Growth Investing e Value Investing: Entenda as Diferenças
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Growth Investing e Value Investing: Entenda as Diferenças

Embora sejam duas abordagens de investimento distintas, Growth e Value Investing podem funcionar de forma complementar.

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Atualizado em 16/09/2020

Growth Investing e Value Investing são duas estratégias de investimento com foco no longo prazo. Conhecer essas duas modalidades é essencial para a diversificação de seus investimentos.

Quando se trata de investir em ações, há uma variedade de abordagens que podem ser adotadas. 

Além de saber utilizar a estratégia de alocação de ativos, é preciso conhecer diferentes filosofias de investimento.

Duas estratégias principais do investimento no longo prazo são o Growth Investing e o Value Investing, definidas como investimento em crescimento e investimento em valor, respectivamente.

O value investing busca por ações de empresas boas e baratas para colher um bom retorno no longo prazo.

Já o growth investing tem como foco o potencial de crescimento de uma empresa, não ligando tanto para o preço da ação, nem a distribuição de dividendos.

São empresas que podem crescer rápido, dobrando sua receita e a lucratividade em um curto espaço de tempo.

Alguns exemplos de empresas que faziam parte desse grupo são as gigantes Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google, que tiveram um salto de crescimento nas últimas décadas.

Esses dois estilos de investimento ora são opostos, ora se complementam.

Entender as características de ambas pode ajudar a adicionar diversidade ao seu portfólio.

Então, qual a melhor estratégia, growth investing ou value investing?

Para saber, continue a leitura.

Veja o que é Growth Investing, suas diferenças do Value Investing e como essas duas abordagens trazem a diversificação para o portfólio.

O que é Growth Investing?

O Growth Investing é o investimento em crescimento.  Nele, o mais importante é o potencial de crescimento da empresa e a geração de lucro com a alta nos preços de suas ações.

Os investidores em crescimento normalmente investem empresas jovens ou pequenas, as famosas Small Caps, cujos ganhos devem aumentar a uma taxa acima da média do mercado.

A ideia nesses casos não é lucrar com dividendos, pois normalmente essas empresas usam os recursos para reinvestir em seu desenvolvimento, nem com o preço da ação.

O foco do “Growth Investment” são os ganhos com a valorização das ações.

O investimento em crescimento é bastante atraente, pois pode proporcionar retornos impressionantes em pouco tempo se as empresas forem bem-sucedidas. 

No entanto, representam um risco bastante alto caso o potencial de crescimento não se concretize.

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Fundamentos do growth investing

Investir em crescimento é essencialmente o processo de investir em empresas ou setores em rápida expansão onde se espera que continuem em crescimento por um período de tempo. 

Elas tendem a serem empresas pequenas e jovens com excelente potencial de crescimento.

A ideia é que a empresa prospere e se expanda, e que esse crescimento se traduza em preços mais altos das ações em o futuro.

Dessa forma, os investidores lucram por meio da valorização do papel e não pelos dividendos, já que estas empresas costumam reinvesti-los na sua própria expansão.

As empresas em crescimento geralmente possuem algum tipo de vantagem competitiva que atua como um catalisador para o crescimento do negócio em algum momento no futuro.

Em geral, não é difícil identificar os setores com maior probabilidade de produzir retornos acima da média.

Dois setores que estiveram particularmente aquecidos nos últimos anos são o da saúde e tecnologia. 

O grande trunfo é identificar qual empresa irá se destacar.

No mundo dos investimentos, o growth investing é visto como uma abordagem mais ofensiva.

Ou seja, é uma tentativa mais ativa de gerar retorno sobre o capital investido. 

Por outro lado, o value investing é tido como mais defensivo, ao passo que tende mais para a geração de renda passiva e investimento em ações de primeira linha que oferecem dividendos estáveis.

Avaliando o potencial de crescimento de uma empresa

Os investidores adeptos ao growth investing observam o potencial de crescimento de uma empresa ou de um mercado. 

Não existe uma fórmula absoluta para avaliar esse potencial. Porém, alguns métodos e critérios servem como base para a avaliação.

A National Association of Investors Corporation (NAIC) desenvolveu recomendações bastante úteis para investidores encontrarem boas empresas de crescimento.

A entidade norte-americana que, desde 1951, dedica-se a disseminar boas práticas relacionadas ao growth investing, recomenda a avaliar de uma empresa em 3 questões:

1 – O crescimento é consistente?

Observe se o histórico do crescimento da empresa nos últimos cinco a dez anos.

Veja na tabela abaixo o crescimento médio anual recomendado pela NAIC.

Tamanho da empresaCrescimento anual
>$4B5%
> $400M >$4B7%
<$400M12%

2 – Existem perspectivas de grande crescimento?

