O processo que envolve selecionar uma ação para investir, vai muito mais além do que dizem por aí… 

Você até pode selecionar empresas mais consolidadas, com o seu valor já provado e, provavelmente, você vai se dar bem, ao mesmo tempo que não vai ser daí que vão surgir as maiores valorizações.

E se objetivo for capturar ações engatilhadas para destravar valor, o processo se torna ainda mais desafiador. 

Hoje quero apresentar um dos 5 gatilhos que analiso para avaliar a capacidade da empresa destravar valor.  O racional que envolve esses gatilhos é simples. Do contrário seria pouco útil.

Para validar os gatilhos, precisamos analisar duas variáveis.

ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido)

A primeira é ROE. Caso você não saiba, este indicador mede a relação entre lucro líquido da empresa e o patrimônio líquido. 

O que isso significa na prática? 

Bom, primeiro você precisa entender o que é patrimônio líquido. 

Podemos dizer que patrimônio líquido é a diferença entre o que a empresa possui e o que ela deve. É aquilo que realmente pertence a empresa se ela pagar tudo o que deve. 

Imagine que você possua um carro no valor de 50 mil reais e um imóvel no valor de 200 mil reais. Esses são seus ativos. 

Ao mesmo tempo, você possui uma dívida (que é um passivo) de 180 mil reais referente ao imóvel. 

Logo a diferença entre o que você possui e o que você deve são 70 mil reais. Seu patrimônio líquido seria esse valor. 

Como o ROE considerada a relação lucro líquido e patrimônio líquido, na prática, ele mostra o quanto de valor você está gerando em determinado período em relação ao que você realmente tem. 

Quanto maior o ROE, mais interessante o negócio se torna para os donos, inclusive fazendo com que injetem cada vez mais capital na empresa, pois estão gerando uma rentabilidade atrativa. 

Após esse entendimento, devemos encontrar empresas que estejam com capacidade de gerar valor cada vez maior.

A empresa que utilizei como exemplo, apresentou um ROE no terceiro trimestre (momento em que entrou para minha cobertura) maior que o em 2015, quando a empresa apresenta cenário financeiro muito próximo ao atual.

Ela estava com capacidade de gerar mais valor no do que no passado. 

Lucro por ação (LPA)

A próxima variável está ligada diretamente ao seu lucro por ação (LPA).

Veja:

ANOLPAP/L
2015R$ 0,369,42 (média 5 anos)
2019 (3ª Trimestre)R$ 0,659,0

Perceba que no terceiro trimestre de 2019  a empresa estava mais lucrativa e sendo negociada a um múltiplo de Preço/Lucro abaixo da média dos últimos 5 anos, o que indicava atratividade no preço.

Comparada a 2015 seus lucros haviam apresentado crescimento de 80%.

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O mercado no passado aceitava pagar mais pela empresa em um momento em que ela não era tão lucrativa, em 2015. 

Mas a empresa foi melhorando e mais cedo ou mais tarde os lucros justificam os preços.

Essa empresa a que me refiro é a CSU Cardsystem (CARD3).

Em 30 de Setembro de 2019, indiquei compra no Canal Joias da Bolsa

Vendemos nos dias 17 de janeiro de 2020, com 97% de rentabilidade.

Na tabela abaixo você pode ver o relatório com os dados da operação.

Quando decido comprar uma ação, meu objetivo é sempre para longo prazo. Mas alguns gatilhos, ao serem acionados, podem gerar destravar ganhos bem mais rápidos do que o esperado. 

Claro, não me baseio apenas em ROE e lucratividade, mas em alguns momentos essa análise óbvia já ajuda muito.

Espero que essa breve análise tenha sido útil para você tanto quanto foi para os assinantes do Canal Joias da Bolsa na época que eles embolsaram os lucros de CARD3.