A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para baixo sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2023, a 3,0%, ao mesmo tempo que piorou ligeiramente a conta para 2024 e passou a enxergar uma pressão de preços maior no próximo ano.

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O crescimento esperado pela pasta para este ano está abaixo dos 3,2% estimados em setembro, mostrou o mais recente boletim macrofiscal, publicado nesta terça-feira.

A mudança repercute, principalmente, revisão para a estimativa de variação do PIB no terceiro trimestre, de 0,1% para 0,0% na margem, além do menor dinamismo previsto para a atividade em serviços”, informou a SPE no documento.

Em setembro, a pasta havia elevado sua perspectiva para a expansão econômica deste ano em 0,7 ponto percentual, na esteira de dois trimestres consecutivos de surpresas positivas no resultado do PIB brasileiro.

No entanto, economistas têm alertado para grandes chances de desaceleração do ímpeto econômico nas leituras do segundo semestre deste ano.

Para 2024, a projeção do governo para a expansão do PIB também recuou ligeiramente, a 2,2%, ante os 2,3% de antes.

“A mudança reflete o aumento das incertezas no ambiente externo em função da eclosão de conflitos geopolíticos; dos riscos relacionados à desaceleração do crescimento chinês; e da perspectiva de manutenção dos juros americanos em alto patamar por mais tempo”, explicou a SPE no boletim, citando ainda perspectiva menos favorável para a safra do próximo ano.

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O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse nesta terça-feira em coletiva de imprensa que as projeções para crescimento deste ano e do próximo permanecem “razoavelmente estáveis”, sem se alarmar com as revisões para baixo.

As previsões do governo para a atividade ainda estão melhores do que as expectativas do mercado, que apontam para crescimento de 2,85% em 2023 e 1,50% em 2024, segundo o mais recente boletim Focus do Banco Central.

Em relação à inflação, a SPE passou a ver alta de 4,66% do IPCA este ano, contra previsão de 4,85% no último boletim, argumentando que o processo de desinflação vem ocorrendo “com velocidade maior do que a projetada até meados do ano”.

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A nova estimativa está agora dentro do teto da meta de 4,75% de 2023.

Este ano, tudo indica, já fecharemos o ano dentro da banda superior da meta de inflação e, no ano que vem, nós iniciaremos um processo de convergência para aproximar a inflação verificada do centro da meta, estabelecido em 3%”, afirmou Mello.

No entanto, a alta dos preços em 2024 passou a ser calculada pela SPE em 3,55%, significativamente acima dos 3,40% de antes, ainda que de fato siga abaixo do teto de 4,50% para o período.

O ajuste foi justificado pela pasta com menções a “mudanças marginais” em projeções para o câmbio e para os preços de commodities, bem como reajustes anunciados do ICMS sobre gasolina, diesel e GLP, além de impactos esperados do El Niño sobre os preços de alimentos, energia e combustíveis.

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Falando sobre outras variáveis macroeconômicas, Mello destacou na coletiva de imprensa um mercado de trabalho ainda “resiliente”, com taxa de desemprego em nível “historicamente baixo”, ao mesmo tempo que citou “melhora significativa” no mercado de crédito.

Segundo o secretário, até meados deste ano a pasta via trajetória “preocupante” do setor de crédito devido a empecilhos internacionais e efeitos defasados do ciclo de aumento da taxa Selic, mas comemorou uma “retomada” recente nas concessões, destacando ainda aceleração na tendência de crescimento da emissão de debêntures.

Os dados mais recentes do Banco Central, referentes a setembro, mostraram alta do estoque total de crédito de 0,8% no período, a 5,576 trilhões de reais, com as concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, subindo 2,1% em relação ao mês anterior.

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Mello também disse que a pasta está vendo resultados do programa Desenrola de renegociação de dívidas, criado pelo governo, citando redução da inadimplência das famílias.

A taxa Selic –que influencia tanto o ímpeto de crescimento da economia quanto a oferta de crédito e o ritmo da inflação– está atualmente em 12,25%, depois de três reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual pelo Banco Central, que tiraram os juros básicos do nível elevado de 13,75% em que permaneceram por cerca de um ano até o início de agosto.

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Fonte: Infomoney.