O que são fundos abutres?

Fundo abutre é um fundo de investimento que realiza investimentos em ativos de alto risco, derivados de companhias e países problemáticos.

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Como regra no mercado financeiro, grandes riscos geram grandes possibilidades de ganho. É, portanto, com isso em mente que os fundos abutres buscam alocar os recursos nesses tipos de ativos.

Os ativos que os fundos abutres investem são de empresas e governos que costumam enfrentar problemas de inadimplência ou prestes a quebrar, como aquelas que estão em recuperação judicial.

Os fundos abutres são, portanto, fundos de alto risco. A inspiração do nome se deu pelo motivo dos abutres serem aves que se alimentam de restos de carcaça.

Neste caso, os fundos abutres investem em ativos de empresas que são apenas um “resquício” do que já foram um dia, e que estão para se dissolver para sempre.

Caso algum dos investimentos dêem certo, o resultado esperado será um lucro surpreendente o bastante para cobrir os casos de insucesso.

Assim, o objetivo é pegar ações subvalorizadas que parecem ter sido sobrevendidas para fazer apostas de alto risco, mas potencialmente de alta recompensa.

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Como funcionam os fundos abutres?

Os fundos abutres funcionam como os demais tipos de fundos de investimentos, ou seja, como uma espécie de condomínio.

O dinheiro aplicado dos investidores são somados em um conjunto único e administrado por um síndico (gestor do fundo), que decidirá quais ações serão compradas e quando serão vendidas.

Neste caso, os ganhos e perdas do fundo serão repartidos de forma proporcional à participação de cada investidor. 

Da mesma maneira é a repartição dos custos administrativos, que serão cobrados como uma porcentagem do capital investido.

A especificidade dos fundos abutres é que eles fazem apostas com risco extremo, o que geralmente é o contrário da função dos demais fundos de investimentos, que é o de diminuir o risco.

Esses fundos são normalmente administrados por fundos de hedge que usam vários tipos de estratégias alternativas para obter lucros para seus investidores.

Para cumprir a estratégia, os gerentes de portfólio buscam investimentos com grandes descontos e altas taxas de retorno potenciais devido aos altos riscos de inadimplência. 

Geralmente, os investimentos são focados em instrumentos de renda fixa, como títulos de alto rendimento e empréstimos que pagam taxas de juros fixas ou variáveis. 

Muitas vezes, os investimentos são em dívidas governamentais de países em dificuldades, o que requer um envolvimento ainda maior de lobistas na resolução de dívidas não pagas.

Existe uma série de casos envolvendo fundos abutres que investem em dívida soberana e que realizam alguns processos na justiça para receber pagamentos por ativos investidos.

Estratégia dos fundos abutres

A vontade e a capacidade de entrar com um processo de recuperação é a estratégia central dos fundos abutres. 

Eles exercem pressão sobre os devedores para que honrem suas dívidas, mesmo quando os devedores estão em dificuldades financeiras. 

Às vezes, os fundos tentam obter alguma penhora de ativos do país como forma de recuperar seu investimento. 

Por exemplo, a firma de gestão de investimentos FG Hemisphere tentou obter uma penhora da Embaixada de Washington no Congo por uma dívida de R$100 milhões, que o governo devia a eles. 

Fundos abutres e a dívida da Argentina

Os títulos do governo da Argentina são um exemplo de ativo demandado por fundos abutres e que conseguiu o resgate mediante processo na justiça.

Em 2001 a Argentina deixou de pagar cerca de US$82 bilhões em dívidas soberanas durante um período de crise econômica. 

Algumas dessas dívidas foram compradas no mercado secundário por fundos abutres. 

Após 15 anos de negociações, o país concordou em pagar seis fundos abutres, negociando um pagamento total de US$6,4 bilhões em 2016.

Crítica aos fundos abutres

As ações dos fundos abutres geralmente oneram o devedor e complicam seus processos de gestão financeira e reestruturação de suas dívidas.

Com isso, os fundos abutres têm sido fortemente criticados por lucrar com países que estão em dificuldades financeiras. 

As ações dos fundos abutres têm sido vistas como moralmente ultrajantes por tentarem se beneficiar de programas de alívio da dívida para países pobres.

Essas estratégias, inclusive, se aproveitam de  programas de socorro financeiro que visam financiar a educação de crianças e combater os níveis crescentes de pobreza dos países pobres e endividados.