Em apenas 5 anos Eike Batista conseguiu subir e cair no ranking de bilionários. Como o empresário que já foi o homem mais rico do Brasil entrou na lista da Interpol e perdeu sua fortuna?

Eike Batista começou a construção de fortuna ainda jovem na exploração de ouro. Depois construiu o Grupo EBX com frentes no petróleo, gás, logística, energia, indústria naval e carvão mineral.

De 2008, quando apareceu na 142ª posição do levantamento da Forbes dos mais ricos do mundo, até 2012 quando chegou à 7ª posição, sua fortuna passou de US$ 6,6 bilhões para US$ 30 bilhões.

A queda foi igualmente rápida.

Eike Batista já foi o homem mais rico do Brasil, mas acabou entrando para a lista de ex-milionários que perderam suas fortunas.

Sua empresa de extração de petróleo e gás, a OGX, não conseguiu entregar os resultados prometidos aos investidores e as ações despencaram, levando também as outras empresas do grupo.

Em novembro de 2012 deixou de ser brasileiro mais rico e em setembro de 2013 deixou oficialmente de ser um bilionário.

Além da queda de quase 90% das ações da OGX, investigações do Ministério Público do RJ e da Polícia Federal apontaram o envolvimento do empresário na Lava Jato  e a condenação de  30 anos de prisão por pagar propina a políticos em troca de contratos com o governo estadual.

Os problemas de Eike Batista não acabaram aí. 

Em maio de 2019 a CVM multou o empresário pelo uso de informações privilegiadas com ações da OGX, prática que é proibida pela legislação.

Seus problemas no STF continuam até hoje por causa da falência de suas empresas e multas milionárias.

Conheça a trajetória de Eike Batista, um dos empresários mais conhecidos do Brasil.

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Quem é Eike Batista

Eike Batista é um empresário brasileiro, fundador e presidente do grupo EBX, um conglomerado que era formado por seis companhias: OGX (petróleo), MPX (energia), LLX (logística), MMX (mineração de ferro), OSX (indústria naval offshore) e CCX (mineração de carvão). 

O nome do grupo leva as iniciais de Eike Batista (EB) acrescida de um X, que segundo o empresário simboliza o potencial de gerar e multiplicar riquezas.

Eike já foi um dos homens mais ricos do Brasil e do mundo, mas perdeu grande parte de sua fortuna.

Vida e carreira

Eike Fuhrken Batista da Silva nasceu no dia 3 de novembro de 1956 em Governador Valadares, no estado de Minas Gerais. 

Eike é um dos sete filhos da alemã Jutta Fuhrken e do brasileiro Eliezer Batista da Silva, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce (de 1961 a 1964 e de 1979 a 1986) e ex-ministro de Minas e Energia.

Criado no Rio de Janeiro, aos 12 anos de idade se mudou com sua família para Genebra na Suíça, Dusseldorf na Alemanha e Bruxelas na Bélgica por causa da carreira profissional do pai. 

Em 1974, iniciou o curso de Engenharia Metalúrgica na Universidade Técnica de Aachen, na Alemanha,mas não chegou a concluir.

Enquanto cursava a faculdade, passou a vender apólices de seguro de porta em porta para se manter no exterior depois que seus pais voltaram ao Brasil.

De volta ao Brasil, no início dos anos 1980, Eike Batista começou sua carreira de empreendedor e passou a se dedicar inicialmente ao comércio de ouro. 

Ele atuava como intermediário entre garimpeiros na venda de metal para os grandes centros. Nessa época, o Brasil passava pelo pico de exploração de minérios. 

Em 1981, com 24 anos, ele consegue R$ 500 mil emprestados e adquire a mina de Zetão.  Um ano depois, já tinha um patrimônio de quase US$ 6 milhões.

Com o crescimento da sua fortuna, propôs sociedade à Paranapanema, compra uma mina no Amapá para vendê-la logo depois e compra outra em Minas Gerais, firmando parceria com a Rio Tinto.

Com o sucesso dos negócios, Eike Batista chamou a atenção da Treasure Valley, uma mineradora do Canadá.

