O que significa Efeito Riqueza?

O Efeito Riqueza retrata que uma pessoa aumenta sua propensão a consumir de acordo com o aumento no seu patrimônio, que muitas das vezes não é líquido.

A partir dos anos 1970, intensificando-se nos anos 1980, o padrão de composição de renda das famílias teve uma significativa mudança, ocorrendo um aumento da participação de ativos financeiros.

Ou seja, agora a riqueza das famílias de renda média, nos países desenvolvidos, passou a ser composta por ações, fundos de investimento, pensão e/ou seguro, por imóveis e bens duráveis.

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Isso ocorreu por causa da nova fase do ciclo capitalista, com o sistema neoliberal, onde teve um grande aumento da financeirização, desregulamentação dos mercados e diminuição da atuação do Estado.

A partir disso, quando as ações ou os fundos das famílias e das empresas aumentavam, as mesmas achavam que estavam mais ricas. Assim, passavam a gastar mais e, em itens mais caros.

Há diferenças do efeito renda, que tem um efeito realmente direto no consumo e na receita, dado ao aumento ou diminuição dos salários, da inflação e da mudança nas taxas de câmbio.

O Efeito Riqueza está mais ligado ao psicológico, onde o indivíduo acredita estar mais rico, apenas porque seus patrimônios aumentaram, mesmo sem vender suas ações e ter sua liquidez em mãos.

Deste modo, as famílias começam a consumir mais e as empresas passam a investir mais. Em alguns casos, chegam a tomar crédito emprestado para poder comprar.

O simples fato de poder operar os ganhos quando quiser, já faz com que a pessoa ou a empresa se sintam mais ricas. Consequentemente, os indivíduos passam a poupar menos.

Dito isso, seu efeito acaba virando um ciclo, até que se transforma em uma bolha, pois as empresas, percebendo o aumento da demanda, passam a investir para maximizar ainda mais seus lucros.

E, para realizar esses investimentos, alguns pegam empréstimos com intuito aumentar suas vendas e investir em mais ativos, fazendo com que haja uma maior valorização dos ativos financeiros.

Esse aumento na valorização dos ativos faz com que aconteça tudo novamente. As famílias começam a consumir mais e as empresas a investirem mais.

Impactos do Efeito Riqueza

O Efeito Riqueza costuma ter um impacto maior no consumo do que outros fatores, como por exemplo, o aumento ou redução de impostos.

Assim, como esse efeito aumenta o consumo, ele também pode fazer com que o mesmo caia.

Pois, dessa forma, as ações começam a ter seus preços em queda, o consumo e o investimento também caem, porque as famílias e as empresas se sentem menos ricas, diminuindo seus gastos.

É a partir dessas expectativas negativas, que os créditos começam a ser reduzidos e os juros aumentam para que não haja tanta inadimplência.

Como o Efeito Riqueza aumenta a propensão a consumir das pessoas sem as mesmas terem a liquidez para tal, ele acaba aumentando o nível de endividamento.

O Efeito Riqueza e a Desigualdade

Entre os anos 80 e 90 o aumento da financeirização foi alarmante, sendo que tal ampliação foi maior do que o crescimento da produção mundial e dos seus ativos fixos.

Houve uma mudança no contexto econômico e político mundial, onde ocorreu a diminuição da taxa de crescimento dos países, acarretando uma instabilidade financeira dada à desregulamentação, que causou aumento na desigualdade.

Os preços dos ativos financeiros cresceram mais do que o real valor dos ativos que eles simbolizavam.

Dessa forma, o ciclo descrito acima voltava a se formar, as famílias e as empresas baseiam seu consumo e investimento conforme as esperanças de valorização dos ativos.

E, quem não tem esse poder financeiro ou esse patrimônio, consome somente baseado na renda real que ganha, o salário, que o torna incapaz de alcançar a riqueza dos demais.

Visto que, determinados indivíduos não conseguem ter acesso a créditos, e os ativos encarecem cada vez mais, a desigualdade vai aumentando.