Elie Horn Único Bilionário Brasileiro a Doar Maior Parte da Fortuna
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Elie Horn: Único Bilionário Brasileiro a Doar Maior Parte da Fortuna

Conheça a história do fundador da Cyrela e um dos maiores filantropos do Brasil.

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Atualizado em 08/12/2020

Aos 76 anos, o bilionário Elie Horn já doou 60% de sua fortuna, estimada em US$ 1 bilhão.

O empresário e filantropo começou do zero comprando e vendendo apartamentos, sem dinheiro, até montar uma das maiores construtoras do país.

O sócio-fundador do grupo Cyrela (CYRE3), segunda maior incorporadora imobiliária do Brasil, é considerado o maior filantropo do país.

Elie Horn é o único brasileiro no The Giving Pledge, programa criado por Bill Gates e Warren Buffett para incentivar bilionários a destinar ao menos metade de suas fortunas para a filantropia.

Está também à frente da ONG Movimento Bem Maior, que ele fundou com outros quatro empresários brasileiros.

Inspirado pelo pai, ajuda causas sociais desde os 38 anos de idade e tem como missão ajudar a implantar a cultura da doação no Brasil.

“Já estive do outro lado. Sofri por não ter dinheiro. Me revolta quando alguém tem dinheiro e não ajuda.” – Elie Horn.

O propósito de Horn faz sentido, uma vez que filantropos bilionários ao redor do mundo investem suas fortunas para causas sociais, porém, são poucos os ricos brasileiros que abrem suas carteiras.

Quem é Elie Horn?

Elie Horn é um empresário sírio-brasileiro fundador da Cyrela. A empresa atualmente é comandada por seus dois filhos Efraim e Raphael Horn.

Além do sucesso nos negócios, é conhecido por ser um grande filantropo e único brasileiro a doar 60% de seu patrimônio para causas humanitárias.

Além de integrar o The Giving Pledge, Elie também tem em comum com o megainvestidor Warren Buffett os hábitos simples.

Certa vez em uma entrevista à IstoÉ Dinheiro, disse ainda usar um relógio que adquiriu há 30 anos por US$ 100.

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Vida e carreira

Elie Horn nasceu em Alepo, na Síria, em 1944, sendo o caçula de oito irmãos.

Sua família se mudou para o Líbano quando ele tinha apenas seis meses. Ficaram lá por 10 anos, onde seu pai trabalhava na indústria têxtil até ir à falência.

Em busca de um recomeço, a família Horn mudou-se para o Brasil, em 1955, após uma breve passagem por Milão, na Itália.

Aos 11 anos de idade, depois de viajar por semanas na terceira classe de um navio transatlântico, Elie Horn chegou a São Paulo.

Ao lado dos irmãos, teve que ajudar na renda da família desde cedo.

Trabalhou vendendo produtos químicos de porta em porta. Mais tarde, aos 19 anos, entrou no ramo imobiliário como funcionário da Cyrel, empresa criada por seu irmão.

Nesse meio tempo, se formou em Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Seu olhar certeiro para encontrar bons imóveis o levou a abandonar a sociedade e fundar a Cyrela (CYRE3) na década de 70.

Elie se afastou da deixou a presidência da empresa em 2014 passando o cargo para os dois filhos.

Aos 76 anos, é membro do conselho de administração da Cyrela e Cyrela Commercial Properties (CCP), divisão que cuida de imóveis corporativos e de shoppings centers.

Além de dedicar parte do seu tempo à filantropia.

Nome completo: Elie Horn    

Ocupação: Empresário e filantropo

Fortuna: US$ 1 bilhão

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Como Elie Horn ficou rico

Elie Horn ficou rico comprando e vendendo imóveis em uma estratégia arriscada.

Mais tarde, após fundar a Cyrela, não só consolidou sua fortuna como transformou a empresa em umas das maiores incorporadoras de imóveis de alto padrão do Brasil.

Aos 19 anos, foi trabalhar na Cyrel, imobiliária criada por seu irmão Joe.

Sua função era encontrar bons imóveis para comprar, mas logo se destacou e virou sócio da empresa.

Com talento para identificar bons negócios e um ótimo vendedor, passou a negociar apartamentos mesmo sem nenhum dinheiro em caixa.

A estratégia era ousada. Elie comprava apartamentos dando apenas uma entrada e parcelava o restante.

Sem dinheiro, corria para vender o imóvel a um terceiro para levantar o dinheiro necessário para quitar sua dívida.

Isso só era possível, pois, na década de 1960, o Brasil não tinha estabelecido o conceito de correção monetária.

Em cinco anos, foram negociados mais de 100 apartamentos e US$ 500 mil de lucro.

Logo a estratégia foi expandida para a compra de terrenos.

Em sua posse, os irmãos procuravam construtoras, ofereciam os terrenos e trocavam por apartamentos ainda na planta e revendiam a futuros moradores.

