David Swensen e o Modelo de Yale
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David Swensen e o Modelo de Yale

Gestor do fundo patrimonial da Universidade de Yale, o modelo de investimento de Swensen influenciou toda uma indústria.

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Atualizado em 12/08/2021

David Swensen revolucionou os chamados fundos endowment. Como diretor de investimentos de Yale ele conseguiu ótimos desempenhos ao longo de décadas com sua estratégia conhecida como “Modelo de Yale”.

Mesmo que nunca tenha conquistado a fama de Warren Buffett ou Peter Lynch com o público investidor, a abordagem inovadora para alocação de ativos de David Swensen tornou-se referência entre as instituições de todo o mundo.

Entre os gestores de fundos de doação, poucos podem competir com o ex-chefe do Yale Endowment. 

Ao longo de três décadas, Swensen elevou o portfólio da universidade de US$ 1,3 bilhão para mais de US$ 30 bilhões, com um retorno médio de 12,4% ao ano, de acordo com o Yale Investment Office.

“Sob sua direção, o endowment de Yale trouxe retornos que estabeleceram ele como uma lenda entre investidores institucionais”, escreveu o presidente de Yale, Peter Salovey, em nota após o falecimento de David Swensen em maio de 2021.

Os retornos de Swensen rivalizavam e até superaram os de muitos dos grandes administradores de fundos de hedge do mundo. 

Ele poderia ter ganhado dezenas de milhões, mas desistiu de uma carreira lucrativa em Wall Street para supervisionar a doação da Universidade de Yale e revolucionar esse mercado.

Stephen Swensen, em uma entrevista em 2014 que seu irmão “nunca teve nenhum interesse em fazer nada além de administrar o fundo patrimonial da melhor forma possível”. 

“Ele tem paixão por retribuir a uma instituição com um propósito maior. Ele nunca aspirou a mais dinheiro ou uma posição superior.”

Saiba quem foi David Swensen, sua importância para os fundos endowment e do seu modelo de Yale para os investidores em geral.

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Quem foi David Swensen

David Swensen (1954 – 2021) foi um investidor americano, chefe do fundo patrimonial (endowment) da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, de 1985 até sua morte, no dia 5 de maio de 2021.

A abordagem de alocação de Swensen ficou conhecida como o “Modelo de Yale”, uma metodologia que passou a ser utilizada por diversas instituições de ensino e fundações nos Estados Unidos.

Vida e carreira

David Frederick Swensen nasceu em 26 de janeiro de 1954, na cidade de River Falls, Wisconsin, nos Estados Unidos. 

Depois de se formar no colegial na River Falls High School em 1971, Davis ingressou na Universidade de Wisconsin-River Falls, onde se graduou em economia em 1975.

Seu pai, Richard Swensen, era professor de química e reitor da universidade.

Ainda no campo acadêmico, Swensen fez doutorado na área de economia na Universidade de Yale, onde fez sua dissertação sobre um modelo para análise de títulos corporativos.

No início dos anos 80, Swensen começou sua carreira de investimentos em Wall Street, onde assumiu cargos de liderança em grandes instituições como Salomon e Lehamn Brothers, como responsável pela área de Swaps.

Além de Carnegie Corporation, Bolsa de Valores de Nova York, entre outras.

Em 1985 David Swensen retornou à universidade de Yale para ingressar na equipe de gestão do fundo endowment da instituição, quando estava com apenas 31 anos.

Swensen ganhou notoriedade depois que ele e Dean Takahashi desenvolverem o Modelo de Yale a fim de analisar a forma mais segura e eficiente para a construção de um portfólio de investimento.

O ex-gestor de fundos faleceu em decorrência de um câncer renal no Yale New Haven Hospital, no dia  5 de maio de 2021 aos 67 anos.

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O que é Endowment?

Endowment é um fundo patrimonial no qual instituições sem fins lucrativos, como museus e universidades, financiam suas atividades através das doações.

Bastante comuns nas faculdades norte-americanas, os retornos dos Fundos de Endowment tem como função pagar despesas importantes da faculdade e financiar projetos.

Uma vez que os recursos do fundo foram obtidos por meio de doações e não existe a expectativa de serem resgatados por aqueles que doaram, possuem um horizonte de investimento de longo prazo.

Os cinco maiores fundos de endowment universitários são:

  • Universidade de Harvard: US$40,9 bilhões;
  • Universidade de Yale: US$ 30,31 bilhões;
  • Universidade de Stanford: US$ 28,9 bilhões;
  • Universidade de Princeton: US$ 26,6 bilhões;
  • Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT): US$ 18,4 bilhões.
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Método Yale

O modelo de Yale foi desenvolvido por David Swensen e Dean Takahashi com o intuito de diversificar e analisar a forma mais segura e rentável para a construção de um portfólio de investimento.

