O anúncio da distribuição de dividendos recordes pela Petrobras (PETR4), de R$ 87,8 bilhões, "é imoral" e vai reduzir a capacidade de investimento da estatal, transferindo renda do trabalhador em meio à escalada de reajustes dos combustíveis e da inflação provocada pela política de preço de paridade de importação (PPI), criticou a Federação Única dos Petroleiros (FUP) em nota na manhã desta sexta-feira, 29.

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Na quinta-feira, 28, a Petrobras anunciou distribuição recorde de dividendos, utilizando recursos de geração de caixa, desinvestimentos e da assinatura do acordo de coparticipação dos Campos de Sépia e Atapu.

A estatal também divulgou na noite de ontem o seu desempenho financeiro no segundo trimestre, um lucro líquido de R$ 54,3 bilhões, o segundo maior lucro trimestral da companhia.

O lucro líquido no semestre, de R$ 98,9 bilhões, cresceu 124,6% contra igual período do ano anterior, porém a Fup observa que os investimentos em exploração e produção (E&P) caíram 14,7%, em dólar, na comparação semestral.

"O dividendo deste trimestre e os R$ 48,4 bilhões registrados no primeiro trimestre somam R$ 137,1 bilhões no semestre do ano, o que representa mais do que o ano passado todo e supera os dividendos pagos para um ano inteiro ao longo da história da Petrobras", disse o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, em nota.

Ele observa que a Petrobras ainda vai distribuir o resultado do terceiro trimestre neste ano, o que pode levar os dividendos do ano a R$ 200 bilhões.

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"É um escárnio, uma verdadeira festa de fim de governo. Festa da ilha fiscal 2", afirma Bacelar.

Para o sindicalista, a política de "gordos dividendos" é uma perversa forma de concentração de renda, que beneficia sobretudo acionistas privados.

Os acionistas estrangeiros ficam com a maior parcela, 44,8% do total dos dividendos distribuídos.

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O dirigente da FUP observou ainda, que "o aumento das receitas de vendas dos derivados no mercado interno, decorrente da alta dos preços reajustados pelo PPI, foi o principal fator dos elevados lucros operacionais da Petrobras no segundo trimestre e nos primeiros seis meses do ano. O superlucro e a escalada da inflação caminham juntos", avalia.

Resultado da Petrobras no Segundo Trimestre de 2022  

Os resultados da Petrobras (PETR4) referente a suas operações do 2T22, foram divulgados no dia 28 de julho, apresentou um lucro líquido de R$ 54,3 bilhões no 2T22, alta de 26,8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O Ebitda ajustado da Petrobras atingiu R$ 98,3 bilhões no 2T22, apresentando crescimento de 58,6% na comparação com o 2T21.

A margem Ebitda ajustada da Petrobras totalizou 57,5% no 2T22, apresentando crescimento de 1,6 ponto percentual na comparação com o 2T21.

A margem líquida da Petrobras atingiu 31,8% no 2T22, apresentando retração de -6,9 pontos percentuais na comparação com o 2T21.

A ações da Petrobras (PETR4) acumulam alta de 18,78% na bolsa de valores nos últimos 7 dias e alta de 78,83% nos últimos 12 meses.

Fonte: Estadão Conteúdo.