aos 24 anos, quando comprou ações da Northern Pacific Railway, transformando US$ 10 mil em US$ 500 mil.

Em 1906, assumiu uma enorme posição vendida na Union Pacific Railroad no dia anterior ao terremoto de 1906 em San Francisco, levando a um lucro de US$ 250 mil.

Em 1907, ele ganhou o seu apelido de “Bear Raider” por sempre operar no lado baixista do mercado em grandes números. 

Durante o Pânico de 1907, as enormes posições vendidas de Livermore se transformaram em um lucro de mais de US$ 3 milhões.

Considerado um gênio na criação de fortunas, Jesse Livermore também se caracterizou pela sua desastrosa gestão monetária.

Entre 1908 e 1912 perdeu uma grande parte dos seus ganhos ao violar muitas das suas regras em operações com algodão e acabou ficando com uma dívida de US$ 1 milhão que foi recuperada mais tarde.

Outro grande sucesso ocorreu em 1929. 

Assim como em 1907, Jesse identificou fraquezas no mercado e decidiu abrir fortes posições vendidas em várias ações e, após o colapso de Wall Street, faturou aproximadamente US$ 100 milhões. 

A partir de 1932, o "Grande Urso de Wall Street", passou por uma série de situações que o levaram a um declínio em sua saúde mental.

Para piorar, em 1934, a criação da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA impôs novas regras que afetaram suas negociações.

Embora não se saiba exatamente como isso aconteceu, Jesse Livermore acabou perdendo sua fortuna e declarou falência pela terceira vez em 1934, listando ativos de US$ 84 mil e dívidas de US$ 2,5 milhões. 

Estratégia de investimentos de Jesse Livermore 

A estratégia de Jesse Livermore era usar o que hoje é conhecido como análise técnica para analisar os pontos de reversão do mercado. Quando isso acontecia, ele ia na direção contrária.

Livermore ficou conhecido por suas grandes apostas, vendendo a descoberto no mercado de ações antes do Pânico de 1907 e da Grande Depressão de 1929.

Livros de Jesse Livermore

Jesse Livermore tem sua história contada em diversos livros, incluindo o de sua autoria: Como Investir na Bolsa de Valores.

Como Investir na Bolsa de Valores

Seu legado como especulador está eternizado no livro “How to Trade in Stocks”, publicado em língua portuguesa, com o título “Como Investir na Bolsa de Valores”.

Jesse Livermore escreveu o livro em 1939 como sugestão de seu filho e foi publicado em 1940, poucos meses antes de sua morte. 

Nele, Livermore fala da sua experiência como investidor e apresenta os métodos que utilizava para obter resultados acima da média.

O livro mistura detalhes autobiográficos e históricos com orientações passo a passo sobre:

- Ler o mercado;

- Analisar os principais setores;

- Cronometrar os negócios;

- Manter o controle emocional.

Memórias de um Operador da Bolsa

Jesse Livermore também é o personagem principal de "Reminiscences of a Stock Operator", na versão em português, Memórias de um Operador da Bolsa: A Incrível História de Jesse Livermore, best-seller de Edwin Lefèvre.

Escrito em 1923, é o livro mais popular já escrito sobre especulação, baseado em entrevistas com Larry Livingston, pseudônimo para encobrir a identidade de Livermore.

Jesse Livermore: World's Greatest Stock Trader 

O livro Jesse Livermore: World's Greatest Stock Trader, de Richard Smitten, é a primeira biografia completa do lendário trader.

O livro combina a história de Livermore com relatos de testemunhas oculares que o conheceram, mesclando histórias de casos de amor, tiroteios e suicídios e uma exploração detalhada de suas estratégias de negociação.

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