Ele consiste basicamente em dividir uma carteira em cinco ou seis partes aproximadamente iguais e investir cada uma em uma classe de ativos diferente. 

O ponto do Modelo de Yale é a ampla diversificação e orientação para ativos pouco líquidos, sempre com foco no longo prazo.

Swensen começou a colocar essa abordagem no portfólio de Yale logo após assumir como diretor de investimentos da universidade em 1985. 

Ele disse que quando chegou, o portfólio era focado em ativos tradicionais, como ações e títulos de renda fixa.

Investimentos alternativos como imóveis e capital de risco representavam apenas uma pequena porcentagem.

O Modelo de Yale revolucionou a forma tradicional de administrar fundos de Endowment e foi tão bem-sucedida que outros investidores institucionais passaram a utilizá-lo também.

A lógica de Swensen era que os ativos com maior retorno absoluto eram dificilmente acessados e, por isso, apresentavam um preço mais baixo e tinham menor liquidez. 

No entanto, essas características permitiam que obtivesse um retorno melhor no longo prazo.

A principal lição do Modelo de Yale é a importância de diversificar adequadamente o portfólio para buscar retornos crescentes no longo prazo e diminuir os riscos.

Estratégia de investimento de David Swensen

Quando assumiu o posto de chefe de investimentos de Yale, em 1985, David Swensen encontrou um portfólio clássico para a época, composto majoritariamente por ações domésticas e renda fixa.

Foi então que ele decidiu buscar formas mais eficientes de investir e obter retornos mais altos. Para isso, reformulou o modelo drasticamente.

Com foco de longo prazo, adotou estratégias mais arrojadas investindo em venture capital, combinado com private equity, hedge funds e mercado imobiliário. Bonds (títulos do governo americano) e ações correspondem ao restante da carteira.

Na crise financeira de 2008, Swensen foi nomeado para o Conselho Consultivo de Recuperação Econômica do então presidente norte-americano Barack Obama. 

Nesse período sua estratégia foi posta em cheque e seus investimentos pesados em ativos ilíquidos pressionou os retornos, resultando em uma perda de 24,6%.

Outras universidades que seguiram seu modelo também sofreram e alguns foram forçados a vender participações com prejuízo para levantar dinheiro.

Porém, Swensen permaneceu convencido de que, a longo prazo, esta era a estratégia certa. Ele provou que estava certo em 2014, quando Yale liderou a indústria com um retorno de 20,2%.

Para Swensen, as três ferramentas fundamentais para o sucesso nos investimentos são alocação de ativos, seleção de títulos e timing de mercado

Destes, o mais crítico é a alocação de ativos, e a disciplina para manter um mix de ativos ideal para atingir as metas de longo prazo.

Mesmo assim, essa alocação requer um rebalanceamento periódico para melhorar o desempenho da carteira no longo prazo. 

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Abordagem de David Swensen para o investidor individual

O sucesso de David Swensen mostra que os investidores pessoa física também podem melhorar seus retornos ao alocar parte do seu patrimônio em investimentos alternativos.

Em seu livro Unconventional Success, David F. Swensen mostra aos investidores individuais como gerenciar seus ativos financeiros espelhados no modelo de Yale.

Destaca ainda que essa abordagem não é a mesma que ele usa no fundo patrimonial, uma vez que lá ele foi capaz de usar produtos disponíveis apenas para investidores institucionais. 

Além disso, oferece evidências ​​de que a indústria de fundos mútuos com fins lucrativos sempre falha o investidor médio. 

Por isso, sua estratégia para investidores individuais consiste em uma carteira em torno de seis classes de ativos alocados da seguinte forma:

  • 30% ações domésticas;
  • 15% ações internacional;
  • 5% Mercados Emergentes;
  • 15% títulos do tesouro direto (treasures);
  • 15% títulos atrelados à inflação;
  • 20% REITs (FIIs americanos).
portfólio David Swensen
Portfólio de David Swensen para o investidor individual. Fonte: Optimized Portfolio

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Livros de David Swensen

David Swensen é autor de dois best-sellers, um para investidores institucionais e outro para investidores individuais, onde aborda as melhores estratégias para cada um.

Pioneering Portfolio Management, the definitive template for institutional fund management;

Em português, “Desbravando A Gestão De Portfólios – Uma Abordagem Não Convencional Para O Investimento Institucional”, descreve o processo de investimento desenvolvido e utilizado por David Swensen no fundo de doação de Yale.

Unconventional Success: A Fundamental Approach to Personal Investment.

Em 2005, o gestor escreveu um livro chamado Unconventional Success, na tradução, “Sucesso não Convencional: Uma abordagem fundamental para o investimento pessoal”, no qual faz um guia para o investidor individual.

Nele ele apresenta os principais aspectos que o investimento individual se difere do institucional e como seria uma alocação de ativos ideal para o investidor comum.

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