O que é float?

Float é dinheiro dentro do sistema bancário que é brevemente contado duas vezes devido a lacunas de tempo no registro de um depósito ou saque. 

Essas lacunas de tempo geralmente são devidas ao atraso no processamento dos cheques. 

Um banco credita a conta de um cliente assim que um cheque é depositado. No entanto, leva algum tempo para receber um cheque do banco do pagador e registrá-lo.

Até que o cheque libere a conta da qual foi sacado, o valor referente ao cheque passa a existir em dois lugares diferentes, aparecendo tanto na conta do banco do destinatário quanto na do pagador.

Outra definição de float é a receita apropriada pelos bancos por meio dos rendimentos dos recursos mantidos pelos clientes em depósito à vista, mantidos em conta corrente.

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Como funciona o float?

O float bancário é uma prática muito comum em instituições financeiras que descontam cheques e boletos bancários, cujo termo é chamado de float de cobranças.

Esse processo consiste no banco recebendo o valor de um boleto de cobrança, porém ele retém esse valor por alguns dias antes de repassar ao portador.

Em troca, o banco oferece taxas menores ao titular da conta.

O float também compõe o uso do dinheiro parado em conta corrente, ou seja, sem movimentação, que o banco aplica em títulos de curto prazo.

Até a década de 90, quando a inflação era muito alta no brasil, chegando ao nível de 80% ao mês, uma das principais receitas das instituições financeiras era o float.

Porém, mesmo com a queda considerável da inflação e a estabilidade econômica no Brasil nas últimas décadas, engana-se quem acredita que essa prática caiu em desuso.

Mesmo nesse cenário, o float bancário ainda é usado por muitas instituições financeiras, principalmente nos recebíveis em boleto.

Normalmente, quando uma instituição demora para compensar um título pago, um cheque depositado ou qualquer outro recebível, ele pode estar fazendo float com o seu dinheiro.

Hoje em dia, com a Nova Plataforma de Cobrança da Febraban, praticamente toda cobrança bancária é compensada em até 24h.

Entretanto, muitas vezes as instituições financeiras não atualizam esses prazos nos calendários de compensação, mantendo D+2 ou até mesmo D+3 para realizar o repasse.

Sendo assim, uma das formas de identificar que um banco está fazendo float bancário é averiguar os prazos que elas levam para compensar os recebíveis. 

Geralmente, podemos inferir que dificilmente uma instituição que opera com D+1 faça float com os recursos depositados ou transferidos, mas acima desse prazo a probabilidade é maior.

Problemas do float para os clientes

A prática do float pode ser muito prejudicial para os clientes das instituições financeiras.

Ao atrasar a atualização dos recebimentos para gerar ganhos com aplicações de curtíssimo prazo, os bancos podem colocar os clientes em dificuldades.

Isso ocorre principalmente quando há a urgência no uso daquele dinheiro que está sendo esperado para receber.

Assim, o float atrasa o prazo para o dinheiro cair na conta do cliente, de modo que, muitas vezes, certas empresas precisaram recorrer a outras formas, como o cheque especial.

Como todos sabemos, o cheque especial cobra juros exorbitantes em caso de seu uso, o que nos indica que o float pode causar custos enormes para os clientes de um banco.

O futuro do float

Se o float é ruim para os clientes das instituições financeiras, a notícia boa é que essa prática tende a desaparecer.

Isso porque os avanços tecnológicos têm estimulado a adoção de medidas que agilizam substancialmente o pagamento e, consequentemente, reduzem o float

Essas medidas incluem o uso generalizado de práticas como:

  • pagamentos eletrônicos;
  • transferências eletrônicas (DOC, TED, PIX);
  • depósito direto dos contracheques dos funcionários pelas empresas;
  • digitalização e apresentação eletrônica de cheques - em vez de sua transferência física.

A queda do uso do float é evidente quando analisamos as receitas médias que as instituições financeiras arrecadam com essa prática.

Nos Estados Unidos, o ganho com float caiu de uma média diária de US$6,6 bilhões no final dos anos 1970 para apenas US$774 milhões em 2000, de acordo com o Federal Reserve (Fed). 

Essa queda é resultado do declínio constante no número de cheques emitidos, juntamente com a rápida adoção de serviços de pagamento inovadores e convenientes.

Tudo isso, felizmente, pode tornar o float uma coisa do passado.