Aos 29 anos, após uma fusão de ativos, ele passou a ser sócio da empresa, que foi rebatizada de TVX.

Iniciava a superstição em cima da letra "X", que passou a ser usada como símbolo de multiplicação de riqueza usada em todas as suas empresas.

Com uma participação de 11%, Eike tornou-se o principal acionista e presidente da TVX, mineradora listada nas bolsas de Nova York e de Toronto. 

Entre 1991 e 1996, o valor de mercado da companhia mais que triplicou.

Nos anos seguintes, após desavenças com os sócios, Eike vendeu sua parte na empresa em 1998.

Com dinheiro para investir em novos negócios, o empresário fundou a holding EBX, base de vários de seus empreendimentos.

Logo ele começou a se aventurar e diversificar em outros setores. Nasce assim as empresas  MMX (mineração), a MPX (energia), a LLX (logística), a OGX (óleo e gás) e a OSX (serviços em petróleo).

Em 2008, a petroleira OGX conseguiu a maior captação numa abertura de capital (IPO) na Bolsa de Valores Brasileira mesmo sem ter extraído uma gota de petróleo ainda.

Eike Batista fez fortuna e seu patrimônio chegou a US$ 30 bilhões, indo parar na lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes.

A aposta no petróleo foi o ápice e ao mesmo tempo o início da queda de seu império

Os poços em que apostou tinham menos petróleo que o esperado e a empresa não conseguiu atender às expectativas.

Com isso, as ações da OGX despencaram e levaram consigo outras empresas do grupo. 

O empresário ainda enfrentou condenações pelo envolvimento na operação Lava Jato, teve bens bloqueados e apreendidos e responde por crimes no mercado de capitais.

Eike Batista é pai de quatro filhos. Os mais velhos, Thor e Olin, são fruto de seu casamento com a atriz e modelo Luma de Oliveira, que terminou em 2004.

Atualmente casado com a empresária e advogada Flávia Sampaio, os dois são pais de Balder e esperam uma menina.

Ascensão de Eike Batista

Quando Eike Batista retornou ao Brasil, no início dos anos 80 começou a fazer negócios como intermediário entre mineradores de ouro e diamante da região Norte com compradores de outros locais do Brasil e Europa.

Essa experiência na área o qualificou para o cargo executivo principal na TVX Gold, mineradora Canadense.

Entre as décadas de 1980 e o início dos anos 2000, o empresário criou US$ 20 bilhões em valor de operação em minas de ouro.

​​O empresário começou a carreira no ramo da mineração, mas alcançou o apogeu no mercado de petróleo. 

Eike expandiu seus negócios através do grupo EBX com destaque para o setor de commodities e infraestrutura.

Seu principal projeto era a petrolífera OGX. Em 2008, Eike levantou R$ 6 bilhões no maior IPO da história da Bovespa até então, antes mesmo de extrair petróleo. 

Eike queria algo muito maior e decidiu montar um ecossistema de empresas, em que uma sustentasse a outra. 

Então ele criou uma mineradora (MMX), uma empresa de logística (LLX), de energia (MPX), de carvão mineral (CCX) e a indústria naval especializada em exploração marítima (OSX).

No papel, sua ideia era ótima, ter uma companhia ajudando a outra. Tanto que suas companhias atraíram diversos investidores que aportaram capital visando valorizações expressivas. 

Não foi o que aconteceu.

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Queda e problemas com a Justiça

Entre a abertura de capital da OGX em 2008 e o início real da produção de petróleo, em 2012, a empresa emitiu vários comunicados em tom otimista sobre a capacidade dos campos de petróleo localizados na Bacia de Campos e de Santos.

Com a "bolha de otimismo" criada, Eike Batista não teve dificuldades em capitalizar a empresa. Fazia isso através da emissão de títulos de dívida.

Porém, desde 2009, a própria companhia já sabia que a exploração dos poços poderia ser inviável.

A OGX produziu só 25% do que era esperado, o que acabou causando um efeito dominó nas outras empresas do grupo, uma vez que elas estavam interligadas.

