Ministro Paulo Guedes disse que se Bolsonaro admitisse "furar" o teto de gastos se aproximaria da "zona de impeachment", como aconteceu com a ex-presidenta Dilma Rousseff.

Tom apaziguador no discurso do ministro dá indícios de aceitação do desejo de Bolsonaro em elevar os gastos, embora tenha reforçado a necessidade de conciliação com o teto de gastos.

Mercado teme uma guinada populista do presidente, ao estilo Dilma.

As incertezas sobre a saída de Paulo Guedes do governo Bolsonaro parecem ter sido dissipadas.

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A questão foi tema importante para os mercados no dia de ontem, segunda-feira (17).

O risco da saída de Guedes provocou uma baixa de -1,73% no Ibovespa, trazendo o índice para abaixo dos 100 mil pontos, enquanto o dólar subiu 1,21%, terminando o dia cotada a 5,49.

O discurso feito pelo Ministro da Economia no início da noite da última segunda-feira parece ter dado um ponto final à polêmica.

Paulo Guedes disse que o governo vai fazer remanejamento de recursos a fim de criar as condições para que sejam feitos investimentos públicos sem furar o teto de gastos públicos.

Pelo desfecho, parece que Bolsonaro e Guedes chegaram à um acordo.

O presidente pediu a Guedes para buscar mais recursos a fim de assegurar investimentos sem ferir o limite de despesas previsto no teto de gastos.

O pedido de Bolsonaro a Guedes foi feito após um suposto desentendimento provocado por declaração do ministro na semana passada.

Na oportunidade, ele criticou, sem citar nomes, auxiliares que estariam aconselhando o presidente a fazer mais investimentos públicos como forma de se fortalecer politicamente para a disputa da reeleição em 2022.

Paulo Guedes disse que se Bolsonaro admitisse furar o teto de gastos iria se aproximar de uma "zona de impeachment".

Essas declarações motivaram uma reunião convocada por Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, depois da qual ele e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), manifestaram apoio à preservação do teto de gastos.

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Bolsonaro diz que governo respeitará o teto de gastos

Assessores do Ministério da Economia e líderes do Congresso apontam espaço no Orçamento da União deste ano para remanejar R$ 5 bilhões de outras áreas e transferir para investimentos, sem furar o teto de gastos.

Chama atenção o tom apaziguador de Paulo Guedes sobre a questão da necessidade de conciliar os gastos com investimento público e o teto de gastos.

"Os R$ 5 bi, a conversa é a seguinte: tinha havido uma sobra de duas medidas provisórias, em torno de R$ 15 bilhões, recursos passados para estados e municípios, e que não haviam chegado à base, não foram usados.

O presidente da Câmara, o presidente do Senado, deputados e o ministro Luiz Eduardo Ramos, Secretaria de Governo, estávamos todos conversando sobre remanejamento de verbas.

Ninguém estava querendo furar teto. Meu alerta era esse:

se alguém estiver querendo furar teto, isso é ruim para o presidente", disse Guedes na noite desta segunda.

Ainda reforçando o teor da fala anterior, o ministro afirmou que considera "absolutamente natural" um governo querer fazer obras públicas.

"Qualquer governo quer fazer investimento. Mas nós temos uma Lei de Responsabilidade Fiscal", declarou.

"É inteiramente natural, o presidente da República com 60 milhões de votos querer fazer uma ponte no rio Xingu. Está certo.

Tem que caber isso no orçamento público. Ele quer levar água para o Nordeste. Está certo também. Mas esse recurso tem que vir de algum lugar.

A escolha dessa decisão e onde sai esse recurso que é o contexto da política", disse.

Ainda no mesmo discurso, Guedes deixa claro o alinhamento entre ele e o presidente Bolsonaro.

“Nós não vamos fazer nada errado, o presidente naquele dia, eu reafirmo, aquela conversa no espelho do Alvorada, se há uma síntese, é a seguinte:

estamos todos sob o mesmo teto, e, segundo, estamos retomando as reformas.”

Guedes afirmou que não há divergências entre ele o presidente Jair Bolsonaro.

"Existe muita confiança do presidente em mim e muita confiança minha no presidente.

Nos conhecemos há dois anos, dois anos e meio atrás. Eu não tive ainda nenhum ato que me indicasse, que me sugerisse que eu não devesse confiar no presidente.

Da mesma forma, eu não faltei em nenhum momento a confiança que ele depositou em mim", declarou Guedes.

Por fim, segundo o Ministro, "nos momentos decisivos", Bolsonaro sempre o apoiou.

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Mercado teme uma guinada populista a lá Dilma

Estas palavras, aparentemente, evidenciam que as arestas foram aparadas e que certa convergência fora encontrada entre a agenda ortodoxa de Paulo Guedes e os esforços políticos de Bolsonaro.

Entretanto, o tom apaziguador de Guedes indica mais um consentimento dele às necessidades do presidente do que o contrário, o que pode minar a credibilidade do governo junto aos mercados.

Entrevistas de economistas ligados ao mercado financeiro concedidas à Folha de São Paulo deixam claro o temor sobre dos rumos que o governo pode tomar em busca de mais popularidade.

Agentes do mercado acreditam que Bolsonaro já fez sua escolha e que o objetivo será o de implementar gastos para alavancar popularidade e garantir sua reeleição, nos moldes do último governo petista.

Ex ministro Joaquim Levy e a ex-presidenta Dilma Rousseff.
Ex ministro Joaquim Levy e a ex-presidenta Dilma Rousseff.

Durante o governo Dilma, as brigas da presidente com seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e uma política de gastos públicos para aquecer a economia que não gerou efeito, agravaram a crise econômica, levaram à impopularidade, e ao impeachment.