Após 10 anos de trabalho, os irmãos juntaram US$ 25 milhões. 

Entre o final da década de 60 e início dos anos 70, o cenário econômico mudou no Brasil e inviabilizou a tradicional estratégia dos irmãos.

Para Elie essa era a hora de dar um passo adiante e construir seus próprios apartamentos. Sem um acordo entre os irmãos a sociedade foi finalizada.

Fundação da Cyrela

No antigo nome, Elie acrescentou um “a” e fundou a Cyrela (CYRE3).

Sob seu comando, a empresa teve uma forte expansão, passando a abranger também prédios comerciais e shoppings em zonas industriais.

Dentre seus empreendimentos está o Shopping D, na Zona Norte de São Paulo, um dos primeiros outlets do país.

Assim como a construção do Centro Têxtil Internacional, na Vila Leopoldina, em São Paulo, e o Grand Plaza Shopping, antigo ABC Plaza Shopping, em Santo André.

Na década de 1990, Horn formou uma joint-venture com a empresa argentina Irsa, que tinha o bilionário George Soros como o principal investidor individual.

Capitalizada, a Cyrela passou a focar no mercado de imóveis de alto padrão e construiu empreendimentos como o Faria Lima Financial Center, JK Financial Center, Mandarim e o L’Hermitage, em São Paulo.

Além do Riserva Golf e o Le Palais, no Rio de Janeiro e o Le Parc, em Salvador.

Em setembro de 2005, a Cyrela abriu seu capital na Bolsa de Valores Brasileira (B3).

Com o IPO a companhia levantou quase R$ 1 bilhão e levou a companhia para o período de maior expansão geográfica de sua história.

Chegou a operar simultaneamente em 120 cidades. Contudo, o avanço não foi bem-sucedido e durante a crise de 2008 foi a oportunidade para a Cyrela retomar o foco.

Após o diagnóstico de Parkinson, Elie Horn decidiu acelerar sua sucessão na presidência da empresa.

Em 2014, deixou o comando da Cyrela e seguiu como presidente do conselho de administração.

No seu lugar, ficaram seus dois filhos Efraim e Raphael Horn, que dividem a presidência.

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Onde Elie Horn investe

Além da Cyrela (CYRE3), no mercado mobiliário, Elie Horn possui um fundo de private equity para diversificar seus investimentos pessoais.

Em seu family office, investe principalmente em saúde com a holding Hospital Care.

A entidade administra seis hospitais, diversos centros médicos e clínicas em São Paulo e Santa Catarina.

Tem também interesse no setor de educação e financeiro.

Segredo da Riqueza

Filantropia

Para Elie Horn, a filantropia é investimento. Ele acredita que sua missão na vida é fazer o bem. Além de doar sua fortuna, incentiva outros empresários a fazerem o mesmo.

O compromisso com a filantropia se acentuou um pouco antes dele deixar a Cyrela. Como um dos seus últimos legados como presidente, fundou o Instituto Cyrela, em 2011.

Onde 1% do lucro da empresa é repassado para ONGs voltadas à infância e ao primeiro emprego, incluindo organizações que ajudam refugiados e na alfabetização de adultos.

Longe do dia a dia da Cyrela, Elie Horn passou a se dedicar ainda mais às causas sociais. 

Em 2015, se tornou o primeiro brasileiro e, até agora o único, a aderir ao Giving Pledge, iniciativa de Bill e Melinda Gates e do megainvestidor Warren Buffett para estimular a filantropia.

Horn e sua esposa, Susy, se comprometeram a doar 60% de sua fortuna para causas humanitárias.

Em 2016, Horn criou o Instituto Liberta que visa combater o abuso sexual infantil.

Por muito tempo, o maior filantropo do Brasil se escondeu das câmeras e de entrevistas.

Porém, entendeu que era necessário se expor mais para promover o bem e influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Passou, então, a ser figura constante em eventos para falar de caridade. 

Em 2018, juntamente com outros empresários fundou o Movimento Bem Maior que busca fortalecer o ecossistema filantrópico no Brasil.

O projeto apoia mais de 70 projetos sociais em todo o país em áreas como erradicação da pobreza, saúde, educação, igualdade gênero, saneamento, sustentabilidade e empreendedorismo

Também fazem parte do movimento o fundador da MRV (MRVE3), CNN Brasil e Banco Inter (BIDI11), Rubens Menin, o CEO da Localiza (RENT3), Eugênio Mattar, e personalidades como Luciano Huck.

Para Elie Horn os super ricos têm a obrigação moral de doar. Seu propósito em vida é fazer o bem.

Em entrevista à revista Forbes disse sabiamente que:

“O dinheiro pode ser seu patrão, se você não doar – ele manda e, então, você passa a ser alguém mesquinho.”

Ele continua, 

“o dinheiro corrompe à medida que você não faz bom uso dele. Pode ser maldito ou bendito. Se você ajudar alguém a não morrer de fome, ele é bendito.”.

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