Como a promessa do petróleo não se concretizou, o valor de mercado das companhias despencaram, levando junto uma fatia da fortuna de Eike, já que a maior parte do seu patrimônio estava em ações das próprias companhias. 

Foi o início do fim do império de Eike Batista.

Veja quanto cada uma das empresas caiu até fevereiro de 2013:

  • OGX (petróleo):  -86%

De R$ 75 bilhões (out 2010) para R$ 10 bilhões;

  • OSX (estaleiro):  -77%

De R$ 9,4 bilhões (mar 2010) para R$ 2,1 bilhões;

  • LLX (logística): -75%

De R$ 5,8 bilhões (abr 2011) para R$ 1,4 bilhão;

  • MPX (energia): -28%

De R$ 8,5 bilhões (mai 2012) para R$ 6,1 bilhões;

  • CCX (minas de carvão): -51%

De R$ 1,4 bilhões (mai 2012) para 680 milhões.

Em outubro de 2013, a OGX deu um calote de US$ 45 milhões nos credores e entrou em recuperação judicial, assim como outras empresas do grupo com um total de dívidas de R$ 13 bilhões.

Em 2015, a Justiça determinou a apreensão e bloqueio de bens do empresário para garantir a indenização dos investidores da OGX.

Entre eles, uma Lamborguini avaliada em R$ 3,5 milhões e outros carros de luxo na casa de Luma de Oliveira, ex-mulher do empresário, além de sua casa de praia em Angra dos Reis, uma lancha, três motos aquáticas e um iate.

Eike Batista saiu da lista dos bilionários do mundo para entrar na lista dos procurados pela Interpol.

Em 26 de janeiro de 2017, Eike teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro no âmbito da Operação Lava Jato.

De acordo com a Polícia Federal, o empresário teria pago propina de US$ 16,5 milhões para o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral em 2010.

Por não estar em território brasileiro, foi considerado foragido no dia seguinte e teve seu nome incluído na lista da Interpol.

No dia 30 de Janeiro de 2017, Eike foi preso ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão no Rio de Janeiro.

Três meses depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus ao empresário, que passou a cumprir prisão domiciliar.

Em agosto de 2019, foi preso novamente, na Operação da Polícia Federal Segredo de Midas. 

Segundo acusações, Eike participava de um esquema de contas fantasmas para ocultar investimentos não permitidos pelas regras do sistema financeiro.

O empresário ficou dois dias detido até ser beneficiado por um habeas corpus.

Em novembro de 2020, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, homologou o acordo de delação premiada de Eike Batista. O empresário se comprometeu a pagar uma multa de R$ 800 milhões.

Em junho de 2017 foi multado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em R$ 21 milhões por uso de informação privilegiada (insider trading) para obter vantagem nas vendas das ações da OSX na Bolsa de Valores em 2013.

Em setembro de 2019, foi condenado a 8 anos e 7 meses de prisão por manipulação do mercado de ações.

No início de 2021, veio a  terceira condenação de Eike Batista pela 3ª Vara Federal Criminal por crimes contra o mercado de capitais. 

Somadas, as penas chegam a 28 anos de prisão.

O que aconteceu com as empresas de Eike Batista

Muitas das empresas de Eike Batista foram vendidas para outros grupos ou definitivamente fechadas após os escândalos. 

As restantes no grupo são a Dommo Energia (DMMO3), a OSX (OSXB3) e a MMX.

Na tentativa de se renovar e deixar os escândalos no passado, a OGX se tornou Dommo Energia, em 2017, após sair do processo de recuperação judicial.

Outra empresa que escapou da recuperação judicial foi a OSX, mas sua situação não é das melhores. 

Já a MMX, empresa recuperação judicial há anos, teve sua falência decretada pela 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em maio de 2021.

A empresa chegou a apresentar um novo plano de recuperação judicial, mas o projeto de reestruturação foi negado e a falência mantida.

A MPX Energia teve seu controle vendido para um grupo alemão e mudou seu nome para Eneva (ENEV3). 

Atualmente aos 65 anos, o empresário diz que pretende continuar a empreender no Brasil e nos projetos que estruturou ao longo dos últimos anos, informou o portal Brazil Journal.