A recomendação da NAIC é que a projeção de crescimento anual para os próximos cinco anos seja de, no mínimo, 10%, com o ideal sendo 15%.

Como são apenas estimativa, esse critério deve ser considerado com cuidado, uma vez que pode não se concretizar.

3 – Os gestores fazem uma boa gestão de custos e lucros?

Mais do que o crescimento é preciso avaliar os lucros.

Uma vez que a empresa pode ter um crescimento fantástico nas vendas, mas ganhos insatisfatórios nos lucros.

Isso pode indicar que a administração não está controlando custos e receitas. 

Para evitar falsas promessas, preste atenção na margem de lucro e Ebitda, comparando os valores atuais com os dos anos anteriores e, também, com os dos concorrentes.

Outro indicador fundamentalista importante é o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE).

Uma boa regra prática é comparar o ROE atual de uma empresa com o ROE médio de cinco anos da empresa e do setor. 

O ROE estável ou crescente indica que a administração está fazendo um bom trabalho, gerando retornos dos investimentos dos acionistas e operando os negócios de maneira eficiente.

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Grandes investidores do growth investing

Um dos maiores nomes do growth investing é Philip Fisher. Considerado por muitos o “pai do investimento em crescimento”, ele defende o uso de um checklist para garimpar boas empresas de crescimento.

Esses pontos estão elencados em seu livro “Ações comuns, lucros extraordinários”, de 1958.

São quinze pontos a serem procurados em uma ação ordinária:

1.  A empresa possui produtos ou serviços com potencial de se manter no mercado por vários anos?

2.  Possui uma administração que continue a desenvolver novos produtos que aumentarão ainda mais o potencial total de vendas quando os atuais tiverem se esgotado?

3. A eficácia dos esforços em pesquisa e desenvolvimento está compatível com o tamanho da empresa?

4.  A empresa possui uma estrutura de vendas acima da média?

5.  A empresa possui uma boa margem de lucro?

6.  O que a empresa está fazendo para manter ou melhorar as margens de lucro?

7.  A empresa possui excelentes políticas de relacionamento  de trabalho e pessoal?

8.  A empresa possui excelentes relações executivas?

9.  A empresa vai a fundo em sua gestão?

10.  Possui uma boa análise de custos e controle de gastos?

11.  Existem outros aspectos do negócio que forneçam ao investidor pistas importantes sobre o quanto a empresa pode se destacar em relação aos seus concorrentes?

12.  A empresa tem uma perspectiva de curto ou longo prazo em relação aos lucros?

13.  A empresa vai possuir a capacidade financeira de desenvolver o seu negócio com recursos de dentro da própria empresa ou necessitará da emissão de mais ações para financiar o negócio, de maneira que um grande número de ações irá anular o benefício dos acionistas?

14.  A companhia é aberta com seus investidores, independente se o momento é favorável ou desfavorável a ela?

15.  A empresa possui uma administração de integridade inquestionável?

Embora o próprio Philip Fisher tenha mencionado que é improvável uma empresa atingir todos os 15 pontos, ele serve como guia para a seleção de boas ações.

Outro grande investidor de sucesso que ficou famoso por sua preferência por small caps é Peter Lynch.

O gerente do lendário Magellan Fund da Fidelity Investments foi o pioneiro em um modelo híbrido de crescimento e investimento em valor, o growth at a reasonable price (GARP).

O crescimento a um preço razoável, em português, é uma estratégia de investimento em ações que busca combinar princípios de growth investing e value investing.

Os investidores da GARP procuram empresas que apresentam um crescimento consistente dos lucros acima dos níveis de mercado, excluindo empresas com avaliações muito altas.

O objetivo geral é evitar os extremos de crescimento ou do investimento em valor.

Diferenças entre Growth Investing e Value Investing

O investimento em crescimento e o investimento em valor são duas abordagens que podem funcionar de modo complementar ou oposto. 

Os investidores adeptos ao value investing, ou “investimento em valor”, buscam ações de boas empresas que estejam negociadas abaixo de seu valor intrínseco.

O principal objetivo é encontrar empresas sólidas, com desempenho consistente, mas que estejam com suas ações subvalorizadas.

Diversos fatores que podem levar a esta queda no preço, como influências externas, mudanças políticas, bear market, entre outros.

Contudo, essas interferências dificilmente alteram as perspectivas de longo prazo da empresa.

Assim, os value investors aproveitam o cenário para comprar ações de boas empresas, com preço descontado.

Um dos maiores defensores do Value Investing é Warren Buffett e seu mentor foi Benjamin Graham, considerado o “pai” do investimento de valor.

