Emissão de Ações do Banco do Brasil. Comprar ou Não?
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Emissão de Ações do Banco do Brasil – Comprar ou Não?

O Banco do Brasil fará uma emissão secundária de ações. O período de reserva inicia em 10/10/2019.

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Atualizado em 11/10/2019
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O Banco do Brasil anunciou recentemente, no dia 03/10/2019, uma emissão secundária de ações – follow on – de suas ações.

Conseqüentemente, a minha caixa de e-mails começou a disparar. Investidores ávidos para saber se era um bom momento para aderir à oferta ou não.

O setor bancário hoje ainda é um oligopólio controlado principalmente por Banco do Brasil, CEF , Itaú, Bradesco e Santander.

Estes bancos dominam grande parte dos empréstimos e das carteiras de crédito do Brasil, a despeito do inegável crescimento de alguns bancos digitais.

Os bancos digitais já fizeram os grandes bancos se “movimentarem”. Estes já estão reduzindo custos e despesas para poderem se adaptar ao novo mercado. 

O Banco do Brasil, por exemplo , que chegou a ter mais de 5.500 agências no passado, tem hoje pouco mais de 4.700.

O Itaú, acabou de lançar o maior Plano de Desligamento Voluntário de sua história e o Santander reduziu a taxa de administração de algum de seus fundos.

Os bancos de forma geral possuem duas fontes principais de Receitas.

A Receita de Intermediação Financeira consiste na diferença de taxa entre a captação dos recursos e os empréstimos e a Receita de Prestação de Serviços, que inclui tarifas de conta-corrente, tarifas de cartão de crédito, tarifas de seguros, previdência e capitalização dentre outros.

Para fugir da queda dos juros da Selic, os Bancos estão trazendo um pouco mais de risco para as suas carteiras.

É normal ver um aumento da carteira de crédito de pessoa física (Risco Maior) para que o Banco consiga entregar resultados crescentes.

O Banco do Brasil não tem sido diferente.

Já na prestação de serviços, o Banco do Brasil, ao contrário do que muitos falam sobre a ameaça dos bancos digitais vem conseguindo crescer seus resultados ao longo dos últimos anos a uma base constante em torno de 6% ao ano.

Veja a imagem abaixo retirada do prospecto da oferta pública.

Gráfico da rentabilização da base de clientes do Banco do Brasil
Rentabilização da base de clientes do Banco do Brasil

Dito isso sobre o banco, agora sabemos que o mercado já enxerga e precifica uma possível ameaça ao Banco do Brasil e aos outros 3 Bancos grandes listados.

Todos os 4 caíram entre 12% e 25% nos últimos 3 meses. 

No entanto, essa ameaça, ainda não está impactando os resultados. Logo eles ficaram mais baratos como veremos a seguir

Analisando os indicadores no Guiainvest Pro, vemos abaixo que os indicadores P/L e P/VPA estão abaixo dos valores históricos, excluindo o período da recessão brasileira, mesmo com a SELIC na mínima histórica.

Gráfico Preço Lucro (PL) das ações do Banco do Brasil
Gráfico Preço Lucro (PL)
Gráfico do preço do Valor Patrimonial (PVPA)
Gráfico Preço Valor Patrimonial (PVPA)

Dessa forma, temos bons indícios que as ações de BBAS3 estão baratas, ou no mínimo, uns 25% da ameaça dos bancos digitais já está precificada na ação.

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A Emissão

Trata-se de uma emissão apenas secundária, ou seja, não haverá emissão de novas ações e sim será vendida ações que já estão em circulação. 

Os vendedores são: o FI-FGTS e o próprio Banco do Brasil. O FI – FGTS venderá 68,5 milhões de ações enquanto o próprio Banco do Brasil que possui 78 milhões de ações em tesouraria venderá 64 milhões delas. 

A imagem abaixo mostra o impacto nas ações em circulação que passará de 44,2% para 48,8%.

Ações do Banco do Brasil em circulação
Ações do Banco do Brasil em circulação

Para você que é acionista, aqui tem o primeiro impacto de aproximadamente 2,2% nos dividendos. Os dividendos distribuídos não são divididos pelas ações em Tesouraria, como elas voltarão a circular, estas passarão a receber dividendos novamente.

A Oferta não institucional tem uma nuance interessante.

Até 30% será reservado para investidores não institucionais. Desses até 30%, poderemos ter até 22% para pessoas físicas ou jurídicas de Varejo que poderão reservar entre R$ 3 mil e R$ 1 milhão.

Enquanto os até 8% restantes são pessoas físicas ou jurídicas também, mas do segmento Private e que poderão reservar até R$ 10 milhões.

O investidor de Varejo, terá prioridade de compra se aceitar um lock-up de 45 dias.

Lock-up, é um período em que a pessoa que adere a emissão se compromete a não vender aqueles ativos. Os ativos ficam inclusive custodiados em uma conta separada na B3. 

A previsão pelo cronograma de eventos é que estas ações fiquem disponíveis para negociação apenas no dia 06/12/2019.

O investidor que não aceitar o lock-up, pode ficar de fora da subscrição caso a demanda total ultrapasse o total para investidores de Varejo que aderiram ao lock-up, de acordo com a imagem abaixo:

Oferta não institucional das ações
Oferta não institucional das ações

As últimas emissões como Trisul e Eztec têm entregado o desconto adicional de 2% a 4% maior que o preço de tela.

Logo, na minha visão, o investidor de longo prazo, que pode esperar os 45 dias do lock-up e eu particularmente, espero que você esteja investindo em ações para ao menos manter as ações por mais de um ano deve participar da oferta

Se a oferta for precificada no valor atual de R$ 43,00, existe uma previsão de pagamento de dividendos (Yield) de 6% sobre esse valor nos próximos 12 meses, que inclusive é maior que a SELIC esperada.

O período de reserva vai de 10/10/2019 a 16/10/2019

Lembre-se que Renda Variável é investimento de Longo Prazo e o ideal é que você tenha ao menos um horizonte de 5 anos.

Abraços e Bons investimentos!
Daniel Nigri
Analista CNPI 1810
Sócio Fundador e CEO do Dica de Hoje Research

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Disclaimer
Declaro que as informações contidas neste relatório são públicas e que refletem única e exclusivamente a minha visão independente sobre a companhia, sem refletir a opinião do The Capital Advisor ou de seus controladores.

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