Já os investidores do growth investing focam mais no potencial futuro de uma empresa, dando menos ênfase ao preço atual das ações. 

Os ativos preferidos são os de empresas menores, mas com valorização acima dos índices de mercado.

Não importa se as ações estão negociadas a preços superiores ao seu valor intrínseco, desde que tenham potencial de exceder seu atual valor de mercado.

Enquanto os investidores do value investing buscam se beneficiar com o pagamento de dividendos, os investidores em crescimento tentam aumentar sua riqueza por meio da valorização das ações.

Pois, geralmente, as empresas em crescimento não são as melhores pagadoras de dividendos, uma vez que costumam reinvestir seus lucros no negócio, visando sua expansão.

Estas empresas em crescimento, embora ofereçam maior potencial de valorização, são inerentemente mais arriscadas, já que não há garantia de que a empresa terá sucesso. 

Sendo assim, as ações de crescimento experimentam maiores oscilações nos preços e tendem a serem mais adequadas para investidores mais tolerantes ao risco.

Ações de crescimento

Múltiplos de preço alto: geralmente as ações de crescimento têm múltiplos de preços mais altos, como uma relação P / L aumentada.

Devido às expectativas do seu crescimento no futuro, os investidores estão dispostos a pagar preços mais altos por essas ações.

Maior volatilidade: O preço das ações de crescimento pode flutuar fortemente como os resultados de curto prazo.

Mais arriscado: Se os planos de crescimento não se concretizarem, o preço pode despencar.

Não pagam dividendos: Para focar na expansão, as empresas em crescimento geralmente pagam muito pouco ou nenhum dividendo. 

Todo o capital disponível é reinvestido no negócio para aumentar a eficiência.

Ações de valor

Múltiplos de preço baixo: As típicas ações de valor apresentam múltiplos de preços baixos, indicando a subvalorização da empresa. 

As métricas fundamentais de valor bem conhecidas são um baixo índice preço / lucro, baixo índice preço / valor patrimonial e alto rendimento de dividendos

Balanços sólidos: As ações de grande valor mantêm balanços sólidos, respaldada por números fortes no balanço patrimonial.

Também fornecem um histórico de perspectivas financeiras de crescimento consistente. 

Menos arriscado: uma vez que já provaram sua capacidade de gerar lucros, são tidas como investimentos menos arriscados. 

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Qual é melhor: Growth Investing ou Value Investing?

A pergunta que fica é: qual estratégia, de crescimento ou valor, tem maior probabilidade de produzir retornos mais elevados no longo prazo?

A batalha entre growth investing e value investing já dura há anos, com cada lado oferecendo estatísticas para apoiar seus argumentos. 

Com base no estudo do Bank of America / Merrill Lynch ao longo de um período de 90 anos, o investimento em valor superou o de crescimento.

Enquanto que as ações de crescimento retornaram em média 12,6% ao ano desde 1926, as ações de valor geraram um retorno médio de 17% ao ano no mesmo período. 

Em geral, o value investing superou o growth investing na maioria dos períodos ao longo da história.

Porém, nos últimos 10 anos, as ações de crescimento dos EUA tendem a ter um desempenho melhor do que as ações de valor.

O desempenho histórico das ações de crescimento e de valor nos mostra que:

As ações de crescimento, em geral, tendem a ter um bom desempenho em mercados em alta, taxas de juros baixas e grande expansão econômica

O “valor” por outro lado tem um bom desempenho quando as empresas se recuperam de crises econômicas e turbulências do mercado

As ações de valor costumam fazer parte, em sua maioria, de setores cíclicos, sendo mais dependentes das circunstâncias econômicas.

Portanto, é difícil dizer qual estratégia de investimento resulta em melhores resultados uma vez que o desempenho depende do período de tempo, da situação do mercado e demais circunstâncias econômicas.

Para uma carteira bem diversificada, o investidor pode combinar ações de valor e crescimento, elevando o potencial de retorno e reduzindo os riscos.

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Conclusão

O Value Investing e o Growth Investing, embora sejam estratégias distintas podem ser complementares para montar uma carteira de investimentos diversificada.

Enquanto o investimento em valor (value investing) tem por objetivo comprar ações abaixo do seu intrínseco valor, esperando que ela se valorize.

O growth investing (investimento em crescimento) também espera valorização, porém, não tem como prioridade o preço das ações.

O que vale é a possibilidade de rentabilidade futura acima da média.

Cabe a cada investidor escolher a melhor alternativa de acordo com seu horizonte de tempo e tolerância ao risco.

Ou ainda, combinar as duas estratégias.

E você, é adepto também do growth investing ou prefere se manter exclusivo ao